Categoria: Ajuda emocional

Terapia de casal pode ajudar

Terapia de casal pode ajudar

Terapia de casal pode ajudar

Descubram se vocês precisam de Terapia de casal | As 5 perguntas – Vocês precisam fazer Terapia de Casal?

A Terapia de casal pode ajudar e poderá se fazer necessária quando ambos estão concluindo que sozinhos ficará muito difícil um diálogo tranquilo.

Eu tenho observado em minha experiência como psicóloga de casais, que as pessoas que passam por crises ou monotonia no casamento ou namoro muitas vezes apresentam forte dificuldade para um diálogo franco e honesto.

Geralmente quando tentam conversar sobre o problema emocional que os afligem, as brigas surgem como impecílio para qualquer mudança.

Fadados a esta condição estressante e sem sentido, os casais muitas vezes precisam da mediação de um psicólogo especialista em relacionamento para ajudá-los a entender o que de fato prejudica a relação amorosa. Leia também : Como melhorar o relacionamento amoroso

A terapia de casal pode ser muito válida, para descobrirem juntos os pontos fracos e fortes do relacionamento. A partir deste ponto é possível avaliarem com mais tranquilidade o que se perdeu no decorrer do caminho.

A terapia conjugal pode ajudar o casal retornar à harmonia que um dia tiveram, abrindo a possibilidade enfrentarem seus problemas (atuais e futuros) de forma ativa, sem que as suas próprias defesas psíquicas tragam prejuízos à relação. Também pode servir para mostrar que este é realmente o momento em que a relação amorosa chegou ao fim.

 

Mas como saber se é a hora certa de iniciar a terapia de casal?

 

Atualmente muitos relacionamentos terminam antes mesmo de seus integrantes tentarem melhorar seu convívio e a própria qualidade de vida, como se o relacionamento já estivesse fadado ao término desde seu início.

A vantagem da terapia de casal é obter a certeza que tentaram tudo o que podiam para salvar o casamento ou o namoro sem que desistissem e abandonassem todas as possibilidades de resgate.  E desta forma sentirem-se mais seguros quanto a decisões futuras.

 

As 5 perguntas para você se fazer e obter a resposta

 

#1 – Como está a comunicação no meu relacionamento?

 

Muitas vezes a comunicação entre os casais está prejudicada porque os ambos evitam os conflitos, fingem para si mesmos e para o outro que os problemas não existem. É necessário que tanto um como o outro observe os comportamentos que estão sendo negativos e prejudiciais, criar uma atmosfera de confiança e proximidade. O acolhimento e a escuta depende muito da percepção que você tem de si e tem dos outros.

 

#2 Quais sentimentos o parceiro (a) desperta em mim?

 

Muitas vezes o relacionamento já está tão desgastado, que os sentimentos positivos do início do namoro passam a ser muito negativo. Uma espécie de birra do outro, implicância e a falta de interesse sexual.

Este pode ser um momento delicado na vida do casal, porque ainda existe também o desejo de estar junto e não querer a separação. Será que não é a hora de buscar ajuda de um psicólogo? Iniciarem uma terapia de casal pode ser a melhor forma de compreender este emaranhado de sentimentos.

 

#3 Qual o significado do namoro ou casamento para mim?

 

Com o passar do tempo o relacionamento amoroso pode passar por várias fases, as mudanças de objetivos vão se modificando assim como a percepção das vivências.

Com isto em mente, se faz necessário questionar-se sobre o significado do seu relacionamento no momento presente, que sentido você atribui a ele? Por que continuar ou não em um relacionamento com esta pessoa?

Estes questionamentos podem servir para auxiliar nas decisões futuras, independente de quais sejam. Por isso é necessário uma boa reflexão a cerca das respostas.

 

#4 Eu realmente quero estar neste relacionamento?

 

Ser capaz de fazer este tipo de reflexão ajuda você a encontrar as próprias motivações para estar neste relacionamento. Um casamento ou namoro difícil pode acobertar uma série de informações importantes a cerca dos próprios sentimentos e interesses. O verdadeiro desejo para estar com aquela pessoa e exercitar um papel que você mesmo (a) se propõe a viver.

Com o tempo e com os desgastes naturais, a motivação inicial de continuar na relação pode deixar de existir, fazendo com que os integrantes deixem de abrir mão de certas coisas, que são naturais em um relacionamento, causando cada vez mais conflitos. Neste caso, questionamentos como: Eu quero estar nesta relação? O que eu desejo desta relação? E o que eu posso fazer para melhorá-la?

 

#5 Eu quero que o meu relacionamento amoroso funcione e perdure?

 

Esta pode ser a questão principal a se fazer a respeito do relacionamento. Algumas pessoas podem alegar amar muito seus parceiros, mas no fundo, independente dos motivos, podem desejar que a relação não dê certo, desejando secretamente que ela acabe – ou até influenciando ativamente para isto ocorrer. Não adianta tentar melhorar a relação, quando na verdade não queremos que isto ocorra. Por isso, é preciso perceber os desejos de continuar verdadeiramente com a relação ou não.

Caso você tenha mais respostas negativas do que respostas positivas para estas questões e/ou esteja até mesmo pensando em terminar seu relacionamento, a terapia de casal pode ser útil. Em alguns casos somente um dos integrantes pode estar insatisfeito com a relação e a terapia pode fazer com que ambos (até o quem estava satisfeito), se desenvolvam em prol da relação. Caso você perceba que o parceiro é quem está insatisfeito, você também pode propor a terapia para ele.

Lembrando que a terapia de casal não serve somente para quem está casado formalmente, ela serve para qualquer tipo de relacionamento, contando apenas com a premissa de que a relação esteja passando por momentos de dificuldade e que seus integrantes estejam dispostos a trabalhar a favor dela.

Leia também:  Dificuldades com Relacionamento Amoroso

Ajuda para casal | Melhorar o Relacionamento Amoroso | Terapia de Casal

Vergonha de fazer Terapia de Casal

 

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dependente afetivo e emocional

Dependente afetivo, você pode ser um?

