Categoria: Família

como adotar uma criança

Como adotar uma criança?

Como adotar uma criança?

As 6 perguntas mais importantes que você precisa fazer se quiser adotar uma criança ou adolescente.

 By  Psicóloga Mara Regina

 

Trabalhando como Psicóloga Judiciária, em Vara de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, ao longo dos anos convivi com o acompanhamento de processos judiciais, sendo que parte desses envolviam adoções de crianças e adolescentes. Nessa experiência, aprofundei meu conhecimento teórico e passei a enxergar várias formas de adoção à minha volta. São histórias reais que, como nos contos de fada, também falam de “príncipes” e “princesas” abandonados/encontrados e sobre como essas histórias foram reescritas. Falam de renúncias, de etapas e tarefas a serem cumpridas para que seja atingido um objetivo, da procura e de encontros que muitas vezes parecem mágicos. Gerar um filho é criar, produzir, vincula-se ao mecanismo de preservação da espécie, de reproduzir, podendo apenas retratar um ato puramente fisiológico, instintivo, natural. Adotar uma criança ou adolescente implica em escolha, procura, em compromisso.

 

1 – O que acontece com uma criança para que seja encaminhada à adoção?

 

Até chegar a ser adotada, uma criança já terá passado por algumas situações. Sua genitora pode ter dado à luz, deixado a maternidade levando-a consigo (quando o parto aí se deu, apesar de muitos ocorrerem fora do ambiente hospitalar) e a abandonado em algum canto da cidade. Na melhor das hipóteses, terá comunicado aos funcionários da maternidade ou a alguém que a acompanhe o desejo de entregar a(o) filha(o) para adoção e a entidade tomara as providências legais. Em momento oportuno, a genitora (e o genitor, que raramente a acompanha) se apresentará à Vara da Infância e Juventude da região onde a criança nasceu para formalizar a entrega da criança em Juízo, ocasião em que será entrevistada por profissionais das áreas de Serviço Social e Psicologia e passará por audiência com o(a) Juiz(a) titular, quando será destituída do poder familiar. O abandono puro e simples de recém-nascido é crime, com pena prevista em lei, enquando a entrega em Juízo é considerada como gesto de renúncia, diante do reconhecimento da impossibilidade de criar um criança. A genitora que abre mão da(o) filha(o) age no sentido de protegê-la(o), oferecendo lhe as oportunidades de desenvolvimento que reconhece não estarem a seu alcance.

 

2 – Se eu souber que uma mulher está grávida, ou já deu à luz, e não quer ficar com a criança, posso pegá-la para mim?



Não!

Por mais que você se sensibilize, que acredite tratar-se de intervenção divina, o fato deve ser comunicado às autoridades, em primeiro lugar. Caso um recém-nascido seja encontrado pelas ruas, pode-se acolhê-lo como forma de protegê-lo momentaneamente, mas deve-se imediatamente comunicar a polícia. Caso tenha conhecimento da pretensão da gestante/genitora de entregar a criança, deve-se antes de mais nada procurar a Vara de Infância e Juventude da região de sua residência e comunicar o fato. Caso apenas assuma os cuidados, futuramente poderá ser obrigada e entregar a criança em Juízo e perderá qualquer chance de vir a adotá-la. Isso também inclui familiares diretos e indiretos da genitora e pessoas que já estejam cadastrados, em fila de espera para adoção. Apenas com a autorização do(a) Juiz(a), pode-se assumir os cuidados de uma criança que encontra-se afastada da genitora, sob quaisquer circunstâncias.

 

3 – Cadastros de Pretendentes à Adoção

 

Qualquer pessoa – solteira, casada, em relação estável, em relação homoafetiva – pode ser candidata à adoção. Caso haja interesse, basta procurar a Vara da Infância e Juventude correspondente à sua residência, solicitando a relação de documentos e fotos a serem apresentados. Quando os documentos forem entregues, será iniciado o processo de avaliação, com preenchimento de ficha de inscrição, em que são expressas as características da(s) criança(s) pretendida(s), agendamento de entrevistas e visitas pelos Setores Técnicos (Assistentes Sociais e Psicólogos). Você também deverá participar de cursos de preparação, normalmente oferecidos pela própria Vara da Infância e por Grupos de Apoio à Adoção. No final do processo, caso haja aprovação pelos técnicos e Ministério Público (representado pelo Promotor de Justiça da Vara), o(s) pretendente(s) será(ão) considerado(s) habilitato(s) pelo(a) Juiz(a) responsável e passará(ão) a aguardar em fila de espera, o Cadastro de Pretendentes à Adoção. Atualmente tanto o Cadastro de Pretendentes como o de Crianças Disponíveis para Adoção são nacionais, sendo que quando do preenchimento da ficha de inscrição você indicará em que Estados se dispõe a viajar caso haja ali criança(s) disponível(is) para adoção.

 

4 – A criança entregue pela genitora vai para um orfanato?



