Categoria: Blog da Psicóloga

Como a ansiedade muda a nossa percepção do mundo

Como a ansiedade muda a nossa percepção do mundo

 

Se você é uma pessoa ansiosa, provavelmente já percebeu que a ansiedade muda a nossa percepção em relação ao que acontece ao nosso redor.

É sempre importante esclarecer que existem basicamente dois tipos de ansiedade. Um deles é adaptativo e a sua função é nos preparar para enfrentar um perigo ou uma situação ameaçadora. Em outras palavras, é uma resposta instintiva para nos proteger de um risco potencial.

O outro tipo de ansiedade é psicológico ou patológico. Ele simplesmente aparece, embora não haja riscos reais. Talvez seja mais preciso dizer que ele surge em face de ameaças imaginárias ou supervalorizadas, quase sempre mal definidas. É como se houvesse um perigo, mas não podemos determinar onde está ou o que é.

A ansiedade se expressa de muitas maneiras. O que essas manifestações têm em comum é o fato de que o sentimento de medo ou apreensão é muito exagerado. Às vezes, leva a uma constante ruminação de pensamentos. Outras vezes, acaba desencadeando ataques de pânico ou leva ao isolamento.

 

“O medo aguça os sentidos. A ansiedade os paralisa.”
– Kurt Goldstein –

 

Como a ansiedade muda a nossa percepção do mundo

 

Quando a ansiedade muda a nossa percepção: o viés cognitivo

 

Na ansiedade patológica há uma percepção distorcida ou alterada do mundo. Isso significa que você seleciona ou presta atenção apenas na informação da realidade que explica, ou poderia explicar, a sensação de ameaça. Do mesmo modo, esta informação é interpretada de forma equívoca e nos concentramos muito mais nela do que nos outros fatos.

Alguém que, por exemplo, se sente ansioso no relacionamento com as outras pessoas, tenderá a ver nelas apenas alguns aspectos em detrimento de outros. Estará sempre muito atento a qualquer gesto de rejeição, por menor que seja. Um silêncio pode ser interpretado como uma indicação de que não é amado ou de que as pessoas não querem falar com ele. Não dará valor aos sinais de aceitação ou interesse, a menos que sejam extraordinariamente visíveis.

Se a ansiedade for mais imprecisa, o ansioso começará a ver “sinais fatídicos” em qualquer manifestação da natureza. Por exemplo, um nascer do sol muito colorido o leva a sentir que “algo vai acontecer”. Uma lua muito iluminada gera medo, e ele não sabe por quê.

 

A teoria dos quatro fatores

 

O psicólogo Michael Eysenck desenvolveu uma proposta conceitual chamada “Teoria dos Quatro Fatores”. Ele define os principais caminhos que o pensamento de alguém ansioso assume com base na sua própria percepção. Cada uma dessas vias implica um viés cognitivo. Os quatro fatores são:

Percepção tendenciosa de um estímulo específico. Ocorre quando a ansiedade é dirigida especificamente para um objeto ou um aspecto muito preciso da realidade e cria as chamadas “fobias”. Se a ansiedade recai sobre o seu próprio comportamento, é chamada de “fobia social”.

Percepção tendenciosa do próprio corpo e das suas reações fisiológicas. Aparece quando o próprio organismo é o campo de batalha. As suas funções e respostas são vistas como um sinal de perigo. Isso leva ao “transtorno da angústia”.

Percepção tendenciosa do próprio pensamento e das ideias pessoais. Neste caso, o que é percebido como um risco ou algo ameaçador é o que acontece dentro da sua mente e provoca o transtorno obsessivo compulsivo (TOC).

Percepção global distorcida. Corresponde a casos em que a ansiedade é direcionada a todos os fatores listados: elementos específicos, o próprio comportamento, o corpo e a mente. Quando isso acontece, ocorre o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).

Cada uma dessas manifestações de ansiedade faz com que a pessoa veja a realidade de forma totalmente tendenciosa. No ansioso há uma forte resistência ou uma impossibilidade de introduzir informações que questionem a validade do que ele percebe.

