Ciúmes
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O que é Ciúmes?

Ciúme Patológico: Onde termina o amor e começa a obsessão? Vamos entender do que se trata o ciúmes e o ciúmes patológico.

O ciúme é uma emoção universal, mas a linha que divide a imaginação, a fantasia e a certeza delirante pode ser extremamente tênue. No Ciúme Patológico, as dúvidas não são meras inseguranças; elas se transformam em ideias supervalorizadas que aprisionam tanto quem sente quanto quem é o objeto da desconfiança.

psicóloga Daniela Carneiro

Terapia de Casal Online e Presencial

Psicóloga com mais de 20 anos de experiência, especialista em relacionamento amoroso. Atendimento humanizado, ética e compromisso

1. A Psicopatologia do Ciúme: Entenda a Diferença

Nem todo ciúme é igual. Na psicologia e psiquiatria, classificamos o ciúme de acordo com a natureza do pensamento:

Ideias Obsessivas (O “Ciúme TOC”)

O indivíduo reconhece que seus pensamentos são exagerados ou irracionais (ego distônicos), mas não consegue pará-los. Para aliviar a ansiedade, ele cria rituais de verificação (olhar o celular, cheirar roupas). Aqui, há muito sofrimento e culpa.

Ideias Prevalentes (Supervalorizadas)

São pensamentos que dominam a vida da pessoa. Ela acredita ter motivos reais para desconfiar, baseando-se em eventos triviais que ela “valoriza” demais. A crítica sobre o absurdo da situação é menor do que no TOC.

Ideias Delirantes (Psicose/Síndrome de Otelo)

É a forma mais grave. O ciumento tem uma certeza absoluta da traição, sem qualquer prova. Ele interpreta fatos irrelevantes (como uma lâmpada que pisca ou a cor de uma camisa) como mensagens secretas do parceiro para o amante. Não adianta usar a lógica; o delírio é inabalável.


2. A Neurobiologia e o Comportamento Compulsivo

Por que o ciumento verifica o celular, mesmo sabendo que isso vai causar briga?

  • O Ciclo da Ansiedade: A dúvida gera um pico de cortisol (estresse). A verificação (compulsão) traz um alívio temporário (queda da ansiedade).
  • O Vício na Dúvida: Esse alívio rápido vicia o cérebro, fazendo com que a pessoa repita o comportamento cada vez mais, tornando-se o que chamamos de “verificação compulsória”.

Casos Clínicos Célebres (O Absurdo como Sintoma)

A literatura médica registra casos onde a patologia rompe qualquer limite do bom senso:

  • Marcação Corporal: Pacientes que assinam ou marcam o corpo do parceiro para conferir se houve contato físico externo.
  • Inquisição de Dejetos: Casos de pacientes que vasculham o lixo ou até fezes em busca de provas de bilhetes destruídos.
  • Investigação Financeira: O monitoramento obsessivo de centavos em faturas de cartão em busca de “gastos suspeitos”.

3. Causas e Fatores de Risco

O Ciúme Patológico raramente nasce do nada. Ele é o resultado de uma combinação de fatores:

  1. Baixa Autoestima e Insegurança: O indivíduo não se sente “digno” do amor do outro e vive esperando ser substituído por alguém melhor.
  2. Traumas de Infância: Experiências de abandono ou ter presenciado traições entre os pais.
  3. Uso de Substâncias: O álcool é o maior gatilho para o ciúme delirante, pois reduz a inibição e distorce a percepção da realidade.
  4. Transtornos de Personalidade: Personalidades paranóides ou limítrofes (borderline) têm maior propensão ao controle.

4. O Ciclo Destrutivo no Casal

O comportamento do ciumento cria uma profecia autorrealizável:

  • O ciumento pressiona e vigia.
  • O parceiro, para evitar brigas, começa a omitir fatos inocentes (ex: não conta que encontrou um amigo no mercado).
  • O ciumento descobre a omissão e a interpreta como prova de traição.
  • A confiança é destruída por ambos os lados.

5. Diagnóstico e Tratamento: Como Sair do Ciclo?

O diagnóstico deve ser feito por um profissional (Psicólogo ou Psiquiatra) para identificar se o ciúme é um sintoma secundário de outra doença (como Depressão ou Esquizofrenia).

Abordagens Terapêuticas:

  • Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): Foca em desafiar os pensamentos automáticos e interromper os rituais de verificação.
  • Terapia de Casal: Essencial para reconstruir as bases da comunicação e estabelecer novos limites de privacidade e transparência.
  • Tratamento Medicamentoso: Em casos de TOC ou delírios, o uso de antidepressivos ou antipsicóticos sob supervisão médica pode ser necessário para reduzir a intensidade dos pensamentos.

Conclusão

O ciúme patológico não é uma prova de amor, mas uma evidência de insegurança e adoecimento mental. Ele retira a liberdade de ambos os parceiros e transforma o lar em um tribunal permanente. O tratamento é possível e permite que o indivíduo volte a amar sem a necessidade de controlar.

Psicóloga Daniela Carneiro Especialista em Relacionamentos e Saúde Mental


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