Como funciona um dependente afetivo nas relações humanas?

O dependente afetivo sofre um conflito muito grande. Busca uma satisfação de seu desejo e ao mesmo tempo se protege do medo e insegurança causada por suas angústias.

Eu sou um dependente afetivo?

A dependência afetiva é consequência de diversos fatores comportamentais, psicológicos e hereditários, não podemos especificar um único motivo para justificar este comportamento.
Naturalmente imaginamos que uma pessoa dependente afetivo ou dependente emocional sofre muito porque vive um eterno conflito entre ajudar o outro, ser aprovado o tempo todo, não errar, se sentir sempre aceita, evitar ao máximo qualquer situação onde possa se sentir rejeitada. E mesmo demonstrando por alguns segundos o sentimento de raiva ou desgosto, retorna ao ponto original de submissão, arrependida de tal atitude.

Características de um dependente afetivo

• Sente enorme desconforto em quando estão sozinhos.
• Dificuldades em tomar decisões.
• Dificuldade para discordar do outro.
• Não conseguem iniciar projetos por medo da desaprovação.
• Quando seus relacionamentos amorosos terminam, dificilmente aceitam a separação ou não sossegam ate encontrar outra pessoa.
• O medo de ficar sozinho tira o sono.
• São capazes de loucuras para não perderem a companhia.

Sintomas de mulheres e homens que amam demais e demonstram serem dependentes afetivos.

• Desejam exageradamente ter um parceiro (a).
• O término de um relacionamento é um trauma.
• Não sossegam até encontrar um novo parceiro ou parceira.
• Esquece os elogios que recebem e supervalorizam as críticas.
• A vida é baseada exclusivamente em fatores externos.
• Passa a vida esperando pelo homem ou a mulher dos sonhos. Têm picos depressivos, ira, culpa e ressentimentos.
• Ataques de violência contra si e contra os outros.
• Sente ódio de si mesmo (a) e consegue justificá-los.

O psicólogo trabalha os seguintes conceitos:

1) Assumir a dependência

O primeiro passo para qualquer dependente afetivo é assumir a dependência emocional.

Dessa forma, fica mais fácil aderir ao tratamento.

2) Identificação das qualidades

Aqui o psicólogo resgata as conquistas do paciente.

O dependente enxerga suas qualidades.

Este encontro promove a autoestima.

As limitações começam a ser vistas como pontos a melhorar e não como uma sentença do destino.

3) Assumir as rédeas da vida

O paciente toma para si o controle da sua vida.

Assume responsabilidades pelos seus atos.

Aprender a falar NÃO e encerrar comportamentos destrutivos.

A pessoa trilha um caminho e o segue com a cabeça erguida.

4) Consciência da personalidade e fazer novas amizades e contatos
Cada indivíduo possui uma personalidade.

Algumas pessoas são mais expansivas.

Outras são mais introspectivas.

Dentro dessas variantes, os relacionamentos possuem nuances distintas. Não importa o número de amigos, nem de namorados. Ou se é extrovertido ou tímido. Cultivar uma rede de relacionamentos é importante para a saúde mental e física.

5) Estabeleça metas
Estabelecer metas para a vida.

Objetivos em curto prazo que seja prazeroso e saudável.
Exercícios físicos, viagens, adquirir novos conhecimentos um hobby e fazer novos amigos. E fazer o bem, se sentindo útil e generoso.

6) Desintoxicação

Aqui, a pessoa aprende a viver a própria vida.

Conversar com alguém de fora ajuda a clarear as ideias.

O profissional resgata as pendências que tornaram o indivíduo um dependente afetivo. Neste processo, o paciente descobre suas qualidades, aprende a superar as limitações e cuidar das feridas.

A pessoa interrompe comportamentos destrutivos e impede abusos de pessoas manipuladoras.

É difícil encontrar quem não tenha expectativas irreais sobre o outro. Mesmo quem não apresenta os sintomas citados, vez ou outra espera por pessoas mágicas que as livrará de todo o mal.

Podemos nos decepcionar por não sermos correspondidos. Não tem nada de errado querer ter amigos ou viver relacionamentos amorosos. Redes de relacionamentos como já disseram é ótimo para a saúde psicológica e física. Entretanto, cada um é responsável pela sua felicidade.

Não implore por amizade. Não se rasteje por amor. Nenhum ser humano merece se humilhar para não ficar sozinho.

Não nascemos para viver na sombra de ninguém. Vivemos para aprendermos com as experiências sejam elas boas ou ruins. Amizades e relacionamentos amorosos oferecem a oportunidade de crescimento emocional quando percebemos que somos um separado e temos nossa essência.
A troca afetiva é valiosa em todas as relações saudáveis e harmoniosas. Quando a soma e o investimento equilibrado nas relações humanas forem os principais objetivos de sua vida fica mais fácil contornar os conflitos e as dificuldades que sempre existirão nos relacionamentos.
E o grande aprendizado da nossa existência é aprender a lidar com o que é diferente, não acham?

Psicóloga Daniela Carneiro

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O nascimento do herói – Estrutura psicológica da criança

O nascimento do herói – Estrutura psicológica da criança

Um texto interessante, “O nascimento do herói”, ou seja, o início da vida humana e a diferença entre nascer efetivamente como ser biológico e o nascimento da estrutura psicológica. A importância do papel da mãe na construção do ego e na representatividade de si mesmo, reverenciada por oferecer o aspecto continente que acolhe e nutre.

O sofrimento emocional: angústias, medos, desamparo, raiva, entre outros, relacionadas a circunstancias da vida levam o indivíduo a buscar dentro de si mesmo condições psicológicas para lidar com as frustrações. Conhecer a si mesmo e descobrir a maneira saudável de enfrentar as dificuldades.