Trabalhar a interpretação equivocada

 

Todos os transtornos de ansiedade podem ser tratados, mesmo nos casos mais severos. Uma terapia destinada a superar esses sintomas ensinará a pessoa ansiosa a concentrar a sua atenção em outros aspectos da realidade que ela está ignorando.

É possível aprender a dar significados mais amplos do que percebemos. Às vezes, precisamos de alguém que nos ajude a entender que sentir o coração acelerado não significa que estamos à beira de uma parada cardíaca. Ou que é normal que algumas pessoas não gostem de nós, mas isso não significa que elas pretendam nos fazer algum mal.

Qualquer tipo de ansiedade é importante. Na verdade, quando ignoramos os sintomas da ansiedade como uma estratégia de enfrentamento, eles tendem a crescer e a invadir a personalidade. Procurar ajuda rapidamente é a melhor maneira de enfrentar esses estados que nos causam tanto sofrimento.

( A mente é maravilhosa)

 

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Entendendo a psicoterapia e como ela funciona

Entendendo a Psicoterapia e como ela funciona

Entendendo a psicoterapia e como ela funciona

 

 Psicoterapia

 

Há estudos que indicam que mais de 25% dos adultos sofrem de ansiedade, estresse, depressão ou outros transtornos em algum momento da vida. Há também um número grande de pessoas que lutam para lidar com problemas de relacionamento, frustração com o trabalho, a morte de um ente querido, entre outros. E esses problemas podem muitas vezes consumir mais energia do que deveriam.

 

O que é psicoterapia?

 

Um psicólogo pode ajudá-lo a lidar com esses problemas. Através da psicoterapia, os psicólogos ajudam pessoas de todas as idades a ter vidas mais felizes, saudáveis ​​e produtivas.

Na psicoterapia, os psicólogos aplicam procedimentos cientificamente validados para ajudar as pessoas a desenvolver hábitos mais saudáveis ​​e mais eficazes. Existem várias abordagens à psicoterapia – incluindo terapia cognitivo-comportamental, interpessoal e outros tipos de psicoterapia – que ajudam as pessoas a lidar com seus problemas.

A psicoterapia é um tratamento colaborativo baseado na relação entre um indivíduo e um psicólogo. Fundamentada no diálogo, ela fornece um ambiente de apoio que permite conversar abertamente com alguém que é objetivo, neutro e imparcial. Você e seu psicólogo trabalharão juntos para identificar e mudar os padrões de pensamento e comportamento que impedem que você se sinta bem.

Quando terminar, você não apenas terá resolvido o problema que o trouxe, mas terá aprendido novas habilidades para que possa lidar melhor com quaisquer desafios que surgirem no futuro.

 

Quando você deve considerar a psicoterapia?

 

Por causa dos muitos  equívocos  sobre psicoterapia, você pode estar relutante em experimentá-lo. Mesmo que você conheça as realidades em vez dos mitos, pode se sentir nervoso em tentar isso sozinho.

Superar esse nervosismo vale a pena. Isso porque sempre que sua qualidade de vida está satisfatória, a psicoterapia pode ajudar.

Algumas pessoas procuram psicoterapia porque se sentem deprimidas, ansiosas ou com raiva há muito tempo.

Outros podem querer ajuda para uma doença crônica que está interferindo em seu bem-estar emocional ou físico.

Outros ainda podem ter problemas de curto prazo e precisam de ajuda para navegar. Eles podem estar passando por um divórcio, enfrentando um ninho vazio, sentindo-se oprimidos por um novo emprego ou lamentando a morte de um membro da família, por exemplo.

 

Sinais de que você poderia se beneficiar da terapia incluem:

 

Você sente uma sensação esmagadora e prolongada de desamparo e tristeza.

Seus problemas não parecem melhorar apesar de seus esforços e da ajuda de familiares e amigos.

Você acha difícil se concentrar em tarefas de trabalho ou realizar outras atividades cotidianas.

Você se preocupa excessivamente, espera o pior ou está constantemente no limite.

Suas ações, como beber muito álcool, usar drogas ou ser agressivo, estão prejudicando você ou outras pessoas.

Quais são os diferentes tipos de psicoterapia?

