Categoria: Depressão

Ansiedade de Vestibulandos pode levar a Distúrbios Psíquicos mais Graves

Ansiedade de Vestibulandos pode levar a Distúrbios Psíquicos mais Graves

Ansiedade de Vestibulandos pode levar a Distúrbios Psíquicos mais Graves. Os mais comuns nesta situação pré-vestibular é a depressão, síndrome do pânico e fobias.

 

Da Agência Fapesp

“Levantamento feito com 1.046 vestibulandos verificou que 56,3% apresentaram sintomas de ansiedade, considerando os níveis de intensidade leve, moderado e grave. As candidatas do sexo feminino se mostraram mais ansiosas do que os homens. O estudo foi comandado pelo psiquiatra Daniel Guzinski Rodrigues, da Ulbra (Universidade Luterana do Brasil), e pela psicóloga Cátula Pelisoli, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

A ansiedade é um estado emocional caracterizado por um conjunto de reações psicológicas e fisiológicas relacionadas a situações de perigo. Segundo o estudo, os cinco sintomas mais freqüentes identificados com o problema foram nervosismo, medo de que aconteça o pior, incapacidade de relaxar, sensação de calor e indigestão.”

Está é uma fase que envolve muita angústia, medo, ansiedades. Uma exigência interna e externa, em que o estudante deve escolher neste momento o que deseja ser para o resto da vida. Uma decisão pesada demais!

Cada um destes estudantes lidam de forma diferente com pressão, avaliação, disciplina, sentimentos de medo, culpa e raiva são comuns na hora de buscar a melhor estratégia para alcançar o tão esperado “passe para outro ciclo”.

Neste momento o estudante deve buscar seus recursos internos para entender melhor o que seu comportamento apresenta e desenvolver um processo de análise de si mesmo. A vida emocional e psíquica nestas circunstâncias de expectativas difíceis de prever, favorece o jovem a tomar atitudes muitas vezes impulsivamente, se deixar levar por sentimentos fortes de medo e tristeza.

Isto significa que algo não está tão bem estruturado dentro de si e vale a pena aproveitar o momento para se conhecer melhor. Os pais têm um papel fundamental para ajudar o filho a entender que estão em busca de uma forma particular de olhar a vida. São responsáveis também pela autoconfiança que seus filhos estão desenvolvendo a partir destas escolhas, ensinando-os a lidar de forma responsável por aquilo que realmente faz sentido na vida deles.

Os pais também devem tomar cuidado, para não subestimar a capacidade e a vontade dos filhos em seguir algum objetivo. “O nosso papel, como pais, deve ser o de acolher e entender que, às vezes o mau humor e a irritabilidade, podem ter sentido”

vestibular e problemas emocionais

 

Preparo para a prova

 

Os candidatos devem observarem os próprios limites na hora de programar os estudos e extrapolar pode se prejudicial.

Há um provérbio chinês que diz: “Toda longa caminhada começa com um primeiro passo”. O problema é que muitas pessoas, ou não conseguem dar este primeiro passo, ou começam a caminhada a passos tão rápidos que desistem no meio do caminho.

 

Crises de Pânico e Ansiedade

 

O motivo que pode desencadear essas crises ainda gira em torno de hipóteses, mas fatores genéticos podem estar envolvidos: a síndrome do pânico é mais comum em familiares de primeiro grau. Valença também aponta que outra possibilidade é que ela esteja ligada à falta do hormônio serotonina, que é produzido pelo cérebro. O transtorno de ansiedade “é a forma mais primitiva das pessoas conseguirem comunicar, através do corpo, que alguma coisa não está bem com elas psicologicamente. Reagir à pressão e exigência do dia-a-dia, por exemplo, é um motivo comum entre adolescentes.

Um sonho muito difícil de ser alcançado é igualmente difícil em sua jornada. Ser aprovado em um curso de medicina em uma faculdade pública é uma tarefa que exige muita dedicação, empenho e poucos estão dispostos a isso.

Para obter um bom desempenho no vestibular e ser aprovado em uma boa faculdade de medicina você não precisa fazer um sacrifício sobre-humano, mas sim de disciplina e regularidade.

Não adianta estudar 20 horas por dia nos primeiros meses, certamente você irá se cansar e desistir. Elabore uma rotina de estudos. No seu caso, como você faz cursinho, vá às aulas regularmente, assista e preste atenção em todas as aulas e calcule quanto tempo de estudos você precisará extra-classe.

Digamos que você precise de 6 horas de estudo. Vá estudando aos poucos durante a primeira semana para na semana seguinte você começar a estudar 6 horas por dia.

 

O Segredo depois estará em sua regularidade

 

Estude 6 horas por dia todos os dias. No começo será bastante difícil e desafiador, mas após um tempo isso se tornará um hábito em sua vida como escovar os dentes.

Estude inclusive aos finais de semana, mesmo que seja por um tempo mais curto, mas nunca menor que 50% do tempo que você estuda durante a semana. Se você deixar de estudar aos finais de semana perderá o ritmo no início da semana e dificilmente conseguirá manter a rotina de estudos na segunda-feira.

A dedicação precisa ser do tamanho dos seus sonhos, e seu sonho precisará deixar de ser apenas sonho para se tornar um propósito em sua vida.

Você disse que se frustra ao ver as pessoas torcendo por você em vão. Torcer sempre é bom, mas não deixe que esta “torcida” se torne uma cobrança ou grande expectativa, pois isso poderá aumentar sua ansiedade e prejudica-la para o vestibular.

Elabore não somente uma rotina de estudos, mas uma rotina de vida em que seu principal propósito é ser aprovada no vestibular e comece aos poucos, certamente os resultados virão.

Se alguns fatores estiverem atrapalhando seu desempenho como depressão, problemas com o namorado ou em família, procure resolver estes problemas para poder se concentrar efetivamente em seu propósito.

 

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Texto sobre Ansiedade, Estresse e Esgotamento

Texto sobre Síndrome do Pânico

Texto sobre Suicídio na Adolescência

Sobre a Psicóloga Daniela Carneiro

Distimia

Distimia

O paciente com distimia:

  • Apresenta baixa ou nenhuma auto-estima sente-se desmotivado.
  • Possui constante sensação de falta de esperança e um sentimento de negatividade.
  • Desinteresse ou perda do prazer pela maioria das suas atividades, ou perde totalmente o interesse em todas elas
  • Tem insônia ou dorme excessivamente
  • Apresenta perda de apetite ou alimentação exagerada
  • Tende ao isolamento, tem poucos amigos e vida social limitada
  • Apresenta sentimento de rejeição pelos outros
  • Sente uma falta de capacidade
  • Tem constante irritabilidade e/ou descontentamento.

