O que é Ciúmes?
Ciúme Patológico: Onde termina o amor e começa a obsessão? Vamos entender do que se trata o ciúmes e o ciúmes patológico.
O ciúme é uma emoção universal, mas a linha que divide a imaginação, a fantasia e a certeza delirante pode ser extremamente tênue. No Ciúme Patológico, as dúvidas não são meras inseguranças; elas se transformam em ideias supervalorizadas que aprisionam tanto quem sente quanto quem é o objeto da desconfiança.

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1. A Psicopatologia do Ciúme: Entenda a Diferença
Nem todo ciúme é igual. Na psicologia e psiquiatria, classificamos o ciúme de acordo com a natureza do pensamento:
Ideias Obsessivas (O “Ciúme TOC”)
O indivíduo reconhece que seus pensamentos são exagerados ou irracionais (ego distônicos), mas não consegue pará-los. Para aliviar a ansiedade, ele cria rituais de verificação (olhar o celular, cheirar roupas). Aqui, há muito sofrimento e culpa.
Ideias Prevalentes (Supervalorizadas)
São pensamentos que dominam a vida da pessoa. Ela acredita ter motivos reais para desconfiar, baseando-se em eventos triviais que ela “valoriza” demais. A crítica sobre o absurdo da situação é menor do que no TOC.
Ideias Delirantes (Psicose/Síndrome de Otelo)
É a forma mais grave. O ciumento tem uma certeza absoluta da traição, sem qualquer prova. Ele interpreta fatos irrelevantes (como uma lâmpada que pisca ou a cor de uma camisa) como mensagens secretas do parceiro para o amante. Não adianta usar a lógica; o delírio é inabalável.
2. A Neurobiologia e o Comportamento Compulsivo
Por que o ciumento verifica o celular, mesmo sabendo que isso vai causar briga?
- O Ciclo da Ansiedade: A dúvida gera um pico de cortisol (estresse). A verificação (compulsão) traz um alívio temporário (queda da ansiedade).
- O Vício na Dúvida: Esse alívio rápido vicia o cérebro, fazendo com que a pessoa repita o comportamento cada vez mais, tornando-se o que chamamos de “verificação compulsória”.
Casos Clínicos Célebres (O Absurdo como Sintoma)
A literatura médica registra casos onde a patologia rompe qualquer limite do bom senso:
- Marcação Corporal: Pacientes que assinam ou marcam o corpo do parceiro para conferir se houve contato físico externo.
- Inquisição de Dejetos: Casos de pacientes que vasculham o lixo ou até fezes em busca de provas de bilhetes destruídos.
- Investigação Financeira: O monitoramento obsessivo de centavos em faturas de cartão em busca de “gastos suspeitos”.
3. Causas e Fatores de Risco
O Ciúme Patológico raramente nasce do nada. Ele é o resultado de uma combinação de fatores:
- Baixa Autoestima e Insegurança: O indivíduo não se sente “digno” do amor do outro e vive esperando ser substituído por alguém melhor.
- Traumas de Infância: Experiências de abandono ou ter presenciado traições entre os pais.
- Uso de Substâncias: O álcool é o maior gatilho para o ciúme delirante, pois reduz a inibição e distorce a percepção da realidade.
- Transtornos de Personalidade: Personalidades paranóides ou limítrofes (borderline) têm maior propensão ao controle.
4. O Ciclo Destrutivo no Casal
O comportamento do ciumento cria uma profecia autorrealizável:
- O ciumento pressiona e vigia.
- O parceiro, para evitar brigas, começa a omitir fatos inocentes (ex: não conta que encontrou um amigo no mercado).
- O ciumento descobre a omissão e a interpreta como prova de traição.
- A confiança é destruída por ambos os lados.
5. Diagnóstico e Tratamento: Como Sair do Ciclo?
O diagnóstico deve ser feito por um profissional (Psicólogo ou Psiquiatra) para identificar se o ciúme é um sintoma secundário de outra doença (como Depressão ou Esquizofrenia).
Abordagens Terapêuticas:
- Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): Foca em desafiar os pensamentos automáticos e interromper os rituais de verificação.
- Terapia de Casal: Essencial para reconstruir as bases da comunicação e estabelecer novos limites de privacidade e transparência.
- Tratamento Medicamentoso: Em casos de TOC ou delírios, o uso de antidepressivos ou antipsicóticos sob supervisão médica pode ser necessário para reduzir a intensidade dos pensamentos.
Conclusão
O ciúme patológico não é uma prova de amor, mas uma evidência de insegurança e adoecimento mental. Ele retira a liberdade de ambos os parceiros e transforma o lar em um tribunal permanente. O tratamento é possível e permite que o indivíduo volte a amar sem a necessidade de controlar.
Psicóloga Daniela Carneiro Especialista em Relacionamentos e Saúde Mental