 

Existem muitas abordagens diferentes para a psicoterapia. Os psicólogos geralmente utilizam um ou mais desses. Cada perspectiva teórica atua como um roteiro para ajudar o psicólogo a entender seus pacientes e seus problemas e desenvolver soluções.

O tipo de tratamento que você recebe dependerá de uma variedade de fatores: pesquisa psicológica atual, orientação teórica de seu psicólogo e o que funciona melhor para sua situação.

A perspectiva teórica do seu psicólogo afetará o que acontece em seu consultório. Psicólogos que usam terapia, por exemplo, têm uma abordagem prática ao tratamento. Seu psicólogo pode pedir-lhe para resolver determinadas tarefas destinadas a ajudá-lo a desenvolver habilidades de enfrentamento mais eficazes. Essa abordagem geralmente envolve tarefas de casa. Seu psicólogo pode pedir-lhe para coletar mais informações, tais como registrar suas reações a uma situação específica à medida que elas ocorrem. Ou o seu psicólogo pode querer que você pratique novas habilidades entre as sessões, como pedir a alguém com fobia de elevador que pratique apertar os botões do elevador. Você também pode ter tarefas de leitura para poder aprender mais sobre um determinado tópico.

Em contraste, as abordagens psicanalítica e humanística geralmente se concentram mais em falar do que em fazer. Você pode passar suas sessões discutindo suas primeiras experiências para ajudar você e seu psicólogo a entender melhor as causas de seus problemas atuais.

Seu psicólogo pode combinar elementos de vários estilos de psicoterapia. De fato, a maioria dos terapeutas não se liga a nenhuma abordagem. Em vez disso, eles mesclam elementos de diferentes abordagens e ajustam seu tratamento de acordo com as necessidades de cada paciente.

A principal coisa a saber é se o seu psicólogo tem experiência na área em que você precisa de ajuda e se o seu psicólogo acha que ele ou ela pode ajudá-lo.

 

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Terapia de casal pode ajudar

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Terapia de casal pode ajudar

Descubram se vocês precisam de Terapia de casal | As 5 perguntas – Vocês precisam fazer Terapia de Casal?

A Terapia de casal pode ajudar e poderá se fazer necessária quando ambos estão concluindo que sozinhos ficará muito difícil um diálogo tranquilo.

Eu tenho observado em minha experiência como psicóloga de casais, que as pessoas que passam por crises ou monotonia no casamento ou namoro muitas vezes apresentam forte dificuldade para um diálogo franco e honesto.

Geralmente quando tentam conversar sobre o problema emocional que os afligem, as brigas surgem como impecílio para qualquer mudança.

Fadados a esta condição estressante e sem sentido, os casais muitas vezes precisam da mediação de um psicólogo especialista em relacionamento para ajudá-los a entender o que de fato prejudica a relação amorosa. Leia também : Como melhorar o relacionamento amoroso

A terapia de casal pode ser muito válida, para descobrirem juntos os pontos fracos e fortes do relacionamento. A partir deste ponto é possível avaliarem com mais tranquilidade o que se perdeu no decorrer do caminho.

A terapia conjugal pode ajudar o casal retornar à harmonia que um dia tiveram, abrindo a possibilidade enfrentarem seus problemas (atuais e futuros) de forma ativa, sem que as suas próprias defesas psíquicas tragam prejuízos à relação. Também pode servir para mostrar que este é realmente o momento em que a relação amorosa chegou ao fim.

 

Mas como saber se é a hora certa de iniciar a terapia de casal?

 

Atualmente muitos relacionamentos terminam antes mesmo de seus integrantes tentarem melhorar seu convívio e a própria qualidade de vida, como se o relacionamento já estivesse fadado ao término desde seu início.

A vantagem da terapia de casal é obter a certeza que tentaram tudo o que podiam para salvar o casamento ou o namoro sem que desistissem e abandonassem todas as possibilidades de resgate.  E desta forma sentirem-se mais seguros quanto a decisões futuras.

 

As 5 perguntas para você se fazer e obter a resposta

 

#1 – Como está a comunicação no meu relacionamento?

