Eles costumam ser charmosos e sedutores.

Muitos de nós já ouviram histórias sobre uma tia, avó ou bisavó que herdou uma fortuna, mas perdeu tudo porque o marido jogava ou apostava nos cavalos. Era o famoso “golpe do baú”. Um homem bonito, charmoso, mas sem dinheiro, procurava uma herdeira, “fazia a corte”, ela se apaixonava e casava com ele, a despeito dos protestos de todos os familiares. Ele se dava bem. Ela terminava sem nada, morando “de favor” na casa de algum parente.

Esse personagem ainda existe, é eterno, um modelo de comportamento. E pode ser pior do que um simples cafajeste. Pode ser um psicopata manipulador, como o Léo da novela Insensato Coração, da Rede Globo, vivido por Gabriel Braga Nunes (39). Por confiar nele, a mocinha Norma, interpretada por Glória Pires (48), foi parar na cadeia.

Na ficção, a beleza e o romantismo de Léo o ajudam a confundir suas vítimas. Na realidade também é assim. Psicopatas são alegres, sedutores, estão sempre de bom humor. Em geral são vaidosos e fazem ótima propaganda de si próprios. Mentem e sentem orgulho de sua capacidade de enganar. Falam de sentimentos, embora sejam frios. Na sua maioria são homens e têm nas mulheres seus maiores alvos. Elas se apaixonam sem questionar e não pensam nas consequências. Ingênuas e carentes, confiam, abrem o coração, revelam aspectos de sua vida que deveriam ficar guardados. A facilidade atual de se conhecer pessoas pela Internet, em bares e baladas, as torna ainda mais vulneráveis. Quem trabalha muito e está bem de finanças (hetero ou homossexual) muitas vezes não tem tempo para investir na vida afetiva e também vira presa fácil. Conhece alguém na balada e após alguns drinques acaba na cama com o desconhecido. Pode ser roubado, enganado ou até mesmo assassinado.

Como fazer para não ser uma vítima? Desconfiar, desconfiar sempre. Quando se conhece alguém apresentado por um amigo, quando se sabe um pouco da história de vida da pessoa, é possível confiar. Mas alguém que se conhece num site, num bar ou numa balada é uma incógnita. Primeiro, deve-se marcar encontros em lugares públicos, saber o nome verdadeiro, ter o telefone, conhecer um pouco da história daquela pessoa — e não beber muito nos primeiros contatos, para não perder o controle. Quem é prudente jamais leva um desconhecido para casa. Muito menos conta a ele quanto ganha, o que possui. Só depois de alguns encontros, já de posse de bom número de referências seguras, deve-se ficar a sós com alguém que se conhece assim. E quem já está num relacionamento e desconfia das intenções do parceiro? Se desconfia, geralmente tem motivos: ele pergunta muito sobre sua vida financeira, fala pouco de si mesmo, conta mentiras, esquece sempre a carteira ou perde o cartão na hora de pagar a conta, não diz onde mora ou trabalha. Nesse caso, é melhor enfrentar logo a situação e, no caso de descobrir que as desconfianças eram verdadeiras, ter a coragem de se afastar.

É claro que podemos ter encontros verdadeiros e até um casamento com alguém que conhecemos pela Internet, na rua ou num bar. Mas sem ingenuidade, com os pés no chão. Dessa maneira, se o destino colocar uma pessoa realmente interessante em nosso caminho, não vamos perdê-la, mas com certeza também não seremos mais uma vítima da novela da vida real.

Revista Caras

Revista Super Interessante – Maio 2011

Eles querem dinheiro, poder, um cargo alto. São quatro vezes mais comuns nas empresas do que nas ruas. Cuidado: pode ter um na mesa ao lado.

Luana conseguiu o emprego com que sempre sonhou. Era uma empresa farmacêutica conhecida por seu ambiente competitivo, mas também por bons salários e chances de crescer profissionalmente. Nova no escritório, logo ficou amiga de Carlos, um sujeito atencioso de quem recebeu até umas cantadas.

Em poucos meses, apareceu a oportunidade de Luana liderar seu grupo na empresa. Parecia bom demais não fosse uma inquietação ética. Ela desconfiava que a companhia garantia a venda de seus produtos graças a subornos a médicos. Isso incomodava tanto Luana que, durante um intervalo para um lanche, ela desabafou com o amigo Carlos. Ele também parecia indignado com a situação. Seria uma conversa normal entre colegas de trabalho – se Carlos não tivesse se aproveitado. Em um momento de distração de Luana, ele pegou o celular da colega e ligou para o chefe de ambos. Caiu na secretária eletrônica, que gravou toda a conversa entre Carlos e Luana. A moça, grampeada, chegou a questionar se o chefe poderia ter algo a ver com os subornos. Acabou demitida por justa causa. Carlos tomou o lugar de líder que seria dela.