Você conhece alguém meio mal humorado, pessimista, que vive se queixando de estar cansado? Sempre sem muita disposição, ele parece que tem pouca energia. Fala que é daqueles que teve o azar de ter problemas com o sono! Dorme mal, vive reclamando da vida! Outras vezes cochila pelos cantos, durante o filme, no meio das conversas. Parece sempre meio desinteressado. Alguns dizem que ele tem o “gênio difícil” e que é difícil de conviver.

Se você conhece alguém com as características acima saiba que ele pode ser um portador de Distimia e que no Brasil, existem 5 a 11 milhões de pessoas que sofrem desse mal! Eles são 3 a 6% por cento da população no mundial! De cada 100 pacientes atendidos nos postos de saúde, 7 provavelmente têm Distimia.

Entre os pacientes que possuem algum transtorno mental, mais ou menos um terço deles (36% aproximadamente), apresentam sintomas depressivos leves e de longa duração. Essas pessoas podem ter Distimia. Esses números, que parecem tão altos, ocorrem porque é muito comum uma pessoa que tem um transtorno mental, como pânico, uma fobia ou obsessões, desenvolver sintomas depressivos. É o que os psiquiatras chamam de “comorbidade”, quando dois ou mais quadros psiquiátricos se associam num mesmo indivíduo.

A Distimia é um tipo de depressão que faz parte do grupo dos transtornos mentais que interferem com o humor das pessoas e por isso os psiquiatras chamam esses quadros de “Transtornos do Humor”. Ela é diferente dos outros tipos de depressão porque seus sintomas são mais leves, mas têm uma longa duração. Isso torna difícil que o paciente se perceba deprimido, fazendo com que ele conviva com essa depressão, tentando se sobrepor, lutar contra ela. É por isso que é tão prejudicial, pois essa situação acaba por trazer inúmeras conseqüências para seus portadores. No entanto, existem estudos internacionais que mostram que ela é subdiagnosticada pelos médicos, sejam eles clínicos ou especialistas.

As pessoas com Distimia apresentam altas taxas de absenteísmo: faltas no trabalho. Essas taxas são quase tão altas quanto as faltas devidas às cardiopatias crônicas, e estão entre as primeiras causas de absenteísmo no mundo!

Essas pessoas quase não conseguem sentir prazer nas coisas que normalmente as interessava, e por isto têm pouquíssimos interesses. São pessimistas. Muitas vezes têm dificuldades com o sono, ou com apetite. É como se um vazio se esparramasse em toda à sua volta, e às vezes houvesse dentro deles uma espécie de buraco que não conseguem preencher com nada. Às vezes, por isso, desenvolvem uma obesidade da qual não conseguem se livrar.

Como é que podemos então falar de menor gravidade, se tantas são as conseqüências para aqueles que sofrem de depressão? A menor gravidade dos sintomas justifica então menos preocupação com essas pessoas?

Apesar dos sintomas menos acentuados, a Distimia é um transtorno que acarreta um prejuízo pessoal muito importante. Não só do ponto de vista das relações pessoais, mas no plano econômico também! Em geral, essas pessoas têm poucas relações, poucas amizades, e concentram suas atividades quase que exclusivamente no trabalho, seja ele um emprego formal ou não. Isso porque, é na situação de trabalho que as funções e a forma do indivíduo se comportar são mais bem definidos, facilitando sua atuação. Apesar de toda essa “dedicação”, seu desempenho profissional é, em geral, mediano, e muitas vezes insatisfatório para o próprio indivíduo, pois carrega consigo um peso, uma falta de vitalidade, de criatividade e de dinamismo que o prejudica em todos os lados.

É muito comum ouvirmos o paciente contar que faz as coisas com dificuldade, como se estivesse pesado, lento, sem prazer, fazendo o mínimo, só o essencial a cada dia.

Isso tudo faz com que o indivíduo não procure ajuda. Ele não vai ao médico, e quando o faz, raramente procura um psiquiatra. Na grande maioria das vezes ele vai a um clínico com queixas como falta de apetite, insônia ou cansaço.

O clínico, pouco treinado no diagnóstico de transtornos mentais, não reconhece a depressão e vai investigar as queixas físicas, com as quais tem mais familiaridade. Muitas vezes vai prescrever vitaminas, indutores do sono, tentando tratar cada queixa isoladamente. Noutros casos, ele consegue reconhecer que o quadro é de depressão, mas seu conhecimento sobre o tratamento dos quadros depressivos é limitado e ele não consegue ministrá-lo corretamente. Isso pode ocorrer porque a dose do medicamento é insuficiente, ou porque o antidepressivo escolhido não tem a eficácia necessária, ou mesmo porque a duração do tratamento é limitada, etc. Assim, o paciente que, com muita resistência, procurou ajuda médica, perde a oportunidade de tratar-se e vai carregar seu sofrimento por outro longo período, até que faça (e se fizer…) uma nova tentativa.

Observando esse tipo de situação, levantamos formalmente a hipótese de que mesmo os psiquiatras poderiam não fazer o diagnóstico da Distimia. Elaboramos um projeto de pesquisa de mestrado, onde checamos o diagnóstico dado por psiquiatras de um hospital universitário. Depois, comparamos esse diagnóstico com o nosso diagnóstico que foi feito usando uma entrevista padronizada que dá uma margem de acerto do diagnóstico de Distimia muito boa. Observamos nesse grupo de 80 pacientes que quase um terço deles (27%) apresentava sintomas compatíveis com o diagnóstico de Distimia. Dos 22 pacientes com Distimia, somente oito (36%) foram diagnosticados como distímicos pelo psiquiatra que os acompanhava, o que confirmou nossa hipótese inicial.

A grande maioria das pessoas com Distimia tinha também outros transtornos mentais associados, numa proporção bem maior do que os pacientes que não apresentavam Distimia! Esses quadros associados eram principalmente de Depressão Maior, um tipo de depressão muito intensa e aguda. Também encontramos muitos pacientes com dependência de “calmantes” ou “remédios para dormir”, os benzodiazepínicos, e outros com quadros de ansiedade como pânico ou fobias.

Esse trabalho foi feito durante o ano de 1998, no Ambulatório de Saúde Mental da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Conseguimos auxílio financeiro da FAPESP que é um órgão do governo do Estado que exige um altíssimo nível de seriedade e competência de seus colaboradores.

Apresentamos nossos resultados no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP como tese de mestrado em dezembro de 1999. Em colaboração com o professor Hélio Elkis, transformamos nosso trabalho num artigo científico que foi aceito para publicação num dos principais jornais científicos na área dos transtornos do humor, o “Journal of Affective Disorders”.