 

Muitas vezes a comunicação entre os casais está prejudicada porque os ambos evitam os conflitos, fingem para si mesmos e para o outro que os problemas não existem. É necessário que tanto um como o outro observe os comportamentos que estão sendo negativos e prejudiciais, criar uma atmosfera de confiança e proximidade. O acolhimento e a escuta depende muito da percepção que você tem de si e tem dos outros.

 

#2 Quais sentimentos o parceiro (a) desperta em mim?

 

Muitas vezes o relacionamento já está tão desgastado, que os sentimentos positivos do início do namoro passam a ser muito negativo. Uma espécie de birra do outro, implicância e a falta de interesse sexual.

Este pode ser um momento delicado na vida do casal, porque ainda existe também o desejo de estar junto e não querer a separação. Será que não é a hora de buscar ajuda de um psicólogo? Iniciarem uma terapia de casal pode ser a melhor forma de compreender este emaranhado de sentimentos.

 

#3 Qual o significado do namoro ou casamento para mim?

 

Com o passar do tempo o relacionamento amoroso pode passar por várias fases, as mudanças de objetivos vão se modificando assim como a percepção das vivências.

Com isto em mente, se faz necessário questionar-se sobre o significado do seu relacionamento no momento presente, que sentido você atribui a ele? Por que continuar ou não em um relacionamento com esta pessoa?

Estes questionamentos podem servir para auxiliar nas decisões futuras, independente de quais sejam. Por isso é necessário uma boa reflexão a cerca das respostas.

 

#4 Eu realmente quero estar neste relacionamento?

 

Ser capaz de fazer este tipo de reflexão ajuda você a encontrar as próprias motivações para estar neste relacionamento. Um casamento ou namoro difícil pode acobertar uma série de informações importantes a cerca dos próprios sentimentos e interesses. O verdadeiro desejo para estar com aquela pessoa e exercitar um papel que você mesmo (a) se propõe a viver.

Com o tempo e com os desgastes naturais, a motivação inicial de continuar na relação pode deixar de existir, fazendo com que os integrantes deixem de abrir mão de certas coisas, que são naturais em um relacionamento, causando cada vez mais conflitos. Neste caso, questionamentos como: Eu quero estar nesta relação? O que eu desejo desta relação? E o que eu posso fazer para melhorá-la?

 

#5 Eu quero que o meu relacionamento amoroso funcione e perdure?

 

Esta pode ser a questão principal a se fazer a respeito do relacionamento. Algumas pessoas podem alegar amar muito seus parceiros, mas no fundo, independente dos motivos, podem desejar que a relação não dê certo, desejando secretamente que ela acabe – ou até influenciando ativamente para isto ocorrer. Não adianta tentar melhorar a relação, quando na verdade não queremos que isto ocorra. Por isso, é preciso perceber os desejos de continuar verdadeiramente com a relação ou não.

Caso você tenha mais respostas negativas do que respostas positivas para estas questões e/ou esteja até mesmo pensando em terminar seu relacionamento, a terapia de casal pode ser útil. Em alguns casos somente um dos integrantes pode estar insatisfeito com a relação e a terapia pode fazer com que ambos (até o quem estava satisfeito), se desenvolvam em prol da relação. Caso você perceba que o parceiro é quem está insatisfeito, você também pode propor a terapia para ele.

Lembrando que a terapia de casal não serve somente para quem está casado formalmente, ela serve para qualquer tipo de relacionamento, contando apenas com a premissa de que a relação esteja passando por momentos de dificuldade e que seus integrantes estejam dispostos a trabalhar a favor dela.

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como adotar uma criança

Como adotar uma criança?

Como adotar uma criança?

As 6 perguntas mais importantes que você precisa fazer se quiser adotar uma criança ou adolescente.