Atualmente o que existem são serviços de acolhimento institucional, mais conhecidos como abrigos. São casas que tentam reproduzir o ambiente familiar, com o máximo de 20 crianças e adolescentes de 0 até 17 anos e 11 meses. Ali residem tanto aqueles que foram entregues para adoção como os que foram afastados das famílias por risco pessoal e/ou social, cujos responsáveis encontram-se temporariamente impossibilitados de cumprir suas funções.

 

5 – Se eu quiser adotar posso ir procurar uma criança em um abrigo?

 

Não!

Principalmente porque apenas as Varas da Infância e Juventude tem conhecimento de quais crianças estão disponíveis para adoção. Nos serviços de acolhimento há muitas crianças que continuam vinculadas às famílias de origem, sendo que muitas recebem visitas de familiares. Você pode vir a se encantar por uma criança que nunca poderá ser sua.

 

6- Como fica a situação da criança que foi encaminhada para a adoção?

 

Como já abordado, todos fazem o mesmo percurso na construção da identidade, no texto

O Nascimento do Herói”  você encontra mais informações sobre a estrutura psicológica.

A união entre mãe e filho vai sendo progressivamente rompida, uma necessidade para o desenvolvimento. Porém, no caso da adoção, a ligação é interrompida bruscamente. As crianças afastadas da mãe biológica tem esse laço rompido abruptamente, perdem o colo que naturalmente as acolheria subsequentemente. O herói foi ferido, como que deixado à própria sorte, desprotegido, sem estar formado e/ou preparado para os embates que terá de enfrentar.

Essa é a situação das crianças que, ainda recém-nascidas, são encaminhadas para adoção, deixadas pelas mães no próprio hospital onde deram à luz ou, de forma que até podemos considerar perversa, pelas ruas das cidades, em caixas de papelão, latas de lixo e à margem de lagos e rios. Para essas crianças, o corte do cordão umbilical implica em um afastamento definitivo, e só raramente, há um contato mãe-filho, sempre breve e superficial. Seria apropriado comparar à condição de uma ave que, ainda não sabendo voar, seja empurrada para fora do ninho. O bebê passa a ser cuidado por um(a) atendente de berçário e posteriormente, na grande maioria das vezes, por um(a) funcionário(a) de abrigo, onde aguardam pela colocação em lar substituto. Ali não há continuidade nos relacionamentos, na ligação emocional e na estimulação. Funcionários vêm e vão, tornando as relações passageiras, sem a permanência que a criança necessita para estabelecer referenciais. Pode ser suprida a fome física, mas não a afetiva. Como há trâmites processuais a serem cumpridos, essa espera pode ser de dias, meses ou mesmo anos. Por esses motivos, quanto mais pessoas estiverem interessadas na adoção de crianças e adolescentes das mais diferentes faixas etárias e características físicas, menor será essa espera, e mais rapidamente se re-direcionará a  escrita da história desses pequenos heróis.

 

 

Psicóloga Mara Regina Augusto – CRP 06/17120

 

Psicóloga pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – 35 anos de experiência.

Pós Graduação (Lato Sensu) em Psicologia Analítica – Universidade São Marcos

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL

Centro de Convivência Infantil da Secretaria do Governo
Período: de março de 1984 a junho de 1985
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Vara da Infância e Juventude do Foro Regional Jabaquara
Psicóloga Judiciária / Psicóloga. Judiciária Chefe
Período: de junho de 1985 a junho de 2014(aposentada)
Psicóloga Voluntária na empresa Instituto Pró-Cidadania-IPC
Psicóloga Voluntária do GAASP
Palestrante do Grupo de Apoio e Orientação à Adoção “Conta de Novo”, do GAASP – Grupo de Apoio a Adoção de São Paulo e dos Encontros Prepatórios de Adoção da Vara da Infância e Juventude do Foro Regional Jabaquara.

 

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O nascimento do herói – Estrutura psicológica da criança

O nascimento do herói – Estrutura psicológica da criança

Um texto interessante, “O nascimento do herói”, ou seja, o início da vida humana e a diferença entre nascer efetivamente como ser biológico e o nascimento da estrutura psicológica. A importância do papel da mãe na construção do ego e na representatividade de si mesmo, reverenciada por oferecer o aspecto continente que acolhe e nutre.

O sofrimento emocional: angústias, medos, desamparo, raiva, entre outros, relacionadas a circunstancias da vida levam o indivíduo a buscar dentro de si mesmo condições psicológicas para lidar com as frustrações. Conhecer a si mesmo e descobrir a maneira saudável de enfrentar as dificuldades.

O texto da Psicóloga Mara nos explica os primórdios de um processo de desenvolvimento psicológico muito importante onde se fundamenta toda a estrutura de personalidade do ser humano

O Nascimento do Herói 

O ato de nascer implica no sentido de começar, de iniciar, de ser o princípio da vida, de um ser, de uma ideia. Antes de vir à luz, tudo o que nasce passa por um processo que, na maioria das vezes, é imperceptível, que se dá nos recônditos de um ovo, de um ventre materno ou psíquico, nas profundezas da alma.