Nada justifica que, hoje em dia, com a quantidade de novos recursos disponíveis para o tratamento da depressão, que o indivíduo continue carregando esse quadro por tantos anos e de forma tão prejudicial. A própria OMS (Organização Mundial de Saúde) tem um programa internacional para treinamento de clínicos no diagnóstico da depressão. O objetivo do nosso trabalho foi o de chamar a atenção dos colegas médicos e psiquiatras para essa situação e, esperamos que com isso tenhamos dado nossa colaboração aos portadores de Distimia, para seu reconhecimento mais rápido e melhor qualidade em seu tratamento.

 

Por Adriano Persone Prestes de Camargo com Belquiz Avrichir
Mestre em Psiquiatria pela FMUSP e médica assistente do IPQ-HC.

Depressão e Relacionamento pessoal

Depressão: como afeta o relacionamento

A Depressão geralmente é uma doença devastadora, apesar de muita gente ainda não acreditar que ela exista. Não vamos falar aqui do quadro clínico e dos sintomas da Depressão, mas sim de um aspecto da Depressão que muitas pessoas não sabem e não se dão conta; trata-se do grau em que os transtornos depressivos afetam os relacionamentos. Segundo Xavier Amador, um casamento em que um dos parceiros está com depressão, tem nove vezes mais propensão de acabar, do que um onde não exista a depressão. Adriana Tucci mostra também dados internacionais onde os Transtornos Afetivos, além de terem uma prevalência de, aproximadamente, 11,3% da população, são uma das doenças que mais geram perdas sociais e nos relacionamentos familiares (veja mais em Depressões – Sintomas, na seção Depressão).

Assim sendo, antes de se tomar decisões precipitadas nas desarmonias de relacionamento recomenda-se que, primeiro, seja verificada a possibilidade de uma das pessoas do relacionamento (quando não as duas) ser portadora de Depressão, em qualquer de suas formas (Distimia, Transtorno Afetivo Bipolar, Depressão Recorrente).

A Depressão, seja leve, moderada ou grave, será sempre incapacitante em algum grau, principalmente se considerarmos a duração dos sintomas. Ao longo do tempo os sintomas depressivos podem provocar desdobramentos complicados e desgastantes para a família e para a pessoa.

Segundo trabalhos recentes as relações íntimas entre pessoas com depressão são mais tensas, estressantes e cheias de conflitos do que entre pessoas não depressivas. Xavier diz que a depressão e os problemas de relacionamento e sexuais causados por ela seja a razão mais comum dos casais que procuram uma terapia. Metade das mulheres depressivas reclama de sérios problemas dentro do casamento e, provavelmente, um número parecido dos homens pode também reclamar da qualidade do relacionamento com mulheres depressivas.

Quando aparece um quadro depressivo na família, geralmente esta se desestrutura bastante. A tendência inicial é querer ajudar o indivíduo a reagir; ora acreditando que essa reação depende da vontade da pessoa deprimida, ora propondo medidas bem intencionadas e completamente ineficazes. Com frequência dentro das famílias ou mesmo entre um casal existe uma série de crenças populares, que depreciam a pessoa com depressão, tais como a falta de vontade, uma fraqueza psíquica ou coisas assim.

Como ninguém consegue produzir melhoras, aflora um sentimento de frustração e impotência muito desgastante, principalmente quando se junta à mistura das tais crenças populares. Além disso, deve-se considerar o impacto social e econômico que a doença pode representar para toda a família.
É assim que os parentes de pessoas deprimidas, bem como os(as) companheiros(as) também sofrem de preocupação excessiva, raiva, exaustão e até mesmo raiva com a persistência daquele estado de humor problemático.

 

Comprometendo o Relacionamento

Apesar de serem poucos os trabalhos sobre indicativos, variáveis clínicas e sociais que levam os portadores de Transtornos Afetivos a apresentar maus ajustamentos sociais, a constatação de que isso acontece parece ser unânime. As principais esferas atingidas pelos Transtornos Afetivos estão nas áreas de trabalho e relacionamento interpessoal, com 1/3 dos pacientes apresentando desempenho ruim tanto no trabalho quanto no ajuste em outras áreas (Tsuang,1980).

Adriana Tucci (2001), verificou predomínio da Depressão em mulheres, e o relacionamento familiar teve papel significativo no resultado de ajustamento social. Entre portadores de Transtornos Afetivos, os pacientes unipolares e os distímicos tiveram melhores resultados no ajustamento social e no relacionamento familiar do que aqueles com Transtorno Afetivo Bipolar ou com a chamada Depressão Dupla, que é quando um episódio depressivo acomete quem já tem Distimia. Tucci cita ainda pesquisa de Leader Klein, que avaliaram o relacionamento familiar de pacientes com Depressão Unipolar, Distimia e Depressão Dupla. Descreveram que pacientes com depressão dupla foram os que apresentaram, significativamente, piores resultados em relação aos outros dois grupos, e os pacientes distímicos apresentaram relacionamento familiar mais prejudicado do que os unipolares; porém, essa diferença não assumiu significância estatística. Esses dados são semelhantes aos apresentados pelos pacientes do presente estudo.

De fato, é de se supor que as maiores dificuldades de convivência familiar, social ou conjugal sejam com pacientes distímicos, já que a Distimia está identificada com aquela característica de personalidade conhecida como mau-humor. A convivência com pessoas mau-humoradas é, inegavelmente, muito difícil.

 

Comprometendo a Sexualidade

Um dos fatores importantes no comprometimento do relacionamento íntimo é a alteração na libido, ou do desejo sexual que acompanha a Depressão. Quem está deprimido normalmente perde a capacidade de sentir prazer com tudo, inclusive com o sexo. Assim, com freqüência a vontade de iniciar a relação sexual está muito prejudicada, ou tão comprometido que não se consegue chegar ao orgasmo. Essa disfunção sexual é gradativa, e acontece conforme a depressão vai-se agravando (veja Depressão e Disfunção Sexual).

Geralmente o tratamento da depressão tratará também a disfunção sexual de maneira indireta. Apesar de muitos antidepressivos terem como efeito colateral a diminuição do desejo sexual, mesmo assim a sexualidade vai voltando ao normal conforme vai melhorando a depressão. Quando os antidepressivos forem diminuídos ou suspensos a sexualidade voltará ao que era antes da Depressão.

A falta de desejo sexual pode comprometer uma relação na medida em que o(a) parceiro(a) sente-se deixado de lado, ou pior, suspeita de não estar mais sendo amado ou que pode estar sendo traído. Quando sozinha (ou solteira) a baixa da libido pode impedir a pessoa com depressão de começar qualquer relacionamento novo, principalmente porque, além da Disfunção Sexual, estará presente também uma baixa auto-estima.