 By  Psicóloga Mara Regina

 

Trabalhando como Psicóloga Judiciária, em Vara de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, ao longo dos anos convivi com o acompanhamento de processos judiciais, sendo que parte desses envolviam adoções de crianças e adolescentes. Nessa experiência, aprofundei meu conhecimento teórico e passei a enxergar várias formas de adoção à minha volta. São histórias reais que, como nos contos de fada, também falam de “príncipes” e “princesas” abandonados/encontrados e sobre como essas histórias foram reescritas. Falam de renúncias, de etapas e tarefas a serem cumpridas para que seja atingido um objetivo, da procura e de encontros que muitas vezes parecem mágicos. Gerar um filho é criar, produzir, vincula-se ao mecanismo de preservação da espécie, de reproduzir, podendo apenas retratar um ato puramente fisiológico, instintivo, natural. Adotar uma criança ou adolescente implica em escolha, procura, em compromisso.

 

1 – O que acontece com uma criança para que seja encaminhada à adoção?

 

Até chegar a ser adotada, uma criança já terá passado por algumas situações. Sua genitora pode ter dado à luz, deixado a maternidade levando-a consigo (quando o parto aí se deu, apesar de muitos ocorrerem fora do ambiente hospitalar) e a abandonado em algum canto da cidade. Na melhor das hipóteses, terá comunicado aos funcionários da maternidade ou a alguém que a acompanhe o desejo de entregar a(o) filha(o) para adoção e a entidade tomara as providências legais. Em momento oportuno, a genitora (e o genitor, que raramente a acompanha) se apresentará à Vara da Infância e Juventude da região onde a criança nasceu para formalizar a entrega da criança em Juízo, ocasião em que será entrevistada por profissionais das áreas de Serviço Social e Psicologia e passará por audiência com o(a) Juiz(a) titular, quando será destituída do poder familiar. O abandono puro e simples de recém-nascido é crime, com pena prevista em lei, enquando a entrega em Juízo é considerada como gesto de renúncia, diante do reconhecimento da impossibilidade de criar um criança. A genitora que abre mão da(o) filha(o) age no sentido de protegê-la(o), oferecendo lhe as oportunidades de desenvolvimento que reconhece não estarem a seu alcance.

 

2 – Se eu souber que uma mulher está grávida, ou já deu à luz, e não quer ficar com a criança, posso pegá-la para mim?



Não!

Por mais que você se sensibilize, que acredite tratar-se de intervenção divina, o fato deve ser comunicado às autoridades, em primeiro lugar. Caso um recém-nascido seja encontrado pelas ruas, pode-se acolhê-lo como forma de protegê-lo momentaneamente, mas deve-se imediatamente comunicar a polícia. Caso tenha conhecimento da pretensão da gestante/genitora de entregar a criança, deve-se antes de mais nada procurar a Vara de Infância e Juventude da região de sua residência e comunicar o fato. Caso apenas assuma os cuidados, futuramente poderá ser obrigada e entregar a criança em Juízo e perderá qualquer chance de vir a adotá-la. Isso também inclui familiares diretos e indiretos da genitora e pessoas que já estejam cadastrados, em fila de espera para adoção. Apenas com a autorização do(a) Juiz(a), pode-se assumir os cuidados de uma criança que encontra-se afastada da genitora, sob quaisquer circunstâncias.

 

3 – Cadastros de Pretendentes à Adoção

 

Qualquer pessoa – solteira, casada, em relação estável, em relação homoafetiva – pode ser candidata à adoção. Caso haja interesse, basta procurar a Vara da Infância e Juventude correspondente à sua residência, solicitando a relação de documentos e fotos a serem apresentados. Quando os documentos forem entregues, será iniciado o processo de avaliação, com preenchimento de ficha de inscrição, em que são expressas as características da(s) criança(s) pretendida(s), agendamento de entrevistas e visitas pelos Setores Técnicos (Assistentes Sociais e Psicólogos). Você também deverá participar de cursos de preparação, normalmente oferecidos pela própria Vara da Infância e por Grupos de Apoio à Adoção. No final do processo, caso haja aprovação pelos técnicos e Ministério Público (representado pelo Promotor de Justiça da Vara), o(s) pretendente(s) será(ão) considerado(s) habilitato(s) pelo(a) Juiz(a) responsável e passará(ão) a aguardar em fila de espera, o Cadastro de Pretendentes à Adoção. Atualmente tanto o Cadastro de Pretendentes como o de Crianças Disponíveis para Adoção são nacionais, sendo que quando do preenchimento da ficha de inscrição você indicará em que Estados se dispõe a viajar caso haja ali criança(s) disponível(is) para adoção.