No passado, imaginava-se que o meio ambiente do útero materno era confinado e monótono, que o feto era completamente passivo e dependente. Pesquisas mais recentes e o desenvolvimento tecnológico demonstraram que o que se acreditava ser um mundo sem atritos, sem sensações e estímulos é na verdade um lugar rico em experiências pré-natais. O feto se movimenta, dorme e acorda, reage a estímulos, pode perceber diversos sons como o da voz da mãe, o do sangue dela correndo pelas artérias, o dos batimentos de seu coração e aqueles produzidos pela digestão, entre outras atividades. Imerso no líquido amniótico, o bebê cresce contido e protegido no abdômen da mãe. Assim, compartilham durante os meses de gestação muito mais do que a ligação mantida pelo cordão umbilical. E quando esse é cortado, na hora do nascimento, apenas a ligação física do bebê com a mãe é rompida. Diferentemente dos animais irracionais, o humano nasce imaturo e continua dependente e desprotegido. Trata-se de um processo que se inicia no ventre materno, mas continua fora dele no pós-natal.

É possível, então, concluir que o nascimento biológico do bebê humano e o nascimento psicológico do indivíduo não são coincidentes no tempo, não acontecem simultaneamente, e a criança permanece psicologicamente fundida com a mãe vários meses após o nascimento. Essa separação só ocorrerá quando o ego da criança estiver formado. Pode-se, simbolicamente, dizer que o ego também nasce, o que se dá por um processo, enquanto que o nascimento do homem corresponde a um momento. A mãe fornece um continente para o ego em desenvolvimento do filho, da mesma forma como antes tinha fornecido em seu corpo um continente para seu corpo em desenvolvimento.

A criança fica aí totalmente imersa, mantendo com a mãe uma relação que já dispensa o cordão umbilical, mas em que essa última continua fazendo papel de intermediária entre ela e o mundo. Nessa fase, o papel da mãe é o de, na medida do possível, não deixar que as experiências negativas, naturais do cotidiano de qualquer ser humano, predominem – fome, frio, dor, raiva, por exemplo – levando a criança a desenvolver assim a capacidade de tolerar a frustração e adiar a satisfação das necessidades. O atendimento da mãe à criança vai organizando as mamadas, o período de sono, o de vigília, vai impondo um ritmo. Dá o conforto desejado, assim que possível, e ensina a tolerar o adiamento da gratificação. Esse processo nos humaniza e, com o passar do tempo, a criança passa a ser dotada de um ego.
Nos contos de fada, o herói corresponde ao ego, e o processo que corresponde a seu estabelecimento, pode ser visto como o início de sua saga.

O nascimento do herói – Estrutura psicológica da criança

Mara Regina Augusto – CRP 06/17120,

Psicóloga pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – 35 anos de experiência.

Pós Graduação (Lato Sensu) em Psicologia Analítica – Universidade São Marcos

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL

Centro de Convivência Infantil da Secretaria do Governo
Período: de março de 1984 a junho de 1985
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Vara da Infância e Juventude do Foro Regional Jabaquara
Psicóloga Judiciária/Psicóloga Judiciária Chefe
Período: de junho de 1985 a junho de 2014(aposentada)
Psicóloga Voluntária na empresa Instituto Pró-Cidadania-IPC
Psicóloga Voluntária do GAASP
Palestrante do Grupo de Apoio e Orientação à Adoção “Conta de Novo”, do GAASP – Grupo de Apoio a Adoção de São Paulo e dos Encontros Prepatórios de Adoção da Vara da Infância e Juventude do Foro Regional Jabaquara.

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Família

Família

É dispensável relacionar aqui as situações familiares bizarras e extremas, capazes de prejudicar o bom desenvolvimento emocional de seus membros, incluindo os filhos, cônjuge, netos, sobrinhos e até o cachorro da casa. Normalmente essas situações dizem respeito ao alcoolismo, drogadicção, histerias de várias formas, violência doméstica, chantagens emocionais, enfim, toda sorte de excessos capazes de perturbar o bom andamento das coisas familiares.

Pode parecer estranho mas, de fato, o que interessa considerar aqui é o exercício da maldade, tortura e crueldade. Mas não se trata da maldade, tortura e crueldade clássicas e francas. Aí ficaria muito fácil diagnosticar a dinâmica familiar deturpada. Mas não, o que nos interessa é o exercício da maldade, tortura e crueldade exercidas velada e dissimuladamente. Esse tipo disfarçado de crueldade e maldade inclui toda espécie de chantagens emocionais, cerceamentos de liberdade, desrespeito, omissões e opressões que familiares dirigem uns contra os outros de forma surda, calada e, muitas vezes, socialmente irreprimível.

Esse tipo de família onde existem pessoas capazes de gerar ansiedade e mal estar emocional em outros familiares, constitui aquilo que chamamos de Família de Alta Emoção Expressa. O termo Alta Emoção Expressa foi adotada, inicialmente, para indicar características de famílias que favoreciam a recaída dos sintomas de pacientes psiquiátricos. Hoje em dia, podemos empregar o termo para designar famílias que favorecem o desenvolvimento de estados emocionais desconfortáveis.