O texto da Psicóloga Mara nos explica os primórdios de um processo de desenvolvimento psicológico muito importante onde se fundamenta toda a estrutura de personalidade do ser humano

O Nascimento do Herói 

O ato de nascer implica no sentido de começar, de iniciar, de ser o princípio da vida, de um ser, de uma ideia. Antes de vir à luz, tudo o que nasce passa por um processo que, na maioria das vezes, é imperceptível, que se dá nos recônditos de um ovo, de um ventre materno ou psíquico, nas profundezas da alma.

No passado, imaginava-se que o meio ambiente do útero materno era confinado e monótono, que o feto era completamente passivo e dependente. Pesquisas mais recentes e o desenvolvimento tecnológico demonstraram que o que se acreditava ser um mundo sem atritos, sem sensações e estímulos é na verdade um lugar rico em experiências pré-natais. O feto se movimenta, dorme e acorda, reage a estímulos, pode perceber diversos sons como o da voz da mãe, o do sangue dela correndo pelas artérias, o dos batimentos de seu coração e aqueles produzidos pela digestão, entre outras atividades. Imerso no líquido amniótico, o bebê cresce contido e protegido no abdômen da mãe. Assim, compartilham durante os meses de gestação muito mais do que a ligação mantida pelo cordão umbilical. E quando esse é cortado, na hora do nascimento, apenas a ligação física do bebê com a mãe é rompida. Diferentemente dos animais irracionais, o humano nasce imaturo e continua dependente e desprotegido. Trata-se de um processo que se inicia no ventre materno, mas continua fora dele no pós-natal.

É possível, então, concluir que o nascimento biológico do bebê humano e o nascimento psicológico do indivíduo não são coincidentes no tempo, não acontecem simultaneamente, e a criança permanece psicologicamente fundida com a mãe vários meses após o nascimento. Essa separação só ocorrerá quando o ego da criança estiver formado. Pode-se, simbolicamente, dizer que o ego também nasce, o que se dá por um processo, enquanto que o nascimento do homem corresponde a um momento. A mãe fornece um continente para o ego em desenvolvimento do filho, da mesma forma como antes tinha fornecido em seu corpo um continente para seu corpo em desenvolvimento.

A criança fica aí totalmente imersa, mantendo com a mãe uma relação que já dispensa o cordão umbilical, mas em que essa última continua fazendo papel de intermediária entre ela e o mundo. Nessa fase, o papel da mãe é o de, na medida do possível, não deixar que as experiências negativas, naturais do cotidiano de qualquer ser humano, predominem – fome, frio, dor, raiva, por exemplo – levando a criança a desenvolver assim a capacidade de tolerar a frustração e adiar a satisfação das necessidades. O atendimento da mãe à criança vai organizando as mamadas, o período de sono, o de vigília, vai impondo um ritmo. Dá o conforto desejado, assim que possível, e ensina a tolerar o adiamento da gratificação. Esse processo nos humaniza e, com o passar do tempo, a criança passa a ser dotada de um ego.
Nos contos de fada, o herói corresponde ao ego, e o processo que corresponde a seu estabelecimento, pode ser visto como o início de sua saga.

O nascimento do herói – Estrutura psicológica da criança

Mara Regina Augusto – CRP 06/17120,

Psicóloga pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – 35 anos de experiência.

Pós Graduação (Lato Sensu) em Psicologia Analítica – Universidade São Marcos

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL

Centro de Convivência Infantil da Secretaria do Governo
Período: de março de 1984 a junho de 1985
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Vara da Infância e Juventude do Foro Regional Jabaquara
Psicóloga Judiciária/Psicóloga Judiciária Chefe
Período: de junho de 1985 a junho de 2014(aposentada)
Psicóloga Voluntária na empresa Instituto Pró-Cidadania-IPC
Psicóloga Voluntária do GAASP
Palestrante do Grupo de Apoio e Orientação à Adoção “Conta de Novo”, do GAASP – Grupo de Apoio a Adoção de São Paulo e dos Encontros Prepatórios de Adoção da Vara da Infância e Juventude do Foro Regional Jabaquara.

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Fobia

Fobia: Você tem medo exagerado?

         O que é Fobia?

A fobia é um medo persistente e irracional de um determinado objeto, animal, atividade ou situação que represente pouco ou nenhum perigo real, mas que, mesmo assim, provoca ansiedade extrema.

Fobia nem sempre é uma doença em si. Pode ser um sintoma de outra causa subjacente – geralmente um transtorno mental. De qualquer forma, o medo sentido por pessoas que têm fobia é completamente diferente da ansiedade que é natural dos seres humanos. O medo, por si só, é uma reação psicológica e fisiológica perfeitamente que surge em resposta a uma possível ameaça ou situação de perigo. Já a fobia não segue uma lógica propriamente dita, e a ansiedade nesses casos é incoerente com o perigo real que aquilo representa.

A fobia costuma ser de longa duração, provoca intensas reações físicas e psicológicas e pode comprometer seriamente a qualidade de vida de quem a tem.

Tipos

Existem diversos tipos de fobias, que vão desde o medo intenso de situações sociais (fobia social), de lugares cheios de pessoas (agorafobia) até o medo de animais, objetos ou situações específicas (fobia simples).

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais, a fobia simples pode ser dividida em, pelo menos, cinco categorias:

  • Animais (aranhas, cobras, sapos, etc.)
  • Aspectos do ambiente natural (trovoadas, terremotos, etc.)
  • Sangue, injeções ou feridas
  • Situações (alturas, andar de avião, elevador ou metrô, etc.)
  • Outros tipos (medo de vomitar, contrair uma doença, etc.).

Causas

A causa de muitas fobias ainda é desconhecida pelos médicos. Apesar disso, há fortes indícios de que a fobia de muitas pessoas possa estar relacionada ao histórico familiar, levando a crer que fatores genéticos possam representar um papel importante na origem do medo persistente e irracional.

