Dependência financeira? Pior que isso é a dependência afetiva, um distúrbio de comportamento que afeta um número imenso de mulheres. São mulheres que “amam demais”, ou seja, confundem carência com amor, têm uma baixa auto-estima, e dão tanto de si mesmas pelo relacionamento que acabam vazias. Conheça as características das “mulheres que amam demais”, aprenda a identificar a dependência afetiva e veja se você se inclui nesse grupo.

MULHERES QUE AMAM DEMAIS

Deixar o seu país, sua família e amigos para trás na esperança de viver um grande amor, casar, ter filhos e levar uma vida mais tranquila na Europa – esse foi o ponto de partida da maioria das mulheres brasileiras casadas com alemães e que moram atualmente na Alemanha. Seja qual for a origem econômica e social da mulher, é sempre uma decisão difícil largar o país onde se nasceu e tanta gente querida para morar em uma terra estranha. Mas, como muitas dizem ao tomarem a decisão, “quem arrisca não petisca”, não é mesmo?

Em termos. Arriscar tudo sem garantias é como assinar um papel em branco, é apostar tudo em um relacionamento e em um homem que, por maior que seja a paixão, não se conhece bem no início de relacionamento. Esse sonho de encontrar um príncipe encantado, educado e gentil, de boa aparência e de situação financeira estável, é comum a quase todas as mulheres. Nós crescemos com essa imagem de felicidade – a mulher realizada é aquela que encontrou um homem provedor e gentil, bom pai e bom marido. Ou seja, nós crescemos acreditando que, sem um relacionamento fixo, de preferência casamento, não é possível ser feliz, por mais que a mulher tenha uma carreira brilhante e seja muito bem sucedida financeiramente. Essa dependência que a mulher tem de um relacionamento é somente em parte

responsabilidade da nossa sociedade machista e conservadora. O outro fator responsável por esse “sonho”, pela dependência afetiva das mulheres, é o ambiente familiar e emocional em que essa mulher cresceu.

Um número muito grande de mulheres é, em menor ou maior grau e em determinados momentos de suas vidas, depende afetivamente de seus parceiros, ou seja, são pessoas cujas vidas se orientam em função de relacionamentos afetivos, e não em função de seu próprio bem-estar e interesses pessoais. São mulheres com baixa auto-estima, que colocam os outros em primeiro lugar e estão dispostas a sacrificar sua felicidade pessoal para não ficarem sozinhas. É óbvio que nem todas as mulheres que “abrem mão” de sua vida no Brasil em função de um amor na Alemanha são dependentes afetivos – há mulheres que, apesar de todas as limitações culturais e sociais que enfrentam na Alemanha, conseguem encontrar seu espaço próprio, têm uma boa auto-estima e dedicam-se a seus objetivos pessoais, têm vida própria, não controlam seus parceiros e vivem um relacionamento saudável. Mas há também aquelas que se fixam no relacionamento e fazem dele o centro de suas vidas. São casos típicos de dependência afetiva.

As mulheres que sofrem de dependência afetiva também são conhecidas como “mulheres que amam demais”, termo cunhado por Robin Norwood, autora do livro de mesmo nome. “Amar demais” aqui tem o sentido de amar além da conta, de forma doentia, controladora e obsessiva.

Quem são essas mulheres?

Características da mulher que ama demais:

É geralmente uma mulher que cresceu em uma família disfuncional (leia mais em item abaixo) na qual suas necessidades emocionais não foram atendidas. Tendo recebido pouca atenção quando criança, tenta diminuir sua carência tornando-se uma pessoa altruísta, que dá aos outros mais do que lhe é pedido, esperando receber em troca o carinho de que necessita.

Como nunca foi capaz de transformar seus pais em pessoas mais carinhosas e atenciosas, inconscientemente procura um parceiro pouco atencioso e emocionalmente indisponível, que ela tenta mudar através do seu amor, repetindo assim o comportamento que tinha dentro de sua família disfuncional de origem. A mulher que ama demais não foi amada nem aprendeu a amar de forma saudável, por isso repete o mesmo comportamento com o parceiro. Com medo de ser abandonada, fará de tudo para evitar que o relacionamento acabe. Nada lhe parece pouco, leva muito tempo ou é muito caro se for para “ajudar” ao parceiro. Acostumada à falta de amor nas relações pessoais, está disposta a abrir mão do seu tempo, sonhos e metas para agradar ao parceiro e manter o relacionamento.

Sua auto-estima é extremamente baixa e, no fundo, não acredita que mereça ser feliz. É dependente do parceiro e da dor emocional que um relacionamento disfuncional lhe proporciona. Essa dor é, na verdade, a única forma de contato que tem com seus próprios sentimentos. A mulher que ama demais cresceu com essa dor, e confunde-a com amor.