Na maior parte das vezes, o discurso de tais famílias nos dá a impressão de que todos são ótimos e desejam ardentemente o bem estar dos demais. Mas, avaliando com mais cuidado, surdamente, nas entrelinhas e dissimuladamente, veremos que, as coisas são feitas de forma a piorar o estado emocional dos demais ou de alguém, especificamente.

Os trabalhos de pesquisa que investigam a atividade dessas famílias psicopatogênicas utilizam escalas de avaliação que privilegiam três aspectos (Entrevista Familiar de Camberwell – EFC):

  1. O número de comentários críticos, mordazes, amargos ou depreciativos,
  2. A presença de hostilidade, direta ou dissimulada e
  3. O nível de envolvimento emocional estressante (scazufca, 1998).

A existência de famílias com características psiquiatricamente mórbidas foi suspeitada, de forma científica, em 1959. As conclusões do primeiro estudo de George Brown, em 1959, apontaram para uma possível associação entre a qualidade das relações familiares e o desenvolvimento da doença mental do paciente.

No primeiro desses estudos, Brown (1959) observou que alguns pacientes que tinham alta de hospitalização psiquiátrica e passavam a viver com os pais ou cônjuges, tinham uma evolução pior que a evolução dos pacientes que passavam a viver sozinhos. Brown achou que o “defeito” estava na família desses pacientes; e tinha razão.

 

As Agressões Emocionais

Agressões Emocionais são aquelas que, independentemente do contacto físico, ferem moralmente. A Agressão Emocional, como nas agressões em geral, depende do agente agressor e do agente agredido. Quando não há intencionalidade agressiva e o agente agredido se sente agredido, independentemente da vontade do agressor, a situação reflete uma sensibilidade exagerada de quem se sente agredido.

Havendo intencionalidade do agressor, o mal estar emocional produzido por sua atitude independe da eventual sensibilidade aumentada do agente agredido e outras pessoas submetidas ao mesmo estímulos, se sentiriam agredidas também.

A Agressão Emocional é especialidade do meio familiar, chegando-se ao requinte de agredir intencionalmente com um falso aspecto de estar fazendo o bem ou de não saber que está agredindo.

O simples silêncio pode ser uma agressão violentíssima. Isso ocorre quando algum comentário, uma posição ou opinião é avidamente esperado e a pessoa, por as vez, se fecha num silêncio sepulcral, dando a impressão politicamente correta de que “não fiz nada, estava caladinho em meu canto…”. Dependendo das circunstâncias e do tom como as coisas são ditas, até um simples “acho que você precisa voltar ao seu psiquiatra” é ofensivo ao extremo, assim como um conselho falsamente fraterno, do tipo “não fique nervoso e não se descontrole”.

Não é o frequente, na família, a agressão sem intencionalidade de agredir, ou seja, a agressão que é sentida pelo agente agredido, independentemente da vontade do agressor. Normalmente, pelo fato da família ser um grupo onde seus membros têm pleno conhecimento da sensibilidade dos demais, mesmo que a situação de agressão refletisse uma sensibilidade exagerada de quem se sente agredido, o agressor não-intencional deveria ter plena noção das consequências de seus atos. Portanto, argumentar que “não sabia que você era tão sensível” é uma justificativa hipócrita.

As atitudes agressivas refletem a necessidade de uma pessoa produzir alguma reação negativa em outra, despertar alguma emoção desagradável. As razões dessa necessidade são variadíssimas e dependem muito da dinâmica própria de cada família. Podem refletir sentimentos de mágoa e frustrações antigas ou atuais, podem refletir a necessidade de solidariedade emocional não correspondida (estou mal logo, todos devem ficar mal), podem representar a necessidade de sentir-se importante na proporção em que é capaz de mobilizar emoções no outro…. enfim, cada caso é um caso.

Tipos de Agressão Emocional:

  1. Estimular sentimentos de preocupação, remorso e/ou culpa.
  2. Estimular sentimentos de inferioridade e dependência.
  3. Comportamento opositor e aversivo.

 

Agressões Emocionais na Família

1 – Estimular sentimentos de preocupação, remorso e/ou culpa

Um tipo comum de Agressão Emocional é a que se dá sob a autoria dos comportamentos histéricos, cujo objetivo é mobilizar emocionalmente o outro para satisfazer a necessidade de atenção e de importância da pessoa que agride. A intenção do agressor histérico é mobilizar outros membros da família, tendo como chamariz alguma doença, alguma dor, algum problema de saúde, enfim, algum estado que exija atenção, cuidado, compreensão e tolerância (veja Transtornos Histéricos).

No histérico, o traço prevalente é o “histrionismo”, palavra que significa teatralidade. O histrionismo é um comportamento caracterizado por colorido dramático e com notável tendência em buscar contínua atenção.

Normalmente a pessoa histérica conquista seus objetivos através de um comportamento afetado, exagerado, exuberante e por uma representação que varia de acordo com as expectativas da platéia. Mas a natureza do histérico não é só movimento e ação; quando ele percebe que ficar calado, recluso, isolado no quarto ou com ares de “não querer incomodar ninguém” é a atitude de maior impacto para a situação, acaba conseguindo seu objetivo comportando-se dessa forma.