No entanto, sabe-se também que as fobias podem ter uma ligação bastante direta com traumas e situações passadas. Isso acontece porque a maioria dos problemas emocionais e comportamentais é desencadeada por dificuldades que uma pessoa enfrentou ao longo da vida. Todas as pessoas passam por momentos difíceis, mas algumas delas podem desenvolver, com o tempo, sentimentos de angústia que podem evoluir para um quadro de fobia.

Fatores de risco

Apesar de as causas de uma fobia não estarem totalmente esclarecidas, os médicos e psiquiatras acreditam que uma série de fatores possa estar envolvida. Veja:

Idade

Alguns tipos de fobia se desenvolvem cedo, geralmente na infância. Outras podem ocorrer durante a adolescência e há aquelas que também podem surgir no início da vida adulta, até por volta dos 35 anos de idade.

Histórico familiar

Se alguém de sua família tiver algum tipo fobia, você tem mais chances de desenvolvê-la também. Esta poderia ser uma tendência hereditária, mas especialistas suspeitam que crianças sejam capazes de aprender e adquirir fobia somente observando as reações de uma pessoa próxima, da mesma família, a alguma situação de pouco ou nenhum perigo.

Temperamento

O risco de se desenvolver uma fobia específica pode aumentar se você tiver temperamento difícil, for sensível e tiver um comportamento mais inibido e retraído do que o normal.

Evento traumático

Passar por uma situação traumática ou por uma série de eventos traumáticos ao longo da vida podem levar ao desenvolvimento de uma fobia.

Sintomas de Fobia

Os sinais e sintomas dependem muito do tipo de fobia que você tem. No entanto, independentemente do tipo, algumas características são notadas em todos os indivíduos que apresentam fobias:

  • Sentimento de pânico incontrolável, terror ou temor em relação a uma situação de pouco ou nenhum perigo real
  • Sensação de que você deve fazer todo o possível para evitar uma situação, algo ou alguém que você teme
  • Incapacidade de levar sua vida normalmente por causa de um medo ilógico
  • Presença e aparecimento de algumas reações físicas e psicológicas, como sudorese, taquicardiadificuldade para respirar, sensação de pânico e ansiedade intensos, etc
  • Saber que o medo que sente é irracional e exagerado, mas mesmo assim não ter capacidade para controlá-lo.

Buscando ajuda

Caso você ou alguém que você conheça está apresentando algum tipo de medo irracional, ilógico ou desproporcional a alguma situação, procure ajuda psicológica para tratar deste medo. Principalmente se o medo sentido estiver comprometendo gravemente a qualidade de vida e estiver prejudicando o desempenho no trabalho, nos estudos e nos relacionamentos.

Na consulta psicológica

Qualquer psicólogo pode diagnosticar uma fobia.

Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:

  • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
  • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade.

O psicólogo provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:

  • Quando o medo persistente por determinada situação, algo ou alguém começou?
  • O medo cresceu com o passar do tempo?
  • Você considera seu medo ilógico, irracional ou desproporcional?
  • O que as outras pessoas já lhe disseram sobre o medo que você sente?
  • O que te faz ter medo?
  • Você apresenta outros sintomas quando sente medo? Quais?
  • Qual a intensidade destes sintomas?
  • Você sente que o medo está comprometendo sua qualidade de vida? Em que sentido?
  • Você foi diagnosticado com alguma condição de saúde mental? Qual?
  • Você tem outros sintomas que possam ser considerados ilógicos, exagerados e também desproporcionais?
  • Você tem algum parente próximo que sofra de alguma fobia?
  • Você já procurou ajuda médica antes?

Diagnóstico de Fobia

Não existem exames laboratoriais capazes de diagnosticar uma fobia. O diagnóstico, em vez disso, é baseado em uma entrevista clínica minuciosa. A avaliação final do especialista seguirá algumas diretrizes diagnósticas.

Os critérios de diagnóstico variam muito de acordo com o tipo de fobia.

Tratamento de Fobia

O tratamento para a fobia tem como objetivo reduzir a ansiedade e o medo provocados por motivo ilógico, irracional e exagerado, ajudando no gerenciamento das reações físicas e psicológicas decorrentes deste medo.

Há três diferentes tipos de abordagem que podem ser seguidos pelos especialistas e pacientes: a psicoterapia, o uso de medicamentos específicos ou, ainda, a união de ambos.

Betabloqueadores, antidepressivos e sedativos costumam ser as medicações mais recomendadas pelos médicos e, quando unidas a terapias comportamentais, o resultado costuma ser bastante eficiente.

Complicações possíveis

Se não forem devidamente tratadas, as fobias podem comprometer gravemente a vida das pessoas e levá-las a situações extremas.

  • Isolamento social: evitar lugares, coisas e pessoas que você teme pode causar problemas profissionais, familiares e de relacionamento
  • Depressão: muitas pessoas com fobias estão mais sujeitas a desenvolver depressão e outros transtornos de ansiedade
  • Abuso de substâncias: o estresse de viver e conviver com uma fobia pode levar ao abuso de substâncias e à dependência química e psíquica, como o tabagismo, o alcoolismo e o vício em determinados tipos de drogas
  • Suicídio: alguns indivíduos com fobias específicas são mais propensos a cometer suicídio.

Prevenção

Como as causas de fobias são desconhecidas pelos médicos e especialistas, infelizmente não há formas conhecidas de prevenção. Buscar ajuda médica é sempre o melhor caminho para pessoas que já apresentem os sintomas.

( In Site Minha Vida)

  • Revisado por: Cyro Masci, psiquiatra e Diretor da Clínica Masci, em São Paulo (CRM/SP 39126)
  • Clínica Mayo – organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos que reúne conteúdos sobre doenças, sintomas, exames médicos, medicamentos, entre outros.
  • Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde (BVS MS) – site que reúne publicações, folhetos, cartazes, vídeos e legislação para acesso online produzidos pelo Ministério de Saúde e pelas entidades vinculadas.
  • Revisado por: Cyro Masci, psiquiatra e Diretor da Clínica Masci, em São Paulo (CRM/SP 39126)
  • Clínica Mayo – organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos que reúne conteúdos sobre doenças, sintomas, exames médicos, medicamentos, entre outros.
  • Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde (BVS MS) – site que reúne publicações, folhetos, cartazes, vídeos e legislação para acesso online produzidos pelo Ministério de Saúde e pelas entidades vinculadas.