Adriana Tucci verificou ainda que, de um modo geral, o papel sexual, tanto para pessoas casadas quanto para as não-casadas, foi o item que encontrou piores resultados adaptativos, com alta proporção de sujeitos com ajustamento ruim. Interesse em arrumar trabalho também teve alta proporção de pacientes com desempenho ruim, assim como foram ruins os interesses em adquirir informações, seguido pelo isolamento social.

 

Quando o Transtorno é Bipolar

Gitlin et al (1995), em estudo prospectivo de 82 pacientes com Transtorno Afetivo Bipolar (veja TAB), verificaram que a adaptação social era boa apenas para 39% dos pacientes e com perdas razoáveis ou intensas para 62% deles. No trabalho de Kocsis et al (1997), há mais de 10 anos, os pacientes distímicos apresentaram prejuízos nos papéis sociais analisados, tais como, no trabalho, vida em família, tempo para atividades sociais e lazer.

A convivência é difícil no TAB porque esses pacientes costumam ter Episódios de Euforia e Episódios de Depressão, sendo que, na euforia, eles costumam colocar em risco a harmonia doméstica, o relacionamento íntimo, o patrimônio material e a segurança daqueles que com quem convive. Nos Episódios Depressivos, a apatia, desinteresse, perda do prazer, tendência ao isolamento, entre outros, complicam sobremaneira a convivência.
Um fator importante na melhoria da qualidade no relacionamento com pessoas bipolares é a excelente perspectiva de sucesso do tratamento, tanto nas fases agudas quanto na profilaxia dos episódios. O lítio, por exemplo, assim como outros estabilizadores do humor, diminuem expressivamente as possibilidades de recaída dos episódios de euforia nos Transtornos Afetivos Bipolares, os antidepressivos melhoram as relações interpessoais e o funcionamento global dos pacientes (Winokur,1993), prevenindo muita vezes os episódios de depressão.

O episódio de euforia se traduz por um estado de completa, artificial e patológica satisfação e felicidade. Verificam-se elevação do estado de ânimo, aceleração do curso do pensamento, loquacidade, vivacidade da mímica facial, aumento da gesticulação, riso fácil e logorréia. É muito difícil conviver harmonicamente com uma pessoa eufórica.

O tema “Abuso no Relacionamento Íntimo” é tratado em outra página desse site (seção Feminino) e pode estar presente na convivência com pessoas bipolares, especialmente durante episódios de euforia.

 

Quando o Transtorno é Depressivo Recorrente

Trata-se de um transtorno caracterizado pela ocorrência repetida de episódios depressivos, leves, moderados ou graves. O primeiro episódio pode ocorrer em qualquer idade, da infância à senilidade, sendo que o início pode ser agudo ou insidioso e a duração variável de algumas semanas a alguns meses. O marcante desses episódios é a apatia durante a crise depressiva, diminuição da energia física e mental, cansaço e fadiga crônicos, muitas vezes responsáveis por inúmeros exames de sangue a que se submetem os pacientes. O deprimido pode relatar fadiga persistente sem esforço físico compatível e as tarefas mais leves parecem exigir mais esforço que o habitual.

Também pode haver diminuição na eficiência para realizar tarefas. A pessoa deprimida pode queixar-se, por exemplo, de que as coisas levam o dobro do tempo habitual para serem feitas. Na depressão também é muito freqüente um certo prejuízo na capacidade de pensar, de concentrar-se ou de tomar decisões. Os depressivos podem se queixar de enfraquecimento de memória ou mostrar-se facilmente distraídas.

A produtividade ocupacional costuma estar prejudicada, notadamente nas pessoas com atividades acadêmicas ou profissionais intelectualmente exigentes. Frequentemente existem pensamentos sobre morte durante o Episódio Depressivo. Trata-se, não apenas da ideação suicida típica, mas também da preferência em estar morto ainda que não propositadamente. O que torna a convivência e o relacionamento muito problemático com a pessoa que atravessa um episódio depressivo é a baixa auto-estima. Por conta disso o ciúme e a sensação de estar sendo menos gostado, de estar atrapalhando, sendo um ‘peso morto’, têm papel importante.

 

Quando o problema é a Distimia

A característica essencial do Transtorno Distímico é um humor cronicamente deprimido que ocorre na maior parte do dia, na maioria dos dias, na maior parte dos meses. As pessoas com Transtorno Distímico descrevem seu humor como triste ou “na fossa”, mas na realidade elas são mau-humoradas. Pode haver baixa energia ou fadiga, baixa auto-estima, fraca concentração ou dificuldade em tomar decisões e sentimentos de desesperança. Os indivíduos podem notar a presença proeminente de baixo interesse e de autocrítica, freqüentemente vendo a si mesmos como desinteressantes ou incapazes. Como estes sintomas tornaram-se uma parte tão presente na experiência cotidiana do indivíduo (por ex., “Sempre fui deste jeito”, “É assim que sou”), eles em geral não são relatados, a menos que diretamente investigados pelo entrevistador.

Para os distímicos os fatos da vida são percebidos com muita amargura e são mais difíceis de suportar, de forma que as vivências desagradáveis são ruminadas por muito tempo e revividas com intensidade, sofrimento e emoção. Já as vivências mais agradáveis passam quase desapercebidas, são fugazes e esquecidas com rapidez.

Conviver ou relacionar-se com pessoas assim mau-humoradas, implicantes, exigentes e negativas, digamos, dispensa comentários. Muitas pessoas distímicas não procuram ajuda por vergonha, por medo de serem vistos como “loucos” ou pessoas psiquicamente problemáticas, mas se soubesse da melhoria nas condições de vida com o tratamento com antidepressivos essas barreiras seriam facilmente superadas.

Ballone GJ – Depressão e Relacionamento Pessoal – in. PsiqWeb

Depressão e Câncer

Depressão e Câncer

As pessoas que recebem um diagnóstico de câncer, passam por vários níveis de estresse e angústia emocional. O medo da morte, a interrupção de planos futuros, as mudanças físicas e psíquicos, as mudanças do papel social e do estilo de vida, bem como as preocupações financeiras e legais são assuntos importantes para qualquer pessoa com câncer. Entretanto, nem todas as pessoas com diagnóstico de câncer sofrem uma depressão grave.

Existem muitas idéias preconcebidas e falsas sobre o câncer e sobre como vivem os pacientes com câncer. Por exemplo, a ideia de que todas as pessoas com câncer sofrem, obrigatoriamente, de depressão. Ou ainda, a idéia de que a depressão é normal nas pessoas com câncer, que no existe tratamento para ajudar com a depressão da pessoa com câncer, ou que todos os pacientes com câncer sofrem muitíssimo e têm uma morte muito dolorosa.