 

4 – A criança entregue pela genitora vai para um orfanato?



Atualmente o que existem são serviços de acolhimento institucional, mais conhecidos como abrigos. São casas que tentam reproduzir o ambiente familiar, com o máximo de 20 crianças e adolescentes de 0 até 17 anos e 11 meses. Ali residem tanto aqueles que foram entregues para adoção como os que foram afastados das famílias por risco pessoal e/ou social, cujos responsáveis encontram-se temporariamente impossibilitados de cumprir suas funções.

 

5 – Se eu quiser adotar posso ir procurar uma criança em um abrigo?

 

Não!

Principalmente porque apenas as Varas da Infância e Juventude tem conhecimento de quais crianças estão disponíveis para adoção. Nos serviços de acolhimento há muitas crianças que continuam vinculadas às famílias de origem, sendo que muitas recebem visitas de familiares. Você pode vir a se encantar por uma criança que nunca poderá ser sua.

 

6- Como fica a situação da criança que foi encaminhada para a adoção?

 

Como já abordado, todos fazem o mesmo percurso na construção da identidade, no texto

O Nascimento do Herói”  você encontra mais informações sobre a estrutura psicológica.

A união entre mãe e filho vai sendo progressivamente rompida, uma necessidade para o desenvolvimento. Porém, no caso da adoção, a ligação é interrompida bruscamente. As crianças afastadas da mãe biológica tem esse laço rompido abruptamente, perdem o colo que naturalmente as acolheria subsequentemente. O herói foi ferido, como que deixado à própria sorte, desprotegido, sem estar formado e/ou preparado para os embates que terá de enfrentar.

Essa é a situação das crianças que, ainda recém-nascidas, são encaminhadas para adoção, deixadas pelas mães no próprio hospital onde deram à luz ou, de forma que até podemos considerar perversa, pelas ruas das cidades, em caixas de papelão, latas de lixo e à margem de lagos e rios. Para essas crianças, o corte do cordão umbilical implica em um afastamento definitivo, e só raramente, há um contato mãe-filho, sempre breve e superficial. Seria apropriado comparar à condição de uma ave que, ainda não sabendo voar, seja empurrada para fora do ninho. O bebê passa a ser cuidado por um(a) atendente de berçário e posteriormente, na grande maioria das vezes, por um(a) funcionário(a) de abrigo, onde aguardam pela colocação em lar substituto. Ali não há continuidade nos relacionamentos, na ligação emocional e na estimulação. Funcionários vêm e vão, tornando as relações passageiras, sem a permanência que a criança necessita para estabelecer referenciais. Pode ser suprida a fome física, mas não a afetiva. Como há trâmites processuais a serem cumpridos, essa espera pode ser de dias, meses ou mesmo anos. Por esses motivos, quanto mais pessoas estiverem interessadas na adoção de crianças e adolescentes das mais diferentes faixas etárias e características físicas, menor será essa espera, e mais rapidamente se re-direcionará a  escrita da história desses pequenos heróis.

 

 

Psicóloga Mara Regina Augusto – CRP 06/17120

 

Psicóloga pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – 35 anos de experiência.

Pós Graduação (Lato Sensu) em Psicologia Analítica – Universidade São Marcos

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL

Centro de Convivência Infantil da Secretaria do Governo
Período: de março de 1984 a junho de 1985
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Vara da Infância e Juventude do Foro Regional Jabaquara
Psicóloga Judiciária / Psicóloga. Judiciária Chefe
Período: de junho de 1985 a junho de 2014(aposentada)
Psicóloga Voluntária na empresa Instituto Pró-Cidadania-IPC
Psicóloga Voluntária do GAASP
Palestrante do Grupo de Apoio e Orientação à Adoção “Conta de Novo”, do GAASP – Grupo de Apoio a Adoção de São Paulo e dos Encontros Prepatórios de Adoção da Vara da Infância e Juventude do Foro Regional Jabaquara.