Essa confusão se dá na infância, quando a criança não consegue entender como é que os seus próprios pais, que deveriam amá-la, possam tratá-la mal, ser negligentes ou mentir para ela ao mesmo tempo. A estrutura emocional da criança não suporta a verdade de que os pais não a amam tanto assim, por isso refugia-se no imaginário e associa a dor que sente a uma forma de amor. Portanto, para ela dor e amor são a mesma coisa, e repete esse padrão de comportamento pelo resto da vida.

A mulher que ama demais tem necessidade de controlar as pessoas e os relacionamentos, por medo de perda, por carência e por insegurança. Mas disfarça esse controle, colocando-se como uma pessoa prestativa, sempre pronta a ajudar.

Idealiza os relacionamentos ao invés de enxergar a situação real como ela é. Por esse motivo, acaba envolvendo-se com pessoas cuja vida emocional é caótica, incerta e sofrida. A mulher que ama demais é incapaz de enxergar seus próprios problemas, por isso procura pessoas complicadas que precisem de sua ajuda e que tenta mudar. É, na verdade, uma maneira de escapar de seus próprios problemas. Lembre-se de que para ela dor e amor são a mesma coisa, a nível inconsciente.

Se enfrentasse seus próprios problemas, se tentasse se conhecer, essa relação amor/dor perderia o sentido, assim como sua própria vida emocional perderia sua base. O medo do vazio faz com que se agarre com unhas e dentes a essas situações emocionalmente caóticas – nesse cenário, sabe como “sobreviver”. E se, por acaso, o relacionamento acaba e entra em depressão, procura rapidamente um novo relacionamento instável com um homem emocionalmente desequilibrado.

Na sua visão deturpada da realidade, a mulher que ama demais acha “bonzinhos e chatos” os homens gentis, seguros e genuinamente interessados nela. Ela não aprendeu ainda a amar e a ser amada, só a sentir dor, por isso procura INCONSCIENTEMENTE homens que a façam sofrer.

Família disfuncional

Uma família disfuncional é aquela em que as crianças crescem sem o carinho e a atenção de que precisam, além de não aprenderem a confiar em si mesmas. Um exemplo extraído do livro “Mulheres que Amam Demais” de Robin Norwood:

Uma criança ouve os pais brigando e pergunta à mãe: “Por que você está zangada com o papai?” A mãe responde: “Eu não estou zangada com o seu pai.” A criança: “Mas eu ouvi você xingando ele.” A mãe: “Presta atenção: eu não estou zangada, mas vou ficar já já se você continuar se comportando assim.”

Um diálogo simples e corriqueiro como esse esconde a inabilidade da mãe de lidar com a situação de conflito, levando a criança a sentir-se confusa, culpada, e a ter medo. Confusa, porque ela sabe o que ouviu, mas a pessoa que ela mais ama diz que aquilo que ela ouviu não aconteceu. Culpada, porque a mãe diz que seu comportamento (perguntar sobre seus sentimentos) é errado. Medo, porque a criança tem que optar entre a confiança que tem em si mesma (ela sabe que a mãe está zangada) ou aceitar o fato de que a própria mãe mente para ela. Esse tipo de diálogo geralmente se repete inúmeras vezes durante a vida da criança. O resultado é uma criança insegura, que não confia mais nos seus próprios sentimentos e simplesmente aceita como “verdadeiro” o que lhe é dito, principalmente se vem de alguém que ela ame.

A família é também disfuncional quando há incidência de pelo menos um dos pontos abaixo:

– Dependência de álcool ou drogas (incluindo medicamentos)
– Comportamento obsessivo, como comer, limpar, trabalhar, jogar (por dinheiro), fazer compras, etc., compulsiva e doentiamente, afetando o bem-estar da família
– Violência física contra a(o) parceira(o) e/ou filhos
– Comportamento sexual inadequado de um dos pais com relação aos filhos, que pode ir de toques libidinosos a incesto
– Clima de tensão e desentendimento dentro da família, brigas constantes
– Longos períodos de tempo em que os pais evitam falar um com o outro
– Pais cujas opiniões divergem completamente
– Um dos pais não desenvolve um relacionamento verdadeiro com a família, permanece ausente e ainda culpa a família por seu comportamento
– Visão autoritária e inflexível com respeito a dinheiro, religião, trabalho, rotina, sexualidade, lazer, vida doméstica, esporte, política, etc. O relacionamento familiar se resume ao cumprimento de regras fixas e quase não há intimidade e confiança entre os membros da família.

Há vários tipos de famílias disfuncionais, mas uma coisa todas têm em comum: as crianças que crescem nesse ambiente têm enorme deficiência emocional e serão adultos com problemas de relacionamento.