 

medo

Medo – Como vencer os seus

Você acorda, escova os dentes, se veste, sai para a rua. Pode ser atropelado, assaltado, empurrado no metrô. Se estiver de carro, pode sofrer um acidente de trânsito – ou ficar preso no meio de uma enchente. Ao chegar ao escritório, seu chefe olha estranho… pode estar pensando em demiti-lo. (Talvez você não dê conta do trabalho.) A geladeira pode ter um curto e incendiar sua casa enquanto você está fora. Aliás, será que você se lembrou de trancar a porta? Sua cara-metade pode ter decidido trair – ou largar – você. O clima do planeta pode ter desandado de vez, com consequências terríveis para a humanidade. A inflação pode voltar e levar o seu dinheiro. Você pode apanhar da polícia – ou ser incendiado por black blocs. Pode pegar gripe suína e morrer em dias. Os agrotóxicos da comida podem estar envenenando você. O seu avião pode cair. Você pode ser rejeitado. Fracassar na vida. Aquela dorzinha na barriga… pode ser câncer. E, pior ainda, tudo isso pode acontecer com as pessoas que você mais ama. Nunca houve tantos motivos para sentir medo. E isso está nos afetando. Segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA, 20,8% das pessoas têm transtorno de ansiedade, ou seja, passam o tempo inteiro com medo de alguma coisa (pois a ansiedade nada mais é do que medo antecipado, de algo que pode ou não ocorrer). É dez vezes mais do que na década de 1980. Mesmo que você não seja uma delas, certamente já se sentiu incomodado por algum tipo de medo. Ele se tornou o maior problema psicológico do nosso tempo – e virou parte do dia a dia de todo mundo.

Ter medo não é ruim. Nós só estamos aqui, afinal, porque nossos antepassados eram medrosos e viviam fugindo do perigo. O cérebro humano evoluiu para ser extremamente sensível a ele. Mas isso aconteceu há milhares de anos, quando a vida era muito diferente. Hoje, a quantidade de situações e estímulos que podem nos causar receio é incalculavelmente maior. Daí a explosão de medo na cabeça das pessoas. Não precisa ser desse jeito. Mas, primeiro: por que isso aconteceu?

UM CÉREBRO, DUAS MENTES

O cérebro humano quase triplicou ao longo da evolução. Passou de 600 cm3 no Homo habilis (há 2 milhões de anos) aos 1.400 cm3 do Homo sapiens, 150 mil anos atrás. Nossa massa cinzenta foi crescendo e ganhando camadas, cada uma mais complexa que a anterior, até chegar ao neocórtex – sua parte mais externa, enrolada como uma linguiça, responsável por funções mentais como pensamento e linguagem. Tudo o que você tem de racional está ali. Só que mais para dentro, no miolo do cérebro, existe outra coisa: o chamado sistema límbico. É uma parte mais primitiva, que coordena reações instintivas. Seu pedaço mais importante é a amígdala, que detona as sensações de medo. “Você está caminhando por um bosque, vê uma cobra, se assusta e imediatamente pula para trás, sem sequer pensar a respeito. A amígdala é a responsável por essa resposta”, explica Raül Andero, neurocientista da Emory University, nos EUA. Como as cobras eram um perigo constante para nossos ancestrais, a evolução moldou o cérebro para ter medo delas. Prova disso é que macacos criados em laboratório, que nunca viram uma cobra, se assustam se forem colocados diante de uma (em compensação, se eles tiverem a amígdala retirada, deixam de sentir todos os tipos de medo). Os medos são disparados pela parte primitiva do cérebro.

Quando você anda pela rua pensando nas férias, o seu cérebro avançado está decidindo para onde quer viajar. Mas o cérebro instintivo, sem que você perceba, também está a todo o vapor, de olho nas ameaças imediatas (um buraco no chão, por exemplo). Os dois são interligados, se comunicam, influenciam um ao outro. Por isso, os psicólogos preferem dividir a mente em dois sistemas: o Sistema 1 e o Sistema 2. Cada um é um conjunto de processos mentais envolvendo várias regiões do cérebro.

O Sistema 1 é intuitivo, rápido, emotivo, inconsciente, automático. Sabe aquele pressentimento que você tem quando conhece alguém? É o Sistema 1 em ação. Ou quando volta para casa de forma automática, sem precisar relembrar o caminho? Sistema 1. Tudo o que você faz sem pensar – inclusive sentir medo – é obra do Sistema 1. Já o Sistema 2 é o contrário: ele é o pensamento, lento, consciente, racional. A sua consciência mora dentro dele. “Mas o Sistema 1 é o autor secreto de muitas escolhas e julgamentos que você faz”, explica o psicólogo israelense Daniel Kahneman, ganhador do Prêmio Nobel de Economia e autor de Rápido e Devagar, livro que discute a relação entre os dois sistemas.

O Sistema 1 é essencial para a sobrevivência. É o instinto que nos permite reagir rapidamente a ameaças – seja uma cobra ou um ônibus que avança sobre a faixa de pedestres bem na hora que você está atravessando. O problema é que o Sistema 1 usa regras rudimentares, muitas vezes erradas, para dosar o medo que vamos sentir das coisas. Por exemplo. Quanto mais você se lembra (ou é lembrado) de uma ameaça, mais medo o Sistema 1 produzirá, independente do real perigo envolvido. E ele também é fortemente influenciado pelo medo que outras pessoas sentem (medo é contagioso). Tudo isso nos leva a receios exagerados e errados.