Os pacientes histriônicos exageram seus pensamentos e sentimentos, apresentam acessos de mau humor, lágrimas e acusações sempre que percebem não serem o centro das atenções ou quando não recebem elogios e aprovações. Há grande possibilidade das “doenças” do histérico piorarem quando sente que alguém da família não está reservando parte de sua vida para preocupar-se com ele, quando alguém está se preparando para passear, sair, divertir-se.

Representar papéis é a especialidade mais meritosa da pessoa histérica, assim sendo, com muita propriedade, ela representa a mãe zelosa e preocupada, podendo estar sofrendo do coração, piorando quando fica “nervosa”, “passando mal” quando contrariada ou preocupada, e assim por diante.

Essa tentativa (e sucesso) da pessoa histérica em conseguir quase tudo através da mobilização emocional dos demais membros da família causa, cronicamente, um expressivo Sofrimento Emocional. O sentimento de culpa aparece quando alguém percebe que o histérico da família “adoeceu” por sua causa.

Se forem os pais os histéricos, normalmente tendem a chamar atenção quando o(s) filho(s) saem, arranjam namorado(a), deixam de cumprir seus compromissos, se comportam de maneira não esperada, etc. A postura histérica, com suas características de somatizações, surge ainda quando não há reconhecimento festivo de seus esforços para manter a família, da maneira heróica com que lidam com a vida.

Os sintomas histéricos acabam resultando em sentimentos de culpa ou remorso quando, sabidamente, aparecem se a pessoa ficar contrariada. Os familiares acabam sabendo que aquele mal estar e sofrimento da pessoa doente poderiam ser evitados se a pessoa não se aborrecesse, se todos não a deixassem nervosa.

Sendo histéricos os filhos, a teatralidade aparece como justificativa, mais que plausível, pelos fracassos e falhas do cotidiano, pela impotência na solução dos problemas e eventuais insucessos. Para melhor clareza das atitudes histéricas e sua relação com a busca de solidariedade e apoio por parte dos outros membros da família, veja o seguinte exemplo:

A paciente X queixa-se, logo que entra no consultório:
– Doutor, essa noite não dormi e não deixei ninguém dormir.
– Porque? Perguntei, já imaginando a resposta.
– Sentia dores pelo corpo e um mal estar esquisito…

Tentando um misto de ironia e correção, arrisquei…
– Então, depois de ter acordado a todos, suas dores melhoraram.
– Não. Continuei sentindo mal até de manhã, como vem acontecendo há muito tempo.
– Mas então, porque acordou a todos se as dores e o mal estar, como de costume, não melhoram quando você acorda todo mundo?

Sem pensar ou, pior, com a crítica ofuscada pelo egoísmo típico dos histéricos, respondeu:
– Mas o senhor queria, então, que eu sofresse sozinha?

Na prática clínica vemos, ainda, casos curiosos onde a esposa adoece cada vez que o marido agenda uma pescaria, ou na hora do jogo de futebol com os amigos… Também o homem passa mal quando tem contas a pagar, é demitido, não consegue resolver problemas do cotidiano, etc (veja mais: somatização, homens histéricos) Esse tipo chantagista e histérico de produzir Agressão Emocional pode ocorrer de vários modos. Tem aqueles casos de manipulação clássica e franca, onde o agressor é capaz de falar claramente coisas do tipo “você vai acabar me matando…”, “não dormi a noite toda esperando você chegar…”, etc.

Existem, por outro lado, os agressores que não falam mas sugerem continuadamente e com muita eficiência tudo aquilo que querem transmitir. Comportam-se “doentemente”, colocam a mão no peito para sugerir dor no coração mas, perguntados se sente alguma coisa, apressam-se a dizer que não. Na realidade estão torturando os outros duas vezes; primeiro por deixar todo mundo apreensivo sobre essa misteriosa dor no peito, e em segundo, por transmitir a impressão de que não se queixam, logo, nunca saberão se está com dor ou não.

Existem ainda aqueles que se comportam placidamente, resignadamente, “quietinhos em seu canto”, deixando claro seu mal estar e profundo aborrecimento com alguma coisa que está ocorrendo no lar. Esses são piores porque querem que todos saibam o que estão querendo sem que tenham de dizer.

Estimular sentimentos de preocupação, remorso e/ou culpa pode aparecer em pais nas seguintes diante (entre outras) das seguintes situações que envolvam:

  • Noras ou genros não plenamente desejados;
  • Filhos ou filhas que preferem (naturalmente) a convivência com o cônjuge;
  • Filhos ou filhas que saem muito à noite;
  • Filhos ou filhas que bebem ou usam drogas;
  • Maridos que saem muito;
  • Maridos que bebem;
  • Maridos que vão pescar com amigos;
  • Maridos que vão pescar;
  • Esposas que gastam muito;
  • Na falta de colaboração de todo mundo para afazeres domésticos…

Estimular sentimentos de preocupação, remorso e/ou culpa pode aparecer em filhos nas seguintes diante (entre outras) das seguintes situações que envolvam:

  • Reprovação na escola;
  • Acidente de carro;
  • Falta de iniciativa para arranjar emprego;
  • Ciúme dos irmãos;
  • Separação do(a) namorado(a);
  • Fracassos em geral…

2 – Estimular sentimentos de inferioridade e/ou dependência.

