Casamento
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Casamento

Entender o casamento hoje exige um olhar que vai além do “felizes para sempre”. Vivemos em uma era de transição, onde os modelos tradicionais de união se encontram com novas necessidades de autonomia e realização pessoal.

Abaixo, apresento uma reflexão sobre como as relações evoluíram, os desafios de equilibrar o “eu” com o “nós” e por que, apesar de todas as estatísticas de divórcio, a busca por uma conexão profunda e duradoura continua sendo uma das maiores motivações humanas.

psicóloga Daniela Carneiro

Terapia de Casal Online e Presencial

Psicóloga com mais de 20 anos de experiência, especialista em relacionamento amoroso. Atendimento humanizado, ética e compromisso

O Desafio de Amar e Permanecer: Por que ainda escolhemos o casamento?

As estatísticas nem sempre são animadoras. Desde o final do século passado, os números mostram que o divórcio deixou de ser um tabu para se tornar uma realidade comum. No Brasil e no mundo, a proporção de separações cresceu drasticamente. No entanto, curiosamente, o desejo de “subir ao altar” (ou simplesmente dividir a vida) não diminuiu.

Por que continuamos insistindo? A resposta é uma mistura complexa entre nossa biologia e nosso psicológico. Existe em nós uma espécie de “otimismo incurável”: tendemos a acreditar que, embora os outros se separem, o nosso amor será a exceção. Casamos acreditando no “para sempre”, movidos por uma necessidade humana profunda de conexão.

As Motivações Invisíveis

Muitas vezes, ao perguntarmos a um casal por que decidiram oficializar a união, a resposta “porque nos amamos” esconde motivações mais sutis:

  • O medo do vazio: A busca por um antídoto contra a solidão.
  • Segurança e Lar: O desejo de construir um refúgio de estabilidade em um mundo caótico.
  • Pressão Social: A sensação de que “chegou a hora” porque todos ao redor estão seguindo esse caminho.

O problema é que motivações baseadas apenas no medo ou na conveniência costumam ter fôlego curto. Hoje, sabemos que a manutenção de um relacionamento exige mais do que “juras eternas”; exige afinidade real de personalidade.

Do “Amélia” ao Compartilhamento Real

O modelo de casamento mudou. Saímos de uma estrutura rígida de papéis — onde o homem era o provedor e a mulher a cuidadora obediente — para uma busca por parceria. No cenário atual:

  1. A vida financeira é conjunta: As despesas são divididas, assim como as conquistas.
  2. A criação é compartilhada: Pais e mães buscam estar presentes de forma equilibrada na vida dos filhos.
  3. O prazer é bilateral: A sexualidade deixou de ser uma “obrigação” para se tornar um pilar de satisfação mútua. Se o sexo não vai bem para ambos, o relacionamento sente o impacto.

Individualidade vs. Conjugalidade: O Equilíbrio Delicado

Casar é o exercício de conjugar dois mundos. É o desafio de pegar duas histórias, dois projetos de vida e duas identidades e transformá-los em algo novo, sem anular quem cada um é.

Há quem defenda que preservar o “espaço individual” ao extremo é o segredo, mas a prática clínica nos mostra que o excesso de autonomia pode gerar distanciamento. Para um casamento ser duradouro, é preciso que um conheça e se interesse verdadeiramente pelo mundo do outro — seus medos, sonhos e conflitos. Como dizia o psicanalista Flávio Gikovate, é impossível conviver intimamente com quem não compartilha dos nossos valores e interesses fundamentais.

Quando a Crise Bate à Porta

Relacionamentos não vivem em uma bolha. Eles são afetados pelo desemprego, pelo estresse, pela saúde dos filhos e até por questões fisiológicas.

Diferenças na forma de sentir o mundo também pesam. Enquanto a sensibilidade feminina muitas vezes é alimentada pelo afeto contínuo e pela cumplicidade (o desejo que começa no café da manhã), a sexualidade masculina pode ser mais visual e direta. Entender essas nuances biológicas e psicológicas — a forma como nosso cérebro processa o amor e o desejo — é o primeiro passo para evitar mal-entendidos que corroem a união.

O Papel da Terapia

Viver a dois é uma arte que exige autoconhecimento. A crise do casal quase sempre é o reflexo de crises individuais não resolvidas. Afinal, quem está bem consigo mesmo tem muito mais recursos para cuidar do outro.

Seja no modelo tradicional ou em novas formas de conviver, o que define o sucesso de uma união é a clareza. Saber o que vocês significam um para o outro e estar disposto a reconstruir essa memória comum todos os dias é o que mantém o “viva o casamento” mais atual do que nunca.

Precisa de ajuda para entender os novos caminhos do seu relacionamento? Ofereço Terapia de Casal (Online e Presencial) com foco em um atendimento humano, ético e especializado em vínculos amorosos.

Psicóloga Daniela Carneiro

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