A tristeza e o pesar são reações normais às crises que se enfrenta ao se saber com câncer, e todos pacientes as sofrem num momento ou outro. Não obstante, sendo a tristeza comum nesses pacientes, será muito importante distinguir entre os níveis “normais” de tristeza e a depressão.

Uma das partes mais importantes no cuidado de pacientes com câncer é, exatamente, saber reconhecer quando necessitam de tratamento para a depressão. Algumas pessoas têm mais dificuldades que outras para aceitar o diagnóstico de câncer e a desadaptação à essa condição existencial pode precipitar uma Depressão Grave, a qual acaba acometendo 25% desses casos. Nesse caso, já não se trata simplesmente de estar triste ou desanimado.

Assim sendo, basicamente todos os pacientes com câncer sentem tristeza e pesar de forma periódica durante alguma fase de sua doença, seja no diagnóstico, durante o tratamento e/ou depois dele. Inicialmente, quando é comunicado o diagnóstico de câncer ao o paciente, a primeira reação emocional é de descrença, rejeição (negação) ou desespero.

Nessa fase de negação a pessoa pode ter problemas de insônia, perder o apetite, sentir-se angustiada e estar preocupada com o futuro. Esses sintomas podem diminuir conforme ela vai se acostumando com o diagnóstico.

Um dos sinais de que a pessoa está tendo melhor aceitação de sua doença, é a manutenção da capacidade para continuar participando das atividades diárias e sua habilidade para continuar cumprindo seu papel social, de cônjuge, pai (mãe), funcionário(a), etc, incorporando as sessões de tratamento em seu esquema de vida cotidiano.

Por outro lado e, inversamente, aquelas pessoas que demoram muito em aceitar o diagnóstico e perdem o interesse em suas atividades diárias pode ser um forte indício de Depressão.

Uma preocupação muitíssima importante é em relação aos pacientes que no demonstram sintomas óbvios e típicos de depressão. Esses terão uma série de manifestações emocionais patológicas não só extremamente molestas, como também, capazes de interferir negativamente na evolução do tratamento. Esses pacientes com depressão atípica também podem beneficiar-se muito do tratamento.

Tanto os indivíduos como as famílias que se enfrentam a um diagnóstico de câncer experimentaram diversos níveis de estresse e de perturbação emocional. A Depressão aparece como uma doença comórbida, aproximadamente 25% de todos pacientes com câncer (Henriksson – 1995). O medo da morte, alteração dos planos de vida, mudanças na imagem corporal, abalo na autoestima, mudanças na situação social e no estilo de vida, assim como preocupações econômicas e ocupacionais são assuntos importantes na vida de qualquer pessoa com câncer e, ainda assim, nem todos os que estão diagnosticados com câncer experimentam Depressão Grave, como se poderia pensar.

Existem muitos mitos sobre o câncer e da maneira como as pessoas o enfrentam. Alguns desses mitos seria, por exemplo: todas as pessoas com câncer estão deprimidas, a Depressão numa pessoa com câncer é normal, os tratamentos antidepressivos não ajudam a Depressão no câncer.

 

Mitos sobre o Câncer

Todas as pessoas com câncer estão deprimidas
Depressão numa pessoa com câncer é normal
Tratamentos não ajudam a Depressão no câncer
Todos com Câncer sofreram uma morte dolorosa

Sendo a tristeza uma reação comum à qual todas as pessoas com câncer têm que enfrentar e, sendo também a Depressão bastante comum nesses pacientes, é importante distinguirmos entre os graus normais dessa tristeza e os Transtornos Depressivos francos.

Dependendo da personalidade e do perfil afetivo de cada paciente, alguns podem ter severas dificuldades em se ajustar emocionalmente ao diagnóstico de câncer. O quadro a que estão sujeitas essas pessoas mais sensíveis não diz respeito, simplesmente, à tristeza, aos pensamentos negativos ou à falta de ânimo. Elas podem desenvolver a Depressão Grave (ou Maior). Como vimos, esses 15 a 20% de pacientes têm Depressão Maior e devem ser tratados, para que melhore a qualidade de vida e, principalmente, as perspectivas de sucesso no tratamento oncológico (Massie, 1987; Lynch, 1995).

 

A Reação Vivencial ao Câncer

Inicialmente, a resposta emocional diante do diagnóstico de câncer pode ser relativamente breve, durando alguns dias ou semanas, e pode incluir sentimentos de incredulidade e rejeição da doença ou, de desespero. Esta resposta emocional é considerada fisiologicamente normal e se situa dentro de um espectro de sintomas depressivos que vai, progressivamente, desde a tristeza normal, até um Transtorno de Adaptação do tipo depressivo ou, mais grave, até uma Depressão Maior. Em seguida vem um período de disforia, marcado por uma confusão emocional crescente. Durante este tempo a pessoa experimentará transtornos do sono e do apetite, ansiedade, ironias e críticas amargas e medo do futuro.

Além de algumas pesquisas apontarem entre 15 e 25% a porcentagem de pacientes com câncer que desenvolvem um quadro de Depressão emocional comórbida, outros estudos epidemiológicos indicam que, no mínimo, metade de todos as pessoas diagnosticadas com câncer se adaptou satisfatoriamente. Spencer (1998) sugeriu alguns indicadores sugestivos de adaptação satisfatória. Seriam:

  1. manter-se ativo nos afazeres cotidianos;
  2. reduzir ao mínimo o impacto da doença nos papeis cotidianos (de pai, cônjuge, empregado, etc.), e;
  3. controlar as emoções normais à doença.

Por outro lado, existem também indicadores sugestivos da necessidade de se efetuar uma intervenção o mais precoce possível:

Indícios da necessidade de tratamento para Depressão

  1. Antecedentes pessoais de Depressão;
  2. Sistema precário de respaldo social, tais como: ser solteiro, ter poucos amigos, ambiente de trabalho solitário;
  3. Crenças persistentes e irracionais ou negação à respeito do diagnóstico (alguns aidéticos se recusam a acreditar em sua doença);
  4. Prognóstico mais grave do tipo e estadiamento do câncer;
  5. Maior disfunção orgânica consequente ao câncer.

Alguns níveis de Depressão se consideram leves e subclínicos, normalmente quando inclui apenas alguns, mas não todos, dos critérios para o diagnóstico de Depressão Grave (Veja os critérios de diagnóstico em DSM.IV). Ainda se tratando de Depressão Leve, poderia ser também angustiante e necessitar de certa intervenção, como por exemplo, a terapia de grupo ou individual, tanto através de um profissional de saúde mental como dos vários grupos de apoio ou auto-ajuda (Meyer, 1995).