Após os atentados de 11 de Setembro, por exemplo, os americanos ficaram com medo de andar de avião. Muito mais gente decidiu viajar de carro. E, por isso, morreram 1.600 pessoas a mais em acidentes de trânsito nos EUA ao longo de um ano. Avião era, e é, estatisticamente muito mais seguro do que carro. Só que as pessoas se lembraram dos atentados, que tinham sido exaustivamente mostrados pela imprensa, e tomaram a decisão errada. Se tivessem superado o medo, e andado de avião, praticamente todas estariam vivas. “Temos pavor de morrer de repente, junto com outras pessoas”, diz o psicólogo Gerd Gigerenzer, do Instituto Max Planck, na Alemanha, que analisou números fornecidos pelo Ministério dos Transportes dos EUA. “Aí tomamos a decisão errada, e pulamos da frigideira para o fogo.”

Há inúmeros exemplos assim, de medo irracional. Como a mãe que tem medo que seu filho fume maconha, mas não vê problema se ele encher a cara – sendo que o álcool é comprovadamente mais prejudicial à saúde. A pessoa que tem medo de usina nuclear, mas adora ir à praia se expor à radiação solar, algo muito mais arriscado (só o Brasil registra 120 mil casos de câncer de pele por ano). E você tem mais medo de diabetes, aids, ou acidentes de trânsito? No Brasil, a aids (71%) e os acidentes (58%) lideram com folga. E a diabetes nem é citada em pesquisas sobre temores. Mas, pensando racionalmente, é dela que você deveria ter mais medo: em 2010, essa doença matou 54 mil brasileiros, o mesmo que os acidentes de trânsito (42 mil) e a aids (12 mil) somados. Ocorre que os acidentes aparecem todo dia na TV e nos jornais. E o que você acha que terá mais destaque na imprensa, uma celebridade morrer de diabetes ou de aids?

A mídia escolhe as coisas para chamar sua atenção. (Por exemplo: esta foto que publicamos aí do lado.) E as coisas que mais chamam a atenção do cérebro são, justamente, as que mais assustam.

O MARKETING DO MEDO

É por isso que existem tantos programas policiais e notícias sobre violência. “Vivemos num mundo onde somos convocados a sentir medo. Na mídia, é como se estivéssemos em perigo constante, podendo ser assaltados em cada esquina”, diz Luís Fernando Saraiva, do Conselho Regional de Psicologia (CRP) de São Paulo. O marketing também é muito baseado no medo. Bancos e empresas de seguro usam esse argumento abertamente, mas, se você observar bem, verá que outros anunciantes também manipulam nossos temores para vender. Só que usam mensagens mais sutis.

“A moda joga com o medo de não pertencer ao grupo”, diz o publicitário dinamarquês Martin Lindstrom, autor de cinco livros sobre as táticas de manipulação usadas pelas empresas. “Aposto que você teria vergonha de sair com a roupa do seu pai, pois se sentiria desconectado da sua tribo”, afirma. “O desodorante traz outro medo, de que você não vai conseguir namorada com seu cheiro. A mesma lógica vale para xampus, branqueadores de dente e academias de ginástica. Afinal, malhamos para estar saudáveis, ou por medo de ficar flácidos?”, questiona Lindstrom. Se você não comprar o carro X, seu filho vai ficar com vergonha quando você for buscá-lo na escola. E por aí vai. Boa parte da propaganda explora o medo da rejeição social.

E esse medo nunca foi tão forte. Nunca estivemos tão ligados uns aos outros, mas, ao mesmo tempo, nunca sentimos tanto medo de não sermos aceitos. Você já deve ter percebido isso quando postou alguma coisa nas redes sociais – e imediatamente ficou ansioso sobre quantos likes aquilo iria ter ou deixar de ter. Um estudo feito pela agência de publicidade JWT com 1.270 americanos e ingleses constatou que 40% dos usuários do Facebook têm medo de não serem incluídos nas conversas online dos amigos. “O mundo exige cada vez mais de nós. Não conseguimos nos desconectar, e aí sentimos mais ansiedade”, diz o psicólogo Saraiva.

Políticos espalham temores para arrebanhar votos, jornalistas faturam em cima de catástrofes, biólogos citam vírus letais quando querem obter fundos para desenvolver vacinas… Todo mundo propaga o medo. Mas não faz isso só por maldade ou interesse próprio. “Se eu disser que há uma doença mortal se espalhando na sala onde você está, você sairá dela mesmo sem saber se é verdade. E vai avisar as outras pessoas”, diz Lindstrom. “Milhares de anos atrás, também espalhávamos a notícia de uma planta venenosa, porque isso aumentava a chance de sobrevivência do grupo.” Ou seja: conforme cada pessoa absorve mais medo, ela também se torna propagadora, espalha esse medo para os outros. É uma reação instintiva.

Ok, sentimos cada vez mais medo porque nosso pobre cérebro é imperfeito – e o mundo moderno explora seus defeitos como nunca. E agora?

COMO VENCER O MEDO

Você certamente já se arrepiou vendo filmes de terror. E gritou dando piruetas na montanha-russa. Estranho: você estava aterrorizado, mas adorou cada segundo. Isso acontece porque em situações normais, como no cinema ou no parque, a parte avançada do cérebro permanece no comando. Você se diverte porque mantém o controle. O seu instinto de medo é ativado, mas a consciência sabe que não se trata de um perigo real. Então acontece uma descarga de adrenalina acompanhada de dopamina – neurotransmissor associado ao prazer. E você sente aquele gostoso friozinho na barriga.

Mas, em situações de perigo real, como um assalto, isso não acontece. A amígdala passa por cima de todo o resto e impõe um temor incontrolável. Quando alguém desenvolve medo crônico, fobias ou transtorno de estresse pós-traumático, situações cada vez mais comuns no mundo moderno, a amígdala fica disparando o tempo inteiro. “Por isso, a pessoa apresenta grande ansiedade no dia a dia”, explica o neurocientista Raül Andero, da Universidade Emory. Já estão sendo criados medicamentos que podem aliviar ou suprimir o medo (mais sobre isso daqui a pouco), mas, na maioria dos casos, a principal solução é terapia. Não só a terapia feita em consultório. Há coisas que você mesmo pode fazer.