Fazer o outro se sentir inferior e/ou dependente é um dos tipos de agressão dissimulada mais terríveis. A mais virulenta atitude com esse objetivo é fazer tudo corretamente, não com o propósito de ensinar, mas para mostrar ao outro o tamanho de sua incompetência.

Normalmente é o tipo de agressão dissimulada pelo pai em relação aos filhos homens, quando esses não estão saindo exatamente do jeito que o pai idealizou. Alguns comentários “inocentes” e falsamente destinados à orientação paterna podem ser do tipo:

  • Na sua idade eu já era…
  • Deixa que eu faço, meu bem (enfatizando o ‘meu bem’)
  • Você não tem noção sobre isso, mas não é sua culpa…
  • Sabia que iria acontecer isso…
  • Gostaria que você fizesse só isso para mim, só isso…

A atitude do agressor que faz sentir inferior e/ou dependente, além da agressão verbal irônica e mordaz, também pode ser através de atitudes que sugerem ter resolvido tudo de forma “natural”, sem esforços.

Essa atitude é costumeiramente reforçada com postura autoritária e imperiosa, como se o outro tivesse que pagar, por sua inferioridade e dependência, através da obediência e solicitude. Dessa forma o agressor procura ser tratado “com tudo nas mãos”, exigindo que os outros o atendam serviçalmente.

3 – Comportamento opositor e aversivo

Outro tipo de Agressão Emocional é o comportamento de oposição e aversão. As pessoas que pretendem agredir se comportam contrariamente àquilo que se espera delas. Demoram no banheiro quando percebem que se espera que saiam logo, deixam as coisas fora do lugar quando isso é reprovado, etc. Até as pequenas coisinhas do dia-a-dia podem servir aos propósitos agressivos, como deixar uma torneira pingando, apertar o creme dental no meio do tubo e coisas assim. Mas isso não serviria de agressão se não fossem atitudes reprováveis por alguém da casa.

Esses agressores estão sempre a justificar as atitudes de oposição como se fossem totalmente irrelevantes, como se estivessem corretas, fossem inevitáveis ou não fossem intencionais. Entretanto, sabendo que são perfeitamente conhecidos as preferências e estilos de vida dos demais, atitudes irrelevantes e aparentemente inofensivas podem estar sendo propositadamente agressivas.

Enfim, as agressões emocionais do tipo Comportamento Opositor e Aversivo são variadíssimas, de acordo com as características de cada família. E nem sempre é apenas a atitude ativa que agride. A não-atitude também pode ter propósitos agressivos; o silêncio e o emudecimento podem agredir, assim como a apatia, a omissão, desinteresse e o não-fazer-nada.

Algumas pessoas têm a incrível necessidade de provocar emoções negativas nos outros quando, elas próprias, estão emocionalmente complicadas. É como se “o condenado se consolasse na dor do semelhante”. Assim sendo, quando essas pessoas estão irritadas, magoadas, contrariadas, será muito pior sua irritabilidade, mágoa e contrariedade se não tiverem, ao seu redor, pessoas com iguais ou piores sentimentos.

A maior evidência de que os comportamentos opositores são agressivos na medida em que causam mal estar emocional no outro, é a ausência deles na ausência do espectador que se quer agredir. Um marido irritado, por exemplo, que chega em casa de péssimo humor e, descontente com a comida, atira o prato o chão, jamais teria esse comportamento se estivesse sozinho em casa ou se não houvesse perspectiva de vir alguém para assistir a cena ou os cacos do prato no chão.

Os agressores emocionais de oposição e aversão costumam ter frases costumeiras, como por exemplo as do tipo:

  • Mas porque sou eu quem tem de mudar?
  • Será tão difícil ter um pouco de paciência comigo?
  • Acho que deveriam cuidar de suas vidas e deixar eu cuidar da minha.
  • Nessa casa sempre fui tratado de maneira diferente.
  • Porque meu irmão pode fazer isso e eu não?
  • Os incomodados que se mudem…

No caso da agressão que estimula remorso e culpa os agressores são, predominantemente, mulheres (mães e irmãs, nessa ordem), mas na agressão de oposição e aversão os homens são mais capazes.

Em relação às pessoas que fazem tratamento psiquiátrico as agressões emocionais intrafamiliares têm características especiais. Nesses casos, aplica-se perfeitamente o conceito que se tem sobre famílias de Alta Emoção Expressa, visto acima.