Mesmo na ausência de sintomas expressivos de Depressão muitos pacientes manifestam interesse na terapia de apoio, embora nem sempre esses pacientes são encaminhados a um profissional de saúde mental qualificado. Quando não tratados esses casos de Depressão (ainda que leves), depois de terem aparentemente desaparecido, podem recorrerem, se intensificarem e se tornarem duradouros (Massie, 1989; Massie, 1993; Weisman, 1976).

 

O diagnóstico psiquiátrico nas crianças com câncer

As informações sobre a incidência de depressão em crianças fisicamente saudáveis ainda são limitadas e, muitas vezes, contraditórias. Estudos, não tão recentes, em ambulatórios de pediatria mostram que 38% das crianças apresentam problemas suficientes para justificar uma intervenção psicológica-psiquiátrica.

Algumas pesquisas falam que, entre as idades de 7 a 12 anos, há uma incidência de depressão de 1,9%. Se esses números são verdadeiros, pode-se estimar entre 10 a 15% de alunos deprimidos nas escolas. Em 1982, uma comissão conjunta sobre Saúde Mental Pediátrica nos Estados Unidos indicava que 1,4 milhões de crianças abaixo dos 18 anos de idade, necessitavam de ajuda imediata para transtornos depressivos. (Deuber, 1982).

Em relação ao câncer, tudo leva a crer que a maioria das crianças é capaz de lidar com o caos emocional ocasionado pela doença, e não só dar mostras de boa adaptação mas, muitas vezes, fazendo isso melhor que os adultos com câncer e, frequentemente, muito melhor que seus pais.

Nos momentos imediatos e mediatos ao diagnóstico do câncer infantil os resultados podem ser diferentes. Crianças e pais entrevistadas imediatamente depois do diagnóstico do câncer tiveram significativamente mais problemas psicológicos do que as crianças e pais da população geral. Entretanto, em avaliações subsequentes, não havia nenhuma diferença na incidência de problemas psicológicos experimentados por crianças e pais nos dois grupos.

A longo prazo, a prevalência dos problemas psicológicos experimentados por crianças com câncer e em tratamento oncológico, bem como a prevalência dos problemas psicológicos experimentados por seus pais, não diferem das incidências encontrados nas crianças e pais da comunidade geral (Sawyer, 2000).

Rait (1988) analisou as consultas psiquiátricas de um centro de oncologia pediátrica, e encontrou os Transtornos do Ajustamento como o principal diagnóstico psiquiátrico. Essa predileção para os Transtornos de Adaptação nas crianças com câncer é bastante similar aos pacientes adultos com câncer.

Rait também notou que as reações de Ansiedade eram mais comuns nos pacientes pediátricos mais jovens, enquanto os Transtornos Depressivos eram mais comuns nos pacientes de maior idade. E, de fato, anos antes Kashani (1982) já havia encontrado 17% de incidência da depressão, baseado nos critérios do DSM III. Em termos de depressão e população geral, esses 17% não querem dizer muita coisa. Notadamente se deixarmos de lado os níveis e graus daquilo que os autores chamam de depressão. Mas, falando em graus de depressão, Tebbi encontrou, num estudo de 1988, uma taxa de Depressão Maior entre pacientes adolescentes com câncer semelhante à da população em geral.

Apesar dessas felizes evidências de boa adaptação na maioria dos pacientes infantis de câncer, juntamente com uma maior capacidade de recuperação e maior êxito no reajuste social do que os pacientes adultos com câncer, a maior parte dos estudos nos mostra um importante subgrupo de pacientes com câncer que, depois de tratados, experimentam importantes dificuldades vivenciais.

Durante a quimioterapia, e em relação ao bem estar emocional, as crianças da oncologia foram notavelmente similares às crianças sadias. Inclusive, uma boa parcela delas obtiveram escores melhores em diversas dimensões do funcionamento social que as crianças sadias controles (Noll, 1999). Mas, os efeitos do estresse do tratamento podem surgir depois.

Recentemente foram investigadas 51 crianças e adolescentes com câncer, entre 8 e18 anos, divididos em dois subgrupos; um em tratamento para o câncer e outro já tratado. As crianças e os adolescentes em tratamento mostraram níveis de depressão e de ansiedade comparáveis àqueles de crianças saudáveis, como temos dito até agora. Entretanto, algumas crianças e adolescentes que haviam terminado o tratamento mostraram níveis de depressão e de ansiedade diferentes das crianças saudáveis.

Entre as crianças e adolescentes fora de tratamento, foi de 14% a incidência de um nível mais elevado do depressão. Esses achados sugerem que o período depois que termina o tratamento pode ser caracterizada por um risco mais elevado para problemas emocionais do que o período real do tratamento (von Essen, 2000).

Greenberg (1989) também já havia apresentado dados mostrando maior prevalência de funcionamento dentro dos limites normais em pacientes infantis tratados de câncer, mas ressaltou que as crianças vitimadas por efeitos mais severos da doença ou do tratamento mostravam mais sintomas depressivos.

Se alguma ideia pode ser simploriamente extraída desses dados é a de que, felizmente, a grande maioria das crianças com câncer não apresenta quadros depressivos graves ou maiores.

Entre os pacientes que manifestam transtorno emocional, na maioria deles os Transtornos da Adaptação prevalecem, assim como prevalecem sintomas de Ansiedade em crianças mais jovens e sintomas de Depressão naquelas com mais idade. Seriam, então, Transtornos de Adaptação com sintomas ansiosos e depressivos (dependendo da idade das crianças). Também parece claro que os pacientes de mais idade prevalecem entre aqueles que desenvolvem os transtornos emocionais juntamente com o câncer.

Podemos ainda aproveitar a ideia, facilmente constatável na experiência clínica, de que muitos pacientes vão apresentar transtornos emocionais depois do tratamento para o câncer, e a incidência desses é maior do que aqueles que se desestruturam emocionalmente durante o diagnóstico, a doença e o tratamento.

 

Avaliação e Diagnóstico da Depressão Pediátrica

O termo depressão pode significar um sintoma que faz parte de inúmeros distúrbios emocionais sem ser exclusivo de nenhum deles, pode significar uma síndrome traduzida por muitos e variáveis sintomas somáticos ou ainda, pode significar uma doença, caracterizada por marcantes alterações afetivas. A atitude de tristeza, por exemplo, pode ser a resposta psicológica de uma criança diante do trauma, e normalmente é de curta duração. Já, a depressão doença se caracteriza por uma duração prolongada e vem acompanhada de outros sintomas, tal como, insônia, irritabilidade, mudanças dos hábitos alimentícios e uma deterioração no ajuste escolar e social.

Sempre que um problema de atitude e comportamento se mostrar persistente em crianças, devemos pensar na Depressão Infantil . A Depressão Infantil não é a mesma coisa que períodos transitórios de tristeza na criança, mas é um transtorno característico que compromete o desenvolvimento emocional, social e escolar (Deuber, 1982). Aliás, existem muitas crianças deprimidas que apresentam uma exuberante lista de alterações emocionais e comportamentais menos a tristeza.