A principal delas se chama terapia cognitivo-comportamental (TCC). Ela nos ensina a mudar os pensamentos ruins que ficam estimulando a amígdala e gerando ansiedade. “A forma como pensamos influencia a maneira como sentimos. Portanto, mudar o modo como pensamos pode mudar como nos sentimos”, resume o psiquiatra Aaron T. Beck, pai da TCC, no livro The Anxiety and Worry Workbook (“O Manual da Ansiedade e da Preocupação”, inédito no Brasil). Se antes da entrevista de emprego você pensa “Não tenho ideia do que dizer; eles acharão que sou um idiota”, vai se sentir tenso e ansioso. Mas se em vez disso você pensar “Estou bem preparado para a entrevista e vou causar uma boa impressão”, ficará mais calmo e confiante. Pode parecer banal, mas funciona. Tem efeitos neurologicamente comprovados.

A exposição gradual da pessoa ao objeto ameaçador também ajuda a superá-lo. A neurologista Katherina Hauner, da Universidade Northwestern, utilizou essa técnica – que se chama dessensibilização – para tratar fobia de aranhas. Ela monitorou o cérebro de pessoas que tinham muito medo e não conseguiam nem olhar para os aracnídeos. Esses voluntários foram sendo expostos às aranhas, aos pouquinhos, sem ultrapassar o limite de cada um. Ao fim do processo, a maioria conseguiu se aproximar e até tocar nas aranhas. Seus cérebros tinham mudado fisicamente. “A terapia mudou a rede de neurônios ligados ao medo, e reorganizou a resposta do cérebro ao objeto ou à situação temida”, concluiu Katherina.

Em seu novo estudo, publicado no final de 2013, ela foi além: mostrou, pela primeira vez, que é possível apagar medos enquanto uma pessoa dorme. Numa experiência meio cruel, que lembra aquelas feitas em ratos, a cientista condicionou um grupo de voluntários humanos a ter medo de certo rosto. Quando eles viam esse rosto, eram expostos a um cheiro específico e levavam um choque elétrico. Em pouco tempo, aconteceu o óbvio: as pessoas associaram o choque aos dois sinais (o rosto e o cheiro), e passaram a ter medo deles. Aí, Hauner resolveu tentar algo revolucionário: apagar o medo. Deixou que os participantes dormissem, e os expôs àquele mesmo cheiro, para que eles evocassem a memória ruim. A diferença é que, agora, não aplicou choques. Deu certo. As pessoas deixaram de ter medo do cheiro – apenas o medo do rosto persistiu.

A técnica de apagar medos durante o sono é experimental, ainda não existe fora dos laboratórios de pesquisa. Mas é possível conseguir o mesmo efeito com um procedimento bem conhecido: a hipnose. “Vivemos tão condicionados no dia a dia que usamos nossa mente de forma muito limitada. Em geral, não comemos quando temos fome, e sim quando está na hora de comer”, diz o psiquiatra italiano Leonard Verea, especialista em hipnose. “A hipnose auxilia a pessoa a estimular a própria mente, para sair da acomodação e ultrapassar obstáculos.”

Segundo Verea, o medo é a dificuldade de lidar com uma coisa desconhecida. Isso pode gerar tensão suficiente para ultrapassar os limites da pessoa e fazer com que ela entre numa espécie de curto-circuito mental. Quem tem ataques de pânico, por exemplo, perde a capacidade de imaginar situações. “E quanto menos ela consegue imaginar, maior a sua ansiedade e menores os seus limites de tolerância frente à situação”, diz ele. “A hipnose ajuda o indivíduo a imaginar que pode sair disso e viver com tranquilidade. Ele sai do pânico aproveitando seus próprios recursos, conscientes e inconscientes.”

A psicanálise e diversas outras terapias também têm se mostrado eficientes para lidar com o medo e a ansiedade. O sucesso não depende da linha terapêutica em si, até porque tudo depende da relação entre o terapeuta e o paciente. Mas existe uma condição básica para que uma terapia dê certo. “O bom atendimento é aquele que não se limita a combater os sintomas. É o que procura entender a causa do problema no cotidiano de cada pessoa”, diz o psicólogo Luís Fernando Saraiva. Faz sentido: você pode tomar calmantes para dormir. Mas se não entender o que está tirando seu sono, pouco adianta.

O FIM DOS MEDOS

A maioria de nós passa por algum trauma na vida – assalto, sequestro, acidente, desastre natural, abuso ou a perda repentina de alguém querido. E cerca de 10% dos que vivem um trauma (até 14% no caso das mulheres) vão desenvolver o chamado transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Eles revivem a cena em pesadelos e flashbacks aterradores. Sentem tanto medo que chegam a se isolar do convívio social. Muitos conseguem se curar total ou parcialmente com terapia. Mas algumas pessoas nunca se recuperam. Nesses casos, a grande promessa são os estudos voltados à prevenção do medo. Eles buscam evitar que a emoção negativa seja gravada no cérebro. Fazendo pesquisas em ratos, cientistas descobriram que injeções de substâncias como cortisol reduzem a chance de sofrer os transtornos. Cortisol é o hormônio do estresse. Quanto mais estresse você tem, mais a memória é fixada. No entanto, por um motivo que ainda não é bem compreendido, tomar uma grande dose de cortisol reduz a fixação do trauma.

