casal em terapia no computador
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A terapia de casal é altamente recomendada a você

A ideia de buscar terapia de casal ainda carrega um estigma de “último recurso”, um sinal de que o relacionamento está irremediavelmente quebrado. Essa percepção, no entanto, é um grande equívoco. Assim como a manutenção preventiva em um carro, a terapia de casal não serve apenas para consertar grandes avarias, mas também para otimizar o funcionamento e evitar desgastes futuros. O que é comum é a crise; o que é mal compreendido é que a crise, em si, é uma oportunidade de crescimento, e não uma sentença de fracasso.

É crucial diferenciar a crise funcional de um padrão crônico de disfunção. A crise funcional é um momento de desequilíbrio natural que surge quando o casal precisa se adaptar a uma nova fase da vida, o nascimento de um filho, uma mudança de carreira, a perda de um ente querido.

psicóloga Daniela Carneiro

Terapia de Casal Online e Presencial

Psicóloga com mais de 20 anos de experiência, especialista em relacionamento amoroso. Atendimento humanizado, ética e compromisso

É um período de turbulência onde as ferramentas de comunicação habituais se mostram insuficientes, mas há um desejo mútuo de encontrar novas formas de estar junto. Já o padrão crônico de disfunção se manifesta quando o casal está preso em um ciclo repetitivo de brigas, silêncios ou ressentimentos, onde a energia é gasta na manutenção do problema, e não na busca por uma solução. Nesse caso, a crise não é um evento, mas o próprio modus operandi da relação.

A Crise como Sinal de Crescimento (Funcional)

Neste cenário, o casal ainda consegue, mesmo em meio ao conflito, reconhecer a perspectiva do outro. O foco da discussão é o problema (o que está acontecendo), e não a pessoa (quem está errado). Há uma sensação de que, apesar da dor, o casal está se movendo em direção a um novo patamar de intimidade e honestidade. O conflito é intenso, mas o contato entre os parceiros permanece. Eles podem brigar sobre a louça, mas no fundo, estão brigando por um novo acordo de convivência.

O Padrão de Repetição e Bloqueio (Disfuncional)

Aqui, o casal vive o que na Gestalt-terapia chamamos de fixação. O mesmo argumento, a mesma mágoa, o mesmo silêncio se repetem indefinidamente, como um disco riscado. A comunicação é marcada por interrupções e projeções, onde cada um vê no outro apenas o que teme em si mesmo. O objetivo não é resolver, mas provar o próprio ponto, resultando em um afastamento onde o contato genuíno é evitado. A energia que deveria ser usada para o crescimento é drenada pela repetição estéril.

A Abordagem da Gestalt-terapia

A Gestalt-terapia entende o casal não como duas entidades separadas, mas como um campo relacional único. O foco não está em quem está certo ou errado, mas no processo de como o casal interrompe o seu contato e a sua capacidade de estar plenamente no presente. O terapeuta Gestaltista atua como um facilitador para que o casal se torne consciente de seus padrões de evitação e de suas “figuras inacabadas” aquelas necessidades e emoções não resolvidas que se projetam no parceiro.

O trabalho se concentra no aqui e agora. Ao invés de analisar o passado, o terapeuta convida o casal a vivenciar o conflito na sessão, observando como eles se comunicam, como se interrompem e como evitam o contato autêntico. O objetivo é que o casal recupere a responsabilidade por suas escolhas e encontre novas formas criativas de se ajustar à realidade, permitindo que a relação flua e se transforme, em vez de estagnar.

Sinais de Alerta: Quando Buscar Ajuda Profissional

Se o seu relacionamento se assemelha mais ao padrão de repetição e bloqueio do que à crise funcional, é um sinal claro de que a ajuda profissional é necessária.

•O Silêncio se Torna a Regra: Um ou ambos os parceiros evitam conversas importantes por medo de brigar, resultando em um distanciamento emocional.

•A Repetição do Conflito: As brigas são sempre sobre os mesmos temas, sem que haja qualquer resolução ou aprendizado.

•Ressentimento Crônico: Um dos parceiros (ou ambos) vive em um estado constante de mágoa e injustiça, sem conseguir perdoar ou seguir em frente.

•Perda de Contato Genuíno: O casal não consegue mais compartilhar vulnerabilidades, sonhos ou medos, vivendo como “colegas de quarto” ou “sócios”.

•Projeção Constante: A culpa é sempre colocada no outro, e há uma dificuldade em reconhecer a própria contribuição para o problema.

A terapia de casal não é um atestado de falência, mas um investimento na saúde e na qualidade do vínculo. É o ato de coragem de dizer: “Não estamos conseguindo fazer isso sozinhos, mas queremos muito continuar juntos (ou, se for o caso, nos separar de forma saudável)”.

O objetivo da terapia não é fazer com que o casal volte a ser o que era, mas sim ajudá-los a descobrir o que eles podem ser agora, com a bagagem e a história que construíram. A relação é como um rio: se a água não flui, ela apodrece. A terapia é o processo de desobstruir o leito para que a vida possa seguir seu curso.

Este texto tem caráter informativo e não substitui acompanhamento psicológico. Cada relacionamento é único, e o cuidado adequado passa por uma escuta qualificada e individualizada.

Psicóloga Daniela Carneiro

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