Algumas de as manifestações de depressão na criança de idade escolar, incluem anorexia, apatia, desinteresse, agressividade, hiperatividade, rebeldia, tiques, somatização, medo, frustração, autocrítica patológica, baixa autoestima, recusa a ir à escola, problemas de aprendizagem, hostilidade aos pais e professores, perda de interesse nas atividades que antes davam prazer e, eventualmente, sentimentos de tristeza ou desesperança. Como se vê, se a tristeza é elemento de diagnóstico valioso no público adulto, ela não o é tanto assim no infantil.

A avaliação da depressão da criança com câncer inclui:

Determinar a situação familiar, o nível de maturidade emocional e a capacidade para lidar com a doença e com o tratamento,
Avaliar a idade e grau de desenvolvimento da criança, e
Verificar a existência de experiência pessoal prévia com outras doenças (Archenbach, 1983).

A avaliação exaustiva do paciente suspeito de Depressão Infantil é a base para o diagnóstico e tratamento corretos. A análise da situação pessoal da criança, assim como de sua situação familiar, se baseia no seguinte:

Em sua historia clínica e de saúde,
Em sua conduta observada pelo profissional, ou por outros (como os pais, professores),
Na entrevista
No uso de provas de diagnóstico, como por exemplo, do Inventario de Beck para depressão, ou a Lista da Conduta Infantil (Manual for the Child Behavior Checklist and Revised Child Behavior Profile, in Archenbach, 1983).

 

Diagnóstico

Ao discutir o diagnóstico da Depressão Infantil, há uma tendência a entendê-la diferentemente da depressão do adulto. O diagnóstico da depressão na infância tem de ser feito em bases predominantemente clínicas, muitas vezes usando-se os mesmos critérios da Depressão Maior do adulto, embora, obrigatoriamente, o quadro da Depressão Infantil se altere substancialmente tanto quanto mais jovem for o paciente.

Examinando-se a criança, nem sempre encontramos de modo claro, sintomas francos que representem seu estado depressivo interno. Um esforço de bom senso e perspicácia deve ser dedicado ao exame clínico, buscando aumentar as possibilidades da criança menor ser compreendida quanto aos seus sentimentos, embora muitas vezes tais sentimentos sejam de difícil identificação. Em muitos casos, observamos apenas uma maior sensibilidade emocional, choro fácil, inquietação, rebeldia e irritabilidade.

Malmquist (1983) recomenda para os transtornos afetivos infantis o uso dos seguintes critérios:

Humor disfórico em crianças menores de 6 anos de idade que apresentam expressão facial “triste” com pelo menos 4 dos seguintes sinais ou sintomas presentes:

  1. Transtornos do apetite, insônia ou hipersonia
  2. Agitação ou lentidão psicomotora
  3. Perda de interesse ou prazer nas atividades usuais ou, nas crianças menores de 6 anos, apatia
  4. Fatiga ou perda de energia
  5. Sentimentos de inutilidade e de não valer nada, auto-reprovação, ou sentimentos de culpa inapropriados
  6. Redução na capacidade de pensar ou concentrar-se, e pensamentos recorrente sobre a morte ou suicídio.

 

Manejo da Depressão Infantil

Desde que hajam condições de compreensão cognitiva satisfatória deve-se considerar a psicoterapia de grupo e individual como uma modalidade de tratamento primário. O objetivo dessa terapia é ajudar a criança a dominar suas dificuldades e fazer que se desenvolva de forma ótima. Pode-se usar a terapia de jogo como uma forma de explorar a visão que a criança têm de si mesma, da doença e de seu tratamento. A principio para compreender, a um nível apropriado para sua idade, a criança necessita receber ajuda desde o diagnóstico (Deuber, 1982).

Ballone GJ – Câncer e Depressão – in. PsiqWeb

Depressão

Depressão

Entrevista: Márcio Funghi de Salles Barbosa

O psiquiatra Márcio Funghi de Salles Barbosa fala sobre a Depressão e nos mostra como identificar seus sintomas.

P: Qual o papel do estresse sobre a depressão?

Barbosa: Nas depressões adquiridas o estresse é o fator desencadeante e dependendo da sua intensidade e dos fatores do indivíduo, poderemos ter depressão aguda (súbita) ou crônica (de longa formação). Na depressão aguda o fato estressante aniquila o indivíduo e este cai em profunda prostração, podendo chegar ao suicídio, se não lhe dermos provas rápidas de que existe solução para seu problema.

P: Na depressão crônica, o estresse é mais brando?

Barbosa: Nem sempre. Muitas vezes, a um estresse intenso, pode surgir um quadro depressivo de longa duração, um pouco mais brando que no momento inicial, mas de forma também destruidora. Na maioria das vezes a depressão crônica é precedida de uma série de acontecimentos que geram estresses e depois de algum tempo, cria-se um estado de preocupação com o que está para acontecer, chamado de Distress, que é o Distúrbio do Estresse. Aos poucos ele gera uma deficiência de substâncias químicas no sistema nervoso, levando o indivíduo à depressão.

P: Existe também depressão orgânica?

Barbosa: Existem “depressões orgânicas”, isto é, causadas por distúrbios orgânicos, como a epilepsia, a esquizofrenia, a AIDS, a arteriosclerose, o câncer e tantas outras doenças. Existe inclusive uma Depressão Maior, que é genética, causada por múltiplas deficiências do Sistema Nervoso, que quando alterna com um comportamento agitado, euforizante, é chamado de Transtorno.
Bipolar.

P: É possível haver cura da depressão sem tratamento?

Barbosa: É possível e ocorre mais em pacientes com depressão que surge como reação a problemas físicos, situacionais ou em momentos de extrema tristeza. Entretanto, é bom saber que, mesmo na Depressão Maior, a primeira crise costuma ceder com medicamento errado ou insuficiente, ou ainda sem medicamento nenhum, mas poderá voltar em novos surtos, muitas vezes mais intensos que o primeiro.

P: Psicoterapia ou medicação, qual o melhor tratamento?

Barbosa: Certa vez um clínico me ligou, para me pedir que eu desse uma bronca em uma nossa paciente, que havia ido a um “curador”, para tentar se curar da depressão. Acalmei-o e quando ela chegou, com medo da bronca, eu perguntei se tinha dado alguma ajuda. Ao dizer que não, eu respondi: ”Que pena!” Coitado de quem se julga capaz de usar um só recurso, para todos os clientes. Vão perder muitos…

P: Que tipos de problemas costumam ser observados no tratamento medicamentoso da depressão?