Identificando o Padrão de Comportamento de um Dependente Afetivo

Quais são os sinais e os sintomas da dependência? Verifique se os tipos de comportamento abaixo combinam com os seus (ou os de alguém que você conhece):

VOCÊ É CAPAZ DE VIVER UM RELACIONAMENTO SATISFATÓRIO, SAUDÁVEL E EQUILIBRADO OU:

– Fica do lado do telefone, ansiosa, esperando o parceiro (namorado/marido) ligar?
– Vive checando a caixa de correio/correio eletrônico/secretária eletrônica para ver se há mensagens?
– Cancela um encontro com um(a) amigo(a) para se encontrar com ele de última hora?
– Telefona demais para ele/procura-o demais?
– Gasta dinheiro com cartões, presentes? Escreve suplicantes cartas de amor?
– Oferece demais: lembranças, presentes, vive fazendo-lhe favores, etc.?
– Desistiu completamente de investir em si própria?
– Optou por um retrocesso na carreira ou nos seus objetivos de vida em função do relacionamento (ou casamento), para que seus planos não interferissem nos dele?
– Abriu mão de amizades, interesses e objetivos pelo relacionamento?
– Costuma ser você quem inicia os jogos de amor/sexo?
– Pergunta sempre quando irá telefonar para/ver a pessoa de novo?
– Substitui rapidamente um amor/caso recente?
– Pensa logo em casamento assim que começa um novo namoro?
– Vai logo viver com o novo namorado?
– Oferece-se para resolver uma série de coisas na vida do novo namorado (lavar, passar, limpar, consertar, etc.)?
– Acha que você e o seu parceiro vivem “grudados”? Fazem tudo juntos? Não têm interesses próprios em separado?
– Vive com medo de que ele a abandone ou fique aborrecido?
– Segue a opinião dele na maioria das vezes? A palavra dele vale mais?
– Vive tentando se superar, ser cada vez melhor, para que o seu parceiro ame-a ainda mais?
– Corre para casa para estar disponível ao parceiro/evitar reclamações/preparar o jantar?
– Tolera excessos, vícios, abuso físico e/ou verbal?
– Ameaça ir embora, mas não cumpre?
– Acaba perdoando sem ter realmente resolvido o problema ou sem que a situação tenha mudado na prática?
– Faz de tudo para evitar atritos em casa?
– Aceita-o de volta sem que a situação tenha mudado? Acredita nas promessas de mudança, sem provas ou resultados?
– Sente-se numa prisão? Não tem permissão para sair com seus amigos? Ou ouve o que não quer quando sai?
– Não tem permissão para atender o telefone? Ou abrir o correio? As suas conversas são monitoradas?
– Vive com sentimento de culpa, medo de ser acusada, espancada ou de ver o seu parceiro mudar completamente de personalidade?
– Deixa de ir à terapia ou a um grupo de ajuda/aconselhamento porque você reatou com o parceiro, ou porque o relacionamento acabou? Ou tem um namorado novo? Ou porque ele faz pressão para você parar? Ou porque ele reclama do preço?
– Sente-se culpada por estar gastando esse dinheiro com você?
– Analisa demais o comportamento dele?
– Não tem acesso a dinheiro ou a cheques e é ele que controla tudo?
– Virou a mãe/terapeuta dele para resolver os problemas dele?
– Está viciada em determinados comportamentos ou normas (para sentir-se segura)?
– Não consegue dizer “não”, mas se arrepende depois?
– Permite que outras pessoas a usem?
– Gostaria de ser mais firme?
– Se compromete a fazer coisas que não quer fazer, e depois acaba não conseguindo dar conta delas?
– Mente para se livrar de compromissos assumidos?
– Cria desculpas para não manter os compromissos mais sérios, como o pagamento em dia de contas?
– Faz coisas para os outros que eles próprios deveriam fazer, ou que prometeram fazer e não fizeram?
– Organiza o guarda-roupa do marido e decide o que ele irá vestir?
– Vive “apagando incêndios” causados por outras pessoas?
– Procura evitar que as outras pessoas passem por experiências desagradáveis resultantes do comportamento delas?
– Acoberta filhos, familiares, amigos, empregados?
– É apegada demais a telenovelas, livros românticos, filhos?
– Dedica grande parte do seu tempo a projetos voluntários ou atividades ligadas à Igreja?