A história é real (os nomes foram trocados). E esse Carlos, um cretino, não? Na verdade é pior: ele age exatamente como um psicopata. Há 69 milhões de psicopatas no mundo, o que dá 1% da população em geral. Então, no fim da história, Carlos faz picadinho de Luana, certo? Errado. Sim, há muitos psicopatas violentos, como Hannibal Lecter de O Silêncio dos Inocentes ou Pedrinho Matador, que afirmava ter assassinado mais de 100 pessoas. Por isso a cadeia é um dos dois lugares em que se encontram muitos psicopatas. Eles são 20% da população carcerária e 86,5% dos serial killers. Mas um psicopata não necessariamente vira assassino. Na verdade, ele vai atrás daquilo que lhe dá prazer. Pode ser dinheiro, status, poder. É por isso que outro lugar fértil em psicopatas, além da cadeia, é a firma.

Pode ser uma empresa pequena, como a loja de sapatos da esquina. Pode ser uma fundação, uma escola. O importante é que o psicopata enxergue ali a chance de controlar um grupo de pessoas para conseguir o que quer. Mas poucos lugares dão tanta oportunidade para isso do que uma grande companhia. “Psicopatas são atraídos por empregos com ritmo acelerado e muitos estímulos, com regras facilmente manipuláveis”, diz o psicólogo Paul Babiak, especialista em comportamento no trabalho.

Até 3,9% dos executivos de empresas podem ser psicopatas, segundo uma pesquisa feita em companhias americanas. Uma taxa de psicopatia quatro vezes maior do que na população em geral. Eles não matam seus colegas, mas usam o cargo para barbarizar. Cancelam férias dos subordinados, obrigam todo mundo a trabalhar de madrugada, assediam a secretária, demitem sem dó nem piedade. Isso quando não cometem crimes de verdade. Um terço das companhias sofre fraudes significativas a cada ano, de acordo com uma pesquisa de 2009 realizada pela consultoria PriceWaterhouseCoopers, que analisou 3037 companhias em 54 países. Por causa dessas mutretas, cada uma perde, em média, U$ 1,2 milhão por ano. Muitos desses golpes podem ser obra de psicopatas corporativos.

“Eles são capazes de apunhalar empregados e clientes pelas costas, contar mentiras premeditadas, arruinar colegas poderosos, fraudar a contabilidade e eliminar provas para conseguir o que querem”, diz Martha Stout, psiquiatra da Escola Médica de Harvard por 25 anos e autora do livro Meu Vizinho é um Psicopata. E fazem isso na cara dura, como se não estivessem nem aí para o sofrimento alheio. É que, na verdade, eles não estão ligando nem um pouco mesmo.

 

DEZ PISTAS PARA IDENTIFICAR UM PSICOPATA

Só um psiquiatra conseguiria dar o diagnóstico certo. Mas, se algum colega de firma tiver esses traços, dá para suspeitar.

1. RELACIONAMENTOS

1.1. SUPERFICIAL – Não se importa com o conteúdo, e sim em como vendê-lo.
1.2. NARCISISTA – Preocupa-se apenas consigo mesmo.
1.3. MANIPULADOR – Mente e usa as pessoas para conseguir algo.

2. SENTIMENTOS

2.1. FRIEZA – É racional e calculista, pois tem pouca atividade no sistema límbico, centro das emoções como medo, tristeza, nojo.
2.2. SEM REMORSO – Não sente culpa. A parte responsável por isso no cérebro tem baixa atividade.
2.3. SEM EMPATIA – Não consegue se colocar no lugar dos outros.
2.4. IRRESPONSÁVEL – Só se compromete com o que lhe trouxer benefícios.

3. ESTILO DE VIDA

3.1. IMPULSIVO – Tenta satisfazer as vontades na hora.
3.2. INCAPAZ DE PLANEJAR – Não estabelece metas de longo prazo.
3.3. IMPRUDENTE – Corre riscos e toma decisões ousadas.

Fonte: Without Conscience – Robert Hare

Empresas que estimulam a competição entre funcionários são o ambiente ideal para o psicopata.

 

O CANTO DO PSICOPATA

Os xavecos que ele usa para manipular os colegas:

“EU GOSTO DE QUEM VOCÊ É” – Por que funciona: O psicopata mostra admiração pelo talento e pelos pontos fortes da vítima. E passa a ser visto como um dos poucos a reparar verdadeiramente no potencial dos colegas.

“EU SOU COMO VOCÊ” – Por que funciona: O psicopata identifica características da personalidade da vítima e faz de conta que compartilha gostos e interesses.

“SEUS SEGREDOS ESTÃO SEGUROS COMIGO” – Por que funciona: A vítima, achando que está diante de um amigo, abre o coração e conta medos e expectativas.

“SOU SEU AMANTE / AMIGO IDEAL” – Por que funciona: Último estágio da manipulação. O psicopata cria um elo psicológico que promete uma relação duradoura. A vítima já está em suas mãos.

Chega a ser assustador, mas infelizmente é uma realidade e esse post servirá para alertar muitos departamentos de RH, que pensam em apenas fazer alguns “testes” com dinâmicas arcaicas de grupo e não conseguem ver a verdadeira face do futuro contratado. Continuo batendo na mesma tecla, simples testes psicotécnicos nunca poderão definir características ou distúrbios de personalidade, os denominados “psicopatas da geração Y” tem acesso a informação (como a que coloco em meu blog) e estão cada vez mais preparados para uma dissimulação quase que perfeita. A solução para isso? Adotar metodologias mais criteriosas para a escolha de candidatos, “armadilhas” modernas e não um simples papel e lápis.