 

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Raiva no relacionamento amoroso

Raiva no relacionamento amoroso: como usá-la de forma produtiva?

Raiva no relacionamento amoroso

O ódio pode causar muitos males ao casal,  a raiva surge quando menos se espera e como usá-la de forma produtiva para melhorar seu relacionamento amoroso?  Você pode aprender a lidar com sentimento de raiva, ira, ódio e descontrole emocional.

Todos sabemos o que é a raiva , e todos sentimos isso: seja como um incômodo fugaz ou como uma fúria total.

 

Muitas vezes o desgaste do relacionamento afetivo, incompatibilidade de gênios, mudanças repentinas na vida, nascimento de filhos, envolvimento de familiares, ou até mesmo um estado de depressão pode trazer a tona sensações destrutivas direcionadas a quem mais amamos.

Raiva no relacionamento amoroso

A raiva é um sentimento normal , como qualquer outro. Mesmo que cotidianamente seja atribuída a questões negativas e as pessoas façam de tudo para não sentir, é inevitável que isso aconteça e, se encarada com naturalidade, pode ser um sentimento de grande importância e ensinar muito sobre nós mesmos.
Se fosse fazer uma comparação entre emoções, a raiva estaria bem próxima da paixão em termos de energia. É como um vulcão em ebulição, que borbulha em emoção e urgência e nos motiva a fazer coisas que, em outras situações, nunca seríamos capazes de fazer.
Por isso que, a depender de como é compreendida e utilizada, a raiva pode tanto produzir quanto causar muita destruição, especialmente no que concerne ao amor.

 

O que a raiva no relacionamento pode fazer com o amor?

 

A raiva aponta que algo está muito, mas muito errado por ali e, além disso, que você precisa tomar uma atitude com urgência! A raiva é enérgica; ela grita, repete e insiste. Se a pessoa não toma uma atitude, expressa a sua “raiva” de alguma maneira e resolve a situação, ela continuará por ali “martelando” na cabeça.
Nessa pequena ilustração, podemos de cara identificar dois problemas clássicos que a raiva pode provocar nos relacionamentos amorosos. O primeiro é o da expressão. A urgência da raiva muitas vezes é refletida em impulsividade e intolerância, então agimos “sem pensar nas consequências” e acabamos falando e fazendo o que não gostaríamos.

 

Arrependimento após descontrole emocional

 

Quantas pessoas depois se arrependem de terem cometido algum grande erro em momento de raiva, que feriu o(a) seu(sua) amado(a)? E, para piorar, na próxima vez em que ficam com raiva, acabam cometendo o mesmo erro novamente?
O segundo grande problema é o do rancor. Quando guardamos a raiva, a “engolimos”, transformamo-la em rancor, em mágoa, que mina o nosso humor, a nossa concentração, autoestima, enfim, toda a nossa saúde mental e, além disso, mina também o nosso sentimento pelo outro.

Aquele amor vai, aos poucos, se desgastando e, sem percebermos, deixamos de olhar para as qualidades do outro e só percebemos os seus defeitos, que reforçam cada vez mais aquele rancor. Pequenas falhas se tornam grandes. Pequenas discussões se tornam grandes brigas. E o relacionamento acaba.

 

Como usar a raiva no relacionamento amoroso de forma produtiva?

 

Como disse no início, a raiva porém, pode ser um sentimento produtivo, que diz muito sobre a situação e sobre nós mesmos. Se você sofre com a raiva em seu relacionamento amoroso, primeiramente, identifique qual é a sua grande dificuldade de lidar com o sentimento.
Seria uma dificuldade de expressão? Seria o rancor? Seria uma dificuldade em perdoar? Seria um problema maior, mais íntimo, que desperta uma raiva desproporcional?
Se você tem dificuldades em se expressar e “explode” facilmente, tente conhecer como o seu corpo funciona. Revisite cada um dos momentos de sua memória, perceba como o seu corpo reage, coração, músculos, o que você pensa, que sentimentos vem junto, respiração… cada uma dessas partes que vai perdendo o controle e exercite o autocontrole, aos poucos.