Para essas pessoas, normalmente, as agressões emocionais aparecem sob a forma de falsos conselhos bem intencionados. De fato tais conselhos têm objetivo de censurar, repreender, diminuir, envergonhar, humilhar, culpar, constranger, enfim, a intenção real de causar dor moral no outro. Um agravante e a sempre presente consciência do agressor sobre os efeitos reais de seus comentários, embora diga que “eu apenas disse que…” ou “não sabia que você era tão sensível, desculpe”.

Vejamos alguns poucos comentários pinçados no cotidiano que, muitas vezes, os familiares de pacientes psiquiátricos fazem, motivados pela intenção de agredir dissimulada através de comentários “inocentes”.

  • Você deve reagir, ter pensamentos positivos, fortes…
  • Sua irmã sim, tem a cabeça boa.
  • Acho que se você se ocupasse de alguma coisa…
  • Já passei por situações piores e nunca fiquei assim, como você.
  • Acho que seu remédio não está fazendo efeito.
  • Não te contei porque você não pode passar nervoso.
  • Veja como seus irmãos se comportam e procure fazer o mesmo.
  • Não posso me dar ao luxo de ficar doente como você.
  • Se você tivesse metade de minhas preocupações…
  • Se alguém nessa casa faz tratamento, não sou eu…
  • Por causa de seu nervoso, daqui pra frente não conto mais nada pra você…
  • O médico disse pra eu ter muita paciência com você.
  • … mas para sair de casa você está normal, não é?
  • … se um dia você ficar normal eu prometo que…

Finalizando, é bom ter em mente que o bem estar psicológico dos membros da família não depende apenas da sucessão de eventos proporcionada pelo destino, não apenas das adversidades materiais mas, sobretudo, da intencionalidade expressa ou dissimulada de agredir os demais.

Ballone GJ, Ortolani IV – A Família e Transtornos Emocionais, in. PsiqWeb

Pais e Filhos

Pais e Filhos

Talvez o problema mais grave dos pais seja, exatamente, fazer aquilo que acham melhor para seus filhos. Se ao menos eles fizesse apenas o que é bom para os filhos, talvez o prejuízo não fosse tão grave quanto buscarem sempre fazer o melhor para os filhos.

O problema é que melhor na opinião dos pais, não significa necessariamente mais correto, adequado e sensato. A dúvida que surge nessa postura, é sobre o conceito do que seria, exatamente, esse melhor, melhor em que sentido; melhor para o bem estar do pai, do filho, da família, melhor emocionalmente, financeiramente, culturalmente, melhor para a saúde… e assim por diante.

Muitas vezes é melhor que a filha fique em casa à noite, porque é melhor ao sono, bem-estar e tranquilidade dos pais. Pelas mesmas razões, é melhor que os filhos não bebam, não dirijam, não namorem quem eles querem, etc, etc.

O velho chavão “faço o que é melhor para vocês”, que brota das palavras de todo pai ou mãe que se preza, deveria ser corretamente interpretado como sendo; “faço para vocês o que é melhor para mim”.

O simples fato de presentear os filhos pode dar a falsa ideia de que isso é bom para eles, quando, na realidade, poderia estar satisfazendo a necessidade de bem-estar dos pais, ao se saberem “bonzinhos”, atenciosos, carinhosos, responsáveis.Vejamos a questão do beijo, por exemplo; muitas vezes o beijo apraz muito mais quem está beijando (pais) do que quem está sendo beijado (filhos), portanto, talvez quem beija com a intenção de doar afeição e carinho esteja, de fato, se apossando de afeição e carinho para si.

Um dos exemplos de que o melhor para os pais nem sempre se compatibiliza com o melhor para os filhos, é a tendência constante dos pais proibir nos filhos uma série de atitudes que eles mesmos tomavam em outras épocas, quando tinham a idade dos filhos.

Como regra geral, os pais tendem a aplaudir o comportamento “correto” dos filhos. De fato, muitas vezes estão se aplaudindo por se sentirem importantes como pais de uma criança inteligente, bem dotada, que auxiliam nas tarefas domésticas ou nos negócios. Sentem que sua função de pais, geneticamente perfeitos, educadores eficazes, moralmente atuantes foi satisfatória a ponto de merecer aplausos.

 

Pais fazem mal aos filhos?

Não. De modo geral os pais não prejudicam os filhos mas, de modo particular, muitos o fazem. Os pais encorajam seus filhos a trilharem caminhos que, de acordo com sua visão do mundo e sua teoria de vida, supostamente lhes trariam bem estar e sucesso. “Trabalhe duro”, “Seja uma boa menina”, “Economize seu dinheiro”, “Seja sempre pontual”, “Tire sempre boas notas”, etc.

Na realidade, pode ser que estejam (re)transmitindo chavões que se repetem por gerações, estejam fazendo algo no sentido de não se sentirem omissos por deixar de passar recomendações tidas, familiarmente, como indispensáveis ao sucesso (talvez mais dos pais, que dos filhos). Mas, recomendações desse tipo não costumam resistir ao simples questionamento do tipo “porque”; “porque devo trabalhar duro?”, “ser sempre pontual porque?”, “tirar sempre boas notas porque?”.