Barbosa: Os problemas observados costumam ser passageiros e se referem à adaptação medicamentosa, sendo os mais comuns, ligeira atordoação, sonolência leve e queixas gastro-intestinais, como náuseas leves, formação de gases com abdome distendido e por mais freqüentemente, prisão de ventre. Ao se receitar um antidepressivo observamos os efeitos colaterais e se não forem atenuados ao nível da boa tolerância, devemos procurar outros compostos.

Como a maior incidência é de problemas digestivos, junto com os medicamentos nós estamos instituindo farta dieta líquida, frutas com aveia e mel, verduras, fibras e estamos contentes com os resultados obtidos com a inserção de lactobacilos no dia a dia dos nossos pacientes. Eles agem impedindo a agressão mais severa dos medicamentos e temos visto casos de correção imediata das constipações intestinais, levando ainda em conta, que os intestinos com uma flora normal resistente a agressões, propiciam uma melhor absorção medicamentosa, com redução de doses e de sintomas colaterais.

Contudo, o médico deve avaliar os riscos/benefícios do uso de um determinado antidepressivo, pois muitas vezes a medicação, embora satisfatória no combate à depressão, pode gerar um estado de ansiedade/irritabilidade, se produz reações sérias, como não evacuar, ou não ter uma boa digestão.

P: Lendo o quadro abaixo, vimos que existe uma distinção de sintomas físicos, psíquicos e afetivos. Os compartimentos são separados?

Barbosa: De forma alguma! Sintomas físicos podem surgir como resposta a descontroles afetivos, que por sua vez podem surgir por alterações físicas ou psicológicas. Os estudos sobre a química cerebral mostram cada vez mais a inter-relação entre o físico, respondendo ao psíquico. Chamo a atenção para algumas das observações existentes no quadro a seguir. Elas mostram exatamente isto.

P: Quando saber se há a depressão, uma vez que muitas pessoas têm ocasionalmente alguns destes sintomas?

Barbosa: A certeza de que existe um processo de depressão, surge quando existem simultaneamente dez sintomas entre os mais frequentes, por um período de dois meses seguidos ou mais.

P: Por que vemos alguns médicos afirmando aos pacientes, que a Depressão é falta de força, caráter ou de auto-esforço?

Barbosa: Também entre os médicos existem deprimidos que querem crer nesta bobagem. Quem pensa assim, médico ou não, é desinformado.

P: É possível perceber pessoas que não são deprimidas, mas que exibem estes sintomas?

Barbosa: Com muita frequência! Principalmente entre os portadores de outras doenças, entre os fanáticos por dietas, entre os compulsivos, como os jogadores, trabalhadores, bebedores, drogaditos e uma enorme gama de problemas psíquicos, físicos, situacionais. A própria definição de saúde diz que “Saúde é (utopicamente) o perfeito equilíbrio entre o bem estar físico, psíquico e social”. No mundo de hoje com os políticos e poderosos se desintegrando, num processo utópico de compensação da própria inferioridade, com destruição da “res-pública”, será possível que existam sadios entre a população comum? O pior é que concluímos a cada dia, que o processo atual é quase inevitável, para a queda que antecede ao próximo crescimento social. Sempre foi assim, ao longo da história.

 

CONHEÇA UM POUCO MAIS SOBRE A DEPRESSÃO:

O primeiro passo para falar sobre depressão é ressaltar que ninguém tem culpa de ter depressão. Assim como ninguém tem culpa de ter diabetes ou miopia. Mas o fato de não ser culpado não quer dizer que não temos que cuidar dela.

Diversas vezes eu ouvi as pessoas dizerem que a cura para depressão é “um tanque cheio de roupas sujas para lavar”. Por mais que seja uma brincadeira reflete bem a idéia de algumas pessoas, que é falta de vontade, preguiça, falta do que fazer, etc. Muitas pessoas não procuram tratamento adequado por vergonha, por considerar uma fraqueza ou mesmo por receio de “viciar” nos antidepressivos.

A primeira boa notícia é que a depressão pode e deve ser tratada.

A segunda é que os antidepressivos não viciam, como se diz popularmente. No entanto, eles devem ser tomados somente sob prescrição médica, que irá orientar sobre o medicamento ideal, doses, possíveis mudanças e o momento oportuno para parar.

A depressão é uma doença que afeta a pessoa de uma forma global.

Sentir-se triste, “na fossa” e desanimado por um período crítico em nossa vida é muito natural. Mas sentir-se assim por longos períodos, intensamente e/ou constantemente pode ser um sinal de que esteja precisando se cuidar.

A depressão é causada por uma combinação desses fatores:

O Fator genético: acredita-se atualmente que existe uma hereditariedade na causa da depressão. Isso quer dizer que você pode ser mais vulnerável a ter depressão se tem parentes próximos que já tiveram. Mas não existe regra fixa para isso. Uma pessoa pode não apresentar nenhum sintoma mesmo tendo parentes próximos com depressão assim como outra pode ter depressão mesmo que ninguém na família tenha tido.

o Fator biológico: existe um desequilíbrio de substâncias químicas existentes no cérebro.

o Fator Psicológico: auto-estima baixa, desvalorização pessoal e dificuldade em lidar com fatores estressantes, etc.

Situações externas adversas, uso abusivo de álcool ou drogas, alguns medicamentos e outras doenças não-psiquiátricas também podem desencadear a depressão.

Seus principais sintomas são:
Perda ou diminuição de prazer;
Alteração no sono; (aumento ou diminuição)
Alteração no apetite; (aumento ou diminuição)
Sentimento de tristeza, ansiedade e desânimo;
Cansaço ou perda de energia;
Sentimento de culpa ou de autodesvalorização;
Pensamentos constantes sobre morte ou suicídio;
Dificuldade de concentração, memória e indecisão;
Dor de cabeça, dificuldades sexuais, problemas digestivos e dores crônicas.

Esses sintomas podem variar de pessoa para pessoa em sua intensidade e forma. Um sintoma isolado não significa que esteja com depressão.
O tratamento através da associação entre psicoterapia e psiquiatria tem resultados muito satisfatórios para grande parte das pessoas que sofrem de depressão. O psiquiátrico inclui a introdução de antidepressivo e o acompanhamento para avaliar a sua eficácia. E o psicoterapêutico pode auxiliar a pessoa a entender e lidar com os sintomas da depressão e possibilitar um melhor conhecimento e desenvolvimento pessoal.

Algumas pessoas desistem do tratamento por acreditar que o medicamento não está fazendo efeito. Mas é importante lembrar que existem diversos tipos de antidepressivos e nem sempre o organismo reage de forma adequada ao primeiro medicamento. Por isso a importância de ter um acompanhamento com o psiquiatra.

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