“Daqui a cinco ou dez anos, tomaremos um comprimido após experiências ruins. E isso reduzirá drasticamente a possibilidade de desenvolver um trauma”, diz Andero. O remédio terá preço acessível, como a pílula do dia seguinte (usada para bloquear o desenvolvimento de gravidez), e você poderá comprá-lo na farmácia após uma situação ruim, como um assalto. Os sintomas do trauma não se fixarão na memória e você terá mais chances de seguir sua vida normal. “Como o medo é um fenômeno complexo, não dá para preveni-lo atuando num só receptor do cérebro. Por isso, haverá dois ou três fármacos na mesma pílula”, acredita o pesquisador.
A ideia da pílula do medo não é eliminar a memória do acontecimento, e sim as emoções negativas associadas a ele. Você se lembraria do assalto, mas sem trauma. Como todo medicamento, claro, o perigo é o uso indiscriminado. Imagine um mundo onde ninguém tivesse medo de nada, nunca. Ele poderia evoluir de modo imprevisível, com explosões de violência e ondas de solidão. “Faz parte da vida sentir medo e ficar ansioso. O que temos que avaliar é o limite, ou seja, quando essas sensações se tornam insuportáveis. Aí sim merecem intervenção”, diz Saraiva. Para ele, a sociedade nunca teve tão pouca tolerância a emoções negativas. Terminou o namoro? Tem que estar bem no dia seguinte. A mãe morreu? Precisa levantar o astral. “Frente a qualquer sensação ruim, as pessoas já procuram tratamento, como se não pudessem sentir o que sentem”, diz. Nunca sentimos tanto medo – e, pior, nunca tivemos tanto medo dessa sensação. Talvez a chave do problema, e sua grande solução, morem justamente aí. Perder o medo do medo.

Como vencer seus medos

VIDA SOCIAL

Todo mundo tem medo de ser rejeitado. É normal – mas às vezes passa do limite.

Medo de perder as pessoas que ama

O que fazer – Apelar à razão.

Como – É o maior medo social dos brasileiros. Esse receio está enraizado no cérebro humano (pois a espécie é extremamente social, depende da família e do grupo). Não temos como eliminá-lo, mas podemos aprender a conviver com ele. Sempre que você sentir esse temor, lembre-se: ele é inútil, pois não ajuda em nada a proteger quem você ama. E pode atrapalhar a relação entre vocês.

Medo da solidão

O que fazer – Ficar um dia offline. Ou terapia sistêmica.

Como – Experimente ficar um dia inteiro quietinho, sem falar com nenhum amigo via Facebook, WhatsApp e coisas do tipo. Você verá que a solidão não é tão assustadora quanto parece. Para casos mais intensos, pode valer a pena procurar um psicólogo especializado em terapia sistêmica (linha de análise que estuda a pessoa a partir das relações que ela tem com outras).

Medo de levar pé na bunda

O que fazer – Mudar o foco.

Como – Ter medo de ser largado pela pessoa amada é uma profecia autorrealizável: quanto mais medo você sente, mais paranoico fica, sem aproveitar os momentos bons a dois. Vira uma pessoa chata – e acaba afastando o outro. Faça de conta que o medo não existe, por mais absurdo que isso possa parecer. Dá resultado.

Medo de perder o emprego ou ficar sem dinheiro

O que fazer – Terapia cognitivo-comportamental.

Como – Mentalize o contrário do que dá medo. Sempre que lhe ocorrerem coisas do tipo “vou ser demitido” ou “meu chefe me odeia”, pense em frases contrárias – como “sou bem preparado” e “meu trabalho tem valor”. Pode parecer simplório, mas tem efeito comprovado – e poderoso – sobre o cérebro.

VIOLÊNCIA

Sim, você pode sofrer violências terríveis. mas não faz sentido antecipá-las.

Medo de crime

O que fazer – Ignorar estímulos negativos.

Como – Já reparou como a TV e os jornais estão cheios de notícias sobre violência? É que esse tipo de coisa ativa a parte primitiva do cérebro – e tem um poder fortíssimo de chamar sua atenção. Mas também faz você sentir que o mundo é mais violento do que realmente é. Evite consumir esse tipo de informação.

Você quer fugir das suas fobias. Mas, para se libertar, tem de abraçá-las.

Crises de pânico

O que fazer – Respirar… e buscar ajuda.

Como – Ataque de pânico é uma manifestação extrema de medo, que requer ajuda de um especialista. Há algumas terapias que fazem efeito – como a hipnose, que auxilia o indivíduo a sair do pânico aproveitando os próprios recursos mentais.

Medo de altura, insetos, lugares fechados/lotados

O que fazer – Dessensibilização.

Como – O segredo é se expor gradualmente à situação ou ao objeto ameaçador. Se você tem medo de barata, por exemplo, baixe algumas fotos do inseto na internet, salve no seu computador e se obrigue a olhar uma por dia. Você verá como o medo diminui (quando estiver mais confiante, aumente a exposição – veja um vídeo de baratas no YouTube). A mesma técnica vale para situações como medo de altura e de lugares fechados. Procure se expor um pouco a eles. Mas, nesses casos, leve um amigo junto.

Medo de dirigir

O que fazer – Dessensibilização.

Como – O segredo é enfrentar, mas aos poucos. Experimente começar dirigindo aos domingos, quando há menos trânsito, levando um amigo junto. Se você sofreu um acidente e ficou com trauma, vale a pena procurar um analista ou instrutor (há autoescolas especializadas em gente com medo de guiar).

DOENÇA

Todos vamos morrer. Alguns, com sofrimento. Mas isso não é relevante.

Medo de adoecer

O que fazer – Não dar ouvidos à internet.

Como – Se você entrar no Google e começar a pesquisar sintomas, com certeza vai terminar achando que aquela coceira no seu braço esquerdo é sinal de um câncer incurável. Desconfie das coisas escritas na internet (mesmo em fontes confiáveis, pois o que elas dizem não necessariamente se aplica a você). Nada melhor do que marcar uma consulta médica para esclarecer tudo e acabar com as preocupações.

Medo de sofrer

O que fazer – Aceitar. Ou análise.

Como – Todo mundo tem esse medo. É normal. Se ele for muito intenso, e ocupar grande parte do seu tempo, pode valer a pena fazer psicanálise – que tentará encontrar as raízes do temor. Outra opção é o psicodrama, técnica que trabalha as vivências da pessoa por meio de dramatizações, como se fosse uma peça de teatro.

 

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