Seria realmente impossível não trabalhar duro, mas o suficiente? Seria impossível ser uma menina normal, nem boa e nem má? Seria impossível tirar notas médias e, simultaneamente, ser feliz? Ficará claro que a intenção dessas recomendações é apenas no sentido de prevenir futuros sentimentos de omissão.

As respostas aos porquês costumam se resumir em um incisivo “- Porque é bom.”, seco e conclusivo. Talvez recomendações desse tipo sirvam mais ao desenvolvimento de eventuais complexos de culpa e de fracasso nos filhos, do que ao sucesso deles, propriamente dito. Existem muitos trabalhos sobre a não necessidade de boas notas para o sucesso pessoal, assim como trabalhos sobre o insucesso de ex-primeiros alunos.

Acredita-se que o melhor modo de fazer alguém se tornar um certo tipo de pessoa, é atribuir-lhe características do tipo desejado. Dizendo à criança que ela é uma boa criança, a tendência é que assuma, de fato, o papel de boa criança. E o inverso parece ser verdadeiro. Isso é o que a sociedade vive fazendo em relação aos papeis sociais. O soldado deve ser corajoso, o filho amoroso, a sogra ciumenta, o psiquiatra compreensivo, o financista frio, o sacerdote atencioso, e assim por diante.

A sociedade define e caracteriza os diversos papeis sociais e, ao assumi-los, as pessoas devem se enquadrar naquilo que esperam deles os espectadores, sob o risco de serem excluídas do cenário social e devidamente apenadas. Essa definição de papeis sociais costuma nascer dentro da família. Não é raro, em famílias com três filhos, que ao mais velho seja atribuído o papel de criança prodígio, provavelmente ao segundo, o papel de responsável e prestativo, útil à família e ao outro, possivelmente o caçula, o papel de filho difícil.

No caso de mais de três filhos, essas características podem ser diluídas e compartilhadas por mais de um filho. Pior que isso, só quando os pais idealizam papeis funcionais aos filhos: “esse vai ser jogador de futebol”, “esse vai ser médico”. Mas a questão só é colocada dessa maneira porque ser jogador de futebol ou médico, “é o melhor para ele”. Vejamos, então, como se desenvolve o jogo da hipocrisia familiar no esquema abaixo:

  • Pai acha que ser médico é o melhor.
  • Porque seu cardiologista está muito bem.
  • O papel de pai é querer o melhor para o filho (para o filho?).
  • Pai atribui ao filho a vocação de médico.
  • Pai define o filho “esse vai ser médico”.
  • Papel de filho é satisfazer expectativa do pai.
  • Filho “quer” ser médico.
  • Pai está de parabéns; seu filho quer ser médico.
  • Filho está de parabéns; é um bom filho.

Mesmo que esses pais digam que evitam opinar (decidir) sobre a futura profissão de seus filhos, repetindo sempre que “o importante é que ele seja feliz”, ainda assim não conseguem desvincular de suas próprias felicidades e fantasias da pretensa felicidade e realização dos filhos. Quando o filho é homem, tende a polarizar as fantasias do pai nele projetadas.

A ambição paterna não se satisfaz com tudo que o filho possa ter “copiado” do jeito do pai ser, mas aspira, inclusive, que venha a ser tudo aquilo que o pai queria ter sido e não foi. Vejamos a ordem, do mais desejável para o menos, dos atributos ansiados pelos pais sobre seus filhos homens, juntamente com atributos pouco lembrados mas muito importantes para a formação da personalidade:

 

QUALIDADES DESEJADAS DOS PAIS EM RELAÇÃO AOS FILHOS
6 qualidades mais desejadas dos pais em relação aos filhos6 qualidades muito esquecidas dos pais em relação aos filhos
heterossexual;mentalmente normal;
obediente aos pais;respeitoso com todos;
responsável;honesto e leal;
trabalhador;alegre e animado;
ordeiro;carinhoso e sensível;
bonito;inteligente e culto;

 

Sendo a filha mulher, sobre ela recairão as fantasias e aspirações da mãe. A puberdade feminina vem acontecendo cada vez mais precocemente (veja Puberdade Precoce), e existem razões para crer que esse fenômeno possa ser devido à adaptação biológica aos anseios culturais; a mãe “fantasia” a filha de mocinha muito cedo, atribuindo a ela um papel de jovem. Isso pode favorecer uma precocidade biológica ao papel social atribuído pela família. Essa ocorrência é mais uma prova de que o filho (ou jovem, em geral) acaba incorporando em sua pessoa o papel social a ele atribuído pela família e sociedade.

 

QUALIDADES DESEJADAS DAS MÃES EM RELAÇÃO ÀS FILHAS
6 qualidades mais desejadas das mães em relação às filhas6 qualidades muito esquecidas das mães em relação às filhas
heterossexual;mentalmente normal;
bonita;fértil;
admirada por todos;instinto maternal;
companheira;alegre e animada;
bem casada;carinhosa e sensível;
ordeira;inteligente e culta;

 

Ballone GJ, Ortolani IV – Pais e Filhos – in. PsiqWeb.

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