Aumente o seu repertório de expressão, tente acusar menos e expressar mais como você está se sentindo. Da mesma forma, não reprima a raiva, mas crie momentos para falar sobre questões não resolvidas de forma a encontrar soluções com o seu amor, juntos, sem acusações ou culpabilizações.

 

A Natureza da Raiva

Raiva no relacionamento amoroso

A raiva é “um estado emocional que varia de intensidade de leve irritação a intensa fúria e raiva”, de acordo com Charles Spielberger, PhD, psicólogo especializado no estudo da raiva. Como outras emoções, é acompanhada por mudanças fisiológicas e biológicas; Quando você fica com raiva, sua freqüência cardíaca e pressão arterial aumentam, assim como os níveis de seus hormônios energéticos, adrenalina e noradrenalina.

A raiva pode ser causada por eventos externos e internos. Você pode estar com raiva de uma pessoa específica (como um colega de trabalho ou supervisor) ou evento (um engarrafamento, um vôo cancelado), ou sua raiva pode ser causada por preocupação ou reflexão sobre seus problemas pessoais. Memórias de eventos traumáticos ou enfurecentes também podem desencadear sentimentos de raiva.

 

Expressando raiva

 

A maneira instintiva e natural de expressar raiva é responder de forma agressiva. A raiva é uma resposta natural e adaptativa às ameaças; Ele inspira sentimentos e comportamentos poderosos, muitas vezes agressivos, que nos permitem lutar e nos defender quando somos atacados. Uma certa quantidade de raiva, portanto, é necessária para nossa sobrevivência.

Por outro lado, não podemos afastar fisicamente a cada pessoa ou objeto que nos irrita ou nos irrita; leis, normas sociais e limites do lugar de senso comum quanto a nossa raiva pode nos levar.

As pessoas usam uma variedade de processos conscientes e inconscientes para lidar com seus sentimentos de raiva . As três abordagens principais são expressar, suprimir e acalmar. Expressar seus sentimentos irritados de uma maneira assertiva-não agressiva é a maneira mais saudável de expressar raiva. Para fazer isso, você precisa aprender a deixar claro quais são suas necessidades, e como obtê-los, sem machucar os outros. Ser assertivo não significa ser agressivo ou exigente; Significa ser respeitoso com você e com os outros.

A raiva no relacionamento amoroso pode ser suprimida e depois convertida ou redirecionada. Isso acontece quando você mantém sua raiva, pare de pensar nisso e se concentre em algo positivo. O objetivo é inibir ou suprimir sua raiva e convertê-la em comportamento mais construtivo. O perigo neste tipo de resposta é que, se não for permitido a expressão externa, sua raiva pode se virar para si mesmo. A raiva virada para dentro pode causar hipertensão, pressão alta ou depressão.

A raiva injustificada pode criar outros problemas. Isso pode levar a expressões patológicas de raiva, como o comportamento passivo-agressivo (voltando às pessoas indiretamente, sem dizer-lhes o porquê, ao invés de enfrentá-las de frente) ou uma personalidade que parece perpetuamente cínica e hostil. As pessoas que estão constantemente colocando os outros, criticando tudo e fazendo comentários cínicos não aprenderam a expressar de forma construtiva sua raiva. Não surpreendentemente, eles não são susceptíveis de ter muitos relacionamentos bem sucedidos.

Finalmente, você pode se acalmar por dentro . Isso significa não apenas controlar o seu comportamento externo, mas também controlar suas respostas internas, tomar medidas para diminuir a freqüência cardíaca, acalmar-se e deixar que os sentimentos diminuam.

Como observa o Dr. Spielberger, “quando nenhuma dessas três técnicas funciona, é quando alguém – ou algo assim – vai se machucar”.

Poderá aprender a controlar a raiva em um relacionamento amoroso e se permiti viver as experiências de forma mais equilibrada, com decisões assertivas e coerentes com o que você realmente sente.
E, se for possível, faça uma psicoterapia e busca conhecer mais a fundo seus limites, os sentidos de sua raiva e como resolver cada uma dessas questões da melhor maneira.

Raiva no relacionamento amoroso

 

 

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