Além disso, você:

– Teve que largar sua cidade de origem e viajar uma longa distância para viver com o seu parceiro (e se arrependeu)?
– Tentou ajudar outras pessoas a dar rumo a suas vidas (filhos, amigos, familiares)?
– Tem que estar com tudo sob controle para se sentir segura? Sente-se ameaçada pelo crescimento ou mudança do parceiro?
– Gostaria de ter uma auto-imagem melhor e de se sentir melhor consigo mesma?
– Gostaria de ser mais confiante?
– Aprendeu a pensar primeiro nos outros, a não ser egoísta e a se colocar em último plano?
– Teve relacionamentos ruins repetidas vezes?

PESSOAS QUE ABUSAM DOS OUTROS TAMBÉM PODEM SER CODEPENDENTES. O SEU PARCEIRO É CONTROLADOR E SE SENTE INSEGURO QUANDO NÃO CONSEGUE CONTROLAR OS OUTROS? ELE:

– Controla as suas roupas? …o que você veste? …o que você come? Ou controla se você está ou não trabalhando; se foi mesmo estudar?
– Nunca admite que está errado?
– Culpa você, quando na verdade o erro/a responsabilidade é dele?
– Acusa você de fazer coisas que ele faz mas não admite?
– Tem acessos de raiva?
– Parte (ou sente vontade de partir) para violência física?
– Humilha e/ou xinga você?
– Não permite que você tenha acesso ao que precisa (dinheiro, carro, babysitter, etc.)?
– Passa a maior parte do tempo na frente da televisão? Praticando esportes? No bar? Na garagem/oficina? No trabalho?
– Tem relações extra-conjugais?
-Tem dificuldade de expressar seus sentimentos? De se comunicar?

Esse padrão de comportamento pode ser alterado, se você encontrar um equilíbrio em todas essas áreas da sua vida. Primeiro é preciso reconhecer que existe um padrão desequilibrado no seu comportamento para depois poder crescer interiormente e curar as causas desse desequilíbrio – aumentar a auto-estima e aprender a gostar de si mesmo! Só então poderá viver um relacionamento afetivo feliz e mantê-lo.

Todos os aspectos da sua vida irão melhorar quando você estiver emocionalmente saudável. Pare de culpar os outros pelos seus problemas. Você está atraindo pessoas doentias porque você também não está saudável.Quais são as causas da dependência?

O comportamento dependente é às vezes assimilado dentro da própria família, outras vezes é uma resposta a formas variadas de abuso, de disfunção familiar ou de trauma. A sociedade em que vivemos prega esse tipo de comportamento, principalmente para as mulheres.

A mulher aprende a se dar mais do que deveria. Aprende que o que se espera dela é que coloque os outros em primeiro lugar. E acaba se colocando em último lugar. A sociedade espera que a mulher esteja sempre pronta a servir – não espera da mulher um comportamento que leve em conta seu bem-estar e sua paz interior. O dependente é carente, inseguro e está sempre pronto a agradar… quer ser amado e/ou controlar os outros. Isso sufoca o parceiro ou qualquer pessoa que se relacione com o dependente. Mas essa nunca é a intenção do dependente: ele quer ser amado, quer aproximar e não afastar as pessoas. Como nunca aprendeu a se valorizar, a viver um relacionamento afetivo saudável, sem controle e dependência, não consegue agir de outra maneira. Para quebrar esse ciclo, o dependente tem que aprender a amar de forma saudável. Primeiramente, a si mesmo. Uma pessoa com baixa estima não gosta muito de si mesmo. Portanto o processo de cura passa pelo resgate do amor próprio, para que a pessoa possa relacionar-se de forma equilibrada no amor, na família, no trabalho, etc.

“Eu me amo, eu me amo!” Será?

Quem não ama a si mesmo não consegue amar outras pessoas. O que chama de ‘amor’ é dependência, carência, mas não amor.

O questionário a seguir serve como guia para determinar até que ponto você ama a si mesmo.

Responda, sinceramente:

1) Torno-me obsessiva com os relacionamentos?

SIM NÃO


2) Não consigo perceber que me torno dependente?

SIM NÃO


3) Minto para disfarçar o que ocorre numa relação?

SIM NÃO


4) Evito o contato social para ocultar das pessoas meus problemas no relacionamento?

SIM NÃO


5) Repito comportamentos para controlar a relação?

SIM NÃO


6) Sofro acidentes devido à distração?

SIM NÃO


7) Sofro mudanças de humor inexplicáveis?

SIM NÃO


8) Às vezes ajo de forma irracional?

SIM NÃO


9) Tenho ataques de ira, depressão, culpa ou ressentimento?

SIM NÃO


10) Tenho ataques de raiva e violência?

SIM NÃO


11) Sinto ódio de mim mesma e me auto-justifico?

SIM NÃO


12) Fico doente devido ao stress?

SIM NÃO


Se você respondeu afirmativamente a três das doze perguntas, é uma mulher dependente